O empate do Vasco em 3 a 3 contra o Cruzeiro trouxe sabores distintos ao paladar do torcedor vascaíno. A equipe carioca foi valente ao virar a partida no Mineirão, sofreu a baixa de um jogador expulso, viu tudo voltar a ficar igual no placar e, mesmo assim, buscou o terceiro gol. O empate cruzeirense nos acréscimos impediu a segunda vitória de Renato Gaúcho no comando do time.
A visão mais objetiva aponta para um jogo em que o Vasco deixou escapar uma vitória em Belo Horizonte. E é fato. Os três pontos estavam nas mãos vascaínas até os acréscimos. Mas, pelas circunstâncias da partida, vale ressaltar que, mesmo com as adversidades, o Vasco mais uma vez se mostrou competitivo e indica sinais de melhora com Renato Gaúcho no Brasileirão.
Barros resume a instabilidade vascaína
Os sete minutos de Barros no segundo tempo sintetizam a instabilidade que o Vasco é capaz de proporcionar no Campeonato Brasileiro. O volante havia acabado de marcar os dois gols da virada vascaína e, em poucos minutos, foi expulso de forma infantil no Mineirão, em lance idêntico ao que fez o jogador levar cartão vermelho no clássico do Carioca contra o Flamengo.
O primeiro tempo das duas equipes foi fraco. Nada aconteceu de relevante antes e depois da falha de Paulo Henrique — que deu condição ao ataque cruzeirense no lance do primeiro gol. O Vasco voltou com muito mais interesse no segundo tempo, quando chegou à virada em menos de 15 minutos.
Cuiabano, uma das principais contratações do Vasco para a temporada, foi peça-chave na virada. O lateral cruzou para Barros empatar e mostrou presença de área mais uma vez ao cabecear e gerar o rebote do segundo gol vascaíno. Ele se firmou como titular neste início de trabalho de Renato e tem despertado esperança no torcedor.
Mas a expulsão de Barros fez o time perder o controle do segundo tempo e chamar o Cruzeiro para o próprio campo. Renato se viu obrigado a mexer na estrutura da equipe e sacou todo o ataque, inclusive Andrés Gómez, principal jogador do time. O treinador apostou em dobra de laterais no ataque e na presença de Brenner como referência. O Vasco ficou sem escapes, e a estratégia não deu certo. O Cruzeiro dominou o jogo até empatar, em cabeçada de Chico da Costa desviada em Villarreal.
Mesmo assim, o Vasco se arriscou em alguns lances no ataque. Em uma jogada de muita disposição de Brenner, a sorte enfim sorriu para o atacante, que espantou a zica e marcou o terceiro, em chute desviado na defesa mineira. O gol parecia dar a vitória ao Vasco, mas o Cruzeiro chegou ao empate em outro gol de cabeça após cruzamento nos acréscimos.
Os erros que custaram a vitória
A estratégia pensada por Renato Gaúcho para a partida era a de um Vasco que esperaria o Cruzeiro para ter campo e contra-atacar. O erro de Paulo Henrique, ao não acompanhar a linha defensiva no primeiro gol cruzeirense, jogou o plano por água abaixo.
Paulo Henrique falha em primeiro gol do Cruzeiro — Foto: Reprodução
O terceiro gol do Cruzeiro nasce de um Vasco que tinha um jogador a menos, sete defensores em campo, e mesmo assim ninguém subiu para disputar a bola pelo alto com Japa. Gerson teve espaço para receber na entrada da área, e William teve campo para cruzar com tranquilidade.
A força para reagir
O Vasco precisou mudar o plano de jogo após sair atrás no placar. Teve de mostrar força após o intervalo para buscar a virada. Precisou ser resistente com um a menos para pontuar em Belo Horizonte. Lidou com uma arbitragem que foi tema do jogo e alvo de muitas reclamações após o apito final. Mesmo com todas as adversidades, a equipe foi competitiva no Mineirão e voltou para casa com um empate.
Antes da estreia de Renato Gaúcho, o torcedor do Vasco via a sequência de jogos contra o Palmeiras, em casa, e contra o Cruzeiro, fora, com olhar de preocupação. Passadas as duas partidas, a equipe não foi derrotada, conquistou quatro pontos, mostrou organização e poder de reação para buscar viradas contra times que entraram em campo como favoritos.
O desafio para a próxima rodada, contra o Fluminense, segue o mesmo dos dois primeiros jogos de Renato Gaúcho: a equipe precisa errar menos. Desde 2025, os erros individuais custam muito caro ao Vasco.
Em um elenco que foi reformulado no segundo mês do ano, já com as principais competições em andamento, é fundamental recuperar jogadores. O gol de Brenner, mesmo com uma dose de sorte, é mais um indicativo positivo. Há outros atletas que precisam dar a volta por cima no clube, como Paulo Henrique e Nuno Moreira, que tiveram mais uma noite de atuações ruins.
O elenco é curto. Sem Thiago Mendes, o Vasco não tinha volantes à disposição após a expulsão de Barros. Então, nenhum atleta pode ser descartado. JP entrou com personalidade e mostrou que tem qualidade.
O Vasco voltou a competir. O próximo passo é errar menos para que jogos como o do Mineirão não escapem novamente. O Brasileirão é uma corrida em que, a cada rodada, é importante não ficar para trás.
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