Aos 40 anos, Romário não incomoda mais a seleção

30/01/2006 às 12h19 - FUTEBOL

Enfrentar a população, a imprensa e a torcida em geral perguntando: \"E o Romário?\". Rotina dos técnicos que estiveram no comando da seleção brasileira nos últimos 16 anos, a embaraçosa situação não é mais problema para Carlos Alberto Parreira, treinador do Brasil para a Copa do Mundo de 2006.

\"Não faria mais sentido o povo gritar para um jogador de 40 anos ir para a seleção. Ninguém grita mais pelo Pelé. Cada um tem o seu tempo\", disse ao Pelé.Net o atual técnico da seleção brasileira.

Contudo, nem sempre foi assim. Da Copa do Mundo de 1990 até a de 2002, os treinadores brasileiros sofreram uma enorme pressão quanto à presença do atacante no Mundial.

Há 16 anos, Sebastião Lazaroni, comandante do Brasil na Copa da Itália, sofreu para decidir entre a ida ou não do Baixinho. Depois de ver o camisa 11 ser o maior destaque da equipe na conquista da Copa América (1989) e nas Eliminatórias, o treinador viu o centroavante sofrer uma grave lesão no tornozelo.

\"Por causa da lesão, ele foi inscrito no ultimo dia possível. Fizemos até um amistoso na Itália, que foi o dia D, para ver as condições dele. Arrisquei e o levei. Sofri até pressão para não levá-lo, mas banquei\", disse o técnico, que teve problemas de relacionamento com o Baixinho:

\"Já conhecia ele do Vasco. Não era fácil de lidar, era marrento, gostava de defender posições erradas. Mas dentro de campo resolvia. Ele e o Bebeto foram muito bem juntos na Copa América, mas ambos se lesionaram e foram reservas na Copa. Senão, tenho certeza que a nossa história seria outra\".

Decisivo em 1994 - E foi mesmo. Em 1994, ambos formaram umas das maiores duplas de ataque da historia da seleção e levaram o Brasil ao tetracampeonato. Entretanto, demoraram a jogar juntos e isso só foi acontecer no último jogo das Eliminatórias, quando o Brasil precisava vencer o Uruguai para se classificar para a Copa.

Até então, o técnico Carlos Alberto Parreira não havia convocado Romário, que cometera indisciplina ao saber que não seria titular em um amistoso em Porto Alegre contra a Alemanha, em 1992.

\"Ele viria, já tínhamos dito isso. Mas foi criado um impasse contra a Alemanha e esperamos para convocá-lo. Mas sempre disse que ele iria para a Copa\", explicou Parreira, que, durante o tempo sem o Baixinho, teve que ouvir milhares de vezes os gritos nas ruas por sua convocação.

\"Eu sofri com isso, é claro que incomoda, porque tira a tranqüilidade do grupo, do treinador, não é agradável. Mas a coisa foi bem equacionada. Ele voltou contra o Uruguai e deu aquele show, fez dois gols, chegou com muita moral\", completou Parreira.

\"Depois na Copa ele foi artilheiro e melhor do Mundo. Só tenho a agradecer a tudo o que ele fez e representou. Pena que depois não jogou em 1998\", disse Parreira.

Fora em 1998 e 2002
Por sinal, o corte na Copa do Mundo da França é uma das grandes mágoas de Romário na carreira. Após sofrer um problema na coxa já na Europa, o Baixinho foi cortado pelo técnico Zagallo.

Revoltado, ao chegar no Brasil girou toda sua ira contra o treinador e seu auxiliar - Zico -, considerados por Romário como os responsáveis pelo corte. Na época, ao inaugurar um restaurante temático no Rio, fez desenhos irônicos dos dois nas portas dos banheiros e o caso foi parar na justiça.

\"Tenho algumas tristezas. As duas Copas que não disputei, em 1998 e 2002 [com Felipão], e as Olimpíadas [1996, também com Zagallo e 2000, com Luxemburgo]. Mas não guardo mágoa. Nem dos técnicos que não me levaram para essas competições. Cada um segue sua vida\", minimizou Romário.

Em 2002, o camisa 11 foi convocado pelo técnico Luis Felipe Scolari para um jogo contra o Uruguai pelas Eliminatórias da Copa e recebeu a faixa de capitão. Contudo, depois disso nunca mais foi \"lembrado\" e rumores indicaram que o Baixinho teria cometido indisciplina fora de campo.

Entretanto, a verdadeira história nunca veio à tona e, apesar do forte clamor popular, Felipão não se rendeu e não levou Romário.

\"Nunca fui unanimidade. Mas uma coisa que sempre me motivou a continuar nesta luta é o povo. O povo brasileiro sempre me apoiou e sou honrado de ter usado a camisa do Brasil\", completou o Baixinho.

Fonte: Pelé.Net