Cano volta a dar colo ao coração infantil que o marcou na chegada ao Vasco

29/01/2020 às 12h08 - CLUBE

Um dos milhões de corações infantis que fazem o Vasco imortal bateu mais forte no dia 6 de janeiro. E se imortalizou na memória de um candidato a ídolo vascaíno.

Em meio ao caldeirão que se criou no Galeão para receber o primeiro reforço para 2020, Germán Cano mirou o pequeno Enzo Gabriel, de 6 anos. A euforia da torcida e a proximidade do gringo fizeram lágrimas rolarem no rosto do menino, e Cano não pensou duas vezes: ofereceu colo à criança.
 

Vinte um dias depois, na última segunda, uma voz num inconfundível "portunhol" fez o pequeno - e acelerado - vascaíno se emocionar mais uma vez. Porém num lugar que Enzo jamais poderia imaginar estar: o CT do Almirante, onde o Vasco treina diariamente.

- "Enço"! "Enço" - gritou Cano.

 

Foto: Fred GomesGermán Cano, centroavante do Vasco, surpreende Enzo, o Almirantinho
Germán Cano, centroavante do Vasco, surpreende Enzo, o Almirantinho

Foi a senha para o ainda incrédulo Enzo se virar, pular no colo do argentino, enxugar uma lágrima e iniciar uma resenha de velhos amigos. O gringo, muito carinhoso, enfileirava elogios e perguntas. O garoto, atônito, respondia com frases curtas e sorriso.

- Como está? Tudo bem? Tranquilo? Feliz de estar aqui? Dá um abraço! Que lindo! - exclamou Cano.

- Quantos anos tem (6)? Com quem veio (mamãe)? Viu o gol que meti de cabeça (na vitória sobre o Boavista por 1 a 0, no último sábado): golaço ou mais ou menos?

- Golaço!

O papo continuou. Cano explicou por que a diretoria o trouxe ("Meti muitos gols, e o Vasco me contratou para meter muitos gols aqui)" e prometeu que daria uma camisa de jogo ao pequeno amigo. Porém vamos voltar ao início da história para contar os laços de Enzo com o Vasco e como a reportagem pregou uma peça na criança.
 

A busca por Enzo e a paixão umbilical pelo Vasco

Quatro dias após à animada chegada de Cano ao Rio de Janeiro, a missão era encontrar o menino. "Ótima essa foto, acha esse moleque que é a tua cara". Enzo nas redes sociais responde como @almirantinho - no Twitter - e @almirantepequeno - no Instagram.

Ao ler os perfis do garoto, a reportagem entrou em contato com a mãe, a fanática vascaína Fabiani Santana, de 24 anos. Foi possível entender a ligação umbilical com a Cruz de Malta: o coraçãozinho infantil de Enzo começou a bater pelo Vasco fora da barriga da mãe antes do previsto.

Nasceu em 12 de dezembro de 2013, na segunda metade do sexto mês de gestação de Fabiani, que fora internada quatro dias por ter passado mal com uma dura derrota do Vasco. A chegada prematura trouxe dificuldades, 18 dias na UTI, mas nenhuma sequela.
 

Os anos se passaram, Enzo passou a ter um problema respiratório crônico - hoje já superado - que lhe obrigava a seguidas internações. Em fevereiro do ano passado, mais uma demonstração de amor. Após receber alta em hospital próximo ao Maracanã, pediu à mãe para ir assistir à final da Taça Guanabara, contra o Fluminense. Aquela famosa pela polêmica dos lados das torcidas, que começou com os portões fechados e terminou com o Vasco campeão.


Da Maré ao CT do Almirante: a pegadinha do GE com Enzo

Tanto amor e a imagem que comoveu Germán Cano mereciam uma recompensa. O GloboEsporte.com foi à Favela da Maré, onde Enzo mora. A reportagem chegou às 12h45 em uma das saídas da comunidade. O garoto, acompanhado por Fabiani, surgiu em velocidade frenética.

Entrou no carro sabendo que faria um passeio, mas não sabia para onde. A reportagem começou a enrolar o pequeno: "Enzo, o Vasco vem selecionando crianças apaixonadas para conhecerem o CT, e você foi uma delas. O problema é que não vai dar para você estar com os jogadores".

Após quase hora, o carro chegou à porta do CT do Almirante. Reportagem e Fabiani foram para o lado de fora, e Enzo ficou com o motorista. Depois de aguardar muito, o moleque, que de bobo não tem nada, saiu e virou para a mãe:

- Vocês estão me escondendo alguma coisa!

Enzo foi para o campo, onde correu e conduziu a bola de uma baliza à outra de um dos campos do CT. A repórter Ana Helena Goebel fazia várias perguntas, e ele nem imaginava o que estava por vir.
 

Sentado sobre uma bola diante da trave, brincava com a produção enquanto outra parte da equipe ajustava o microfone no uniforme de Cano.

Poucos depois das 15h naquela ensolarada segunda-feira, chegou o momento do encontro. Orientado a não olhar para trás por muito tempo, Enzo foi perguntado sobre seu jogador preferido.

Repetiu por três vezes: "Germán Cano!". Até ser interrompido pelos gritos de "Enço, Enço!"
 

Bateram bola, comemoraram gols juntos, repetiram a foto do aeroporto e se despediram. Mais um dia inesquecível para Germán Cano e Enzo.

- Com Enzo foi algo que me comoveu e que recebi somente aqui. Nunca tive algo parecido como o que aconteceu com o Enzo. Ele ficou marcado.

- Sou sincero, me comoveu muito ver o Enzo chorar no aeroporto me esperando com a sua mãe. Eu o vi chorar e falei: "vem, vem, vem comigo", para tranquilizá-lo, dar um abraço e para que ele pudesse levar essa recordação. Me surpreendi muito na verdade, porque ele é muito pequeno. Foi o primeiro que vi mais destacado de toda a torcida. Ele me comoveu por todas as suas lágrimas, por isso lhe dei um abraço. Hoje estou feliz de tê-lo aqui e por conhecê-lo e sua mamãe.
 

Terminado o encontro, a declaração mais marcante que reportagem, mamãe e Germán Cano gostariam de ouvir.

- Mamãe, hoje foi o dia mais feliz da minha vida!

Fonte: Globoesporte.com