Centenário, Estadual do Rio não quer ser ilusão

16/01/2006 às 12h21 - FUTEBOL

No ano em que o Estadual do Rio de Janeiro completa 100 anos, a premissa é que a competição repita o sucesso de suas últimas duas edições, em que recebeu bons jogos e público. Contudo, apesar da fórmula de disputa ter sido mantida, o sucesso do torneio não é garantia de um ano confortável para os clubes cariocas no certame nacional.

Isso porque nas últimas temporadas ser campeão estadual não significa êxito no Campeonato Brasileiro. Em 2005, o Flu, vencedor, até fez bonito papel durante boa parte do certame nacional, mas perdeu fôlego na reta final e teve de se contentar apenas com a classificação para a Copa Sul-Americana.

Pior desempenho teve o Flamengo em 2004. Depois de ter sido a melhor equipe do Carioca e ter vencido a competição com sobras, o Rubro-Negro realizou pífia campanha no Brasileirão e só se livrou do rebaixamento na última rodada.

Paralelamente a isso, Botafogo e Vasco tampouco brilharam nacionalmente nesses anos e apenas lutaram para se manter na elite do futebol brasileiro.

Entretanto, apesar dos números provarem a decadência do futebol carioca em nível nacional - o último título brasileiro foi o do Vasco, em 2000 -, os protagonistas negam que a competição seja uma ilusão em relação ao que virá pela frente.

\"Não é uma ilusão. O lado técnico está preservado e as equipes são fortes. Só que hoje, infelizmente, existe uma tendência de puxar tudo o que há de bom para São Paulo e depreciar o resto\", defendeu-se o gerente do futebol rubro-negro, Isaias Tinoco.

\"Qualquer campeonato que tenha o Maracanã não pode ser desprezado. Se o Flamengo ganhar, será tão bonito e tão importante quanto qualquer outro título. Essa opinião não é só minha, mas de milhões de torcedores do Flamengo que querem muito gritar é campeão\", completou o técnico Valdir Espinosa.

Contudo, o discurso inflamado em defesa da técnica da competição não atinge os jogadores. Com clarividência em relação aos últimos fiascos dos times do Rio de Janeiro nas competições nacionais, os atletas sabem que ir bem no Estadual não garante um bom resto de ano.

\"É um campeonato [Estadual] muito importante e difícil, mas é uma preparação para o Brasileiro, para depois entramos bem no segundo semestre\", disse o meia Ramon, do Vasco.

Com opinião ainda mais contundente está o meia-atacante Fellype Gabriel, do Flamengo. Calejado pelo fato do seu time ter escapado do rebaixamento do Brasileiro na última rodadas dos dois últimos anos, o jogador não admite que atletas se contentem apenas com o título regional.

\"Ser campeão estadual é importante, mas não podemos achar que está bom. O Flamengo não conquista a Copa do Brasil ou o Brasileiro há muito tempo [desde 1992] e a torcida quer essas conquistas. Temos que ir por partes e não nos contentarmos apenas com o Estadual\", disse Fellype.

Fórmula simples ajuda
O principal fator para ter feito com que o Estadual do Rio tivesse êxito nos dois últimos anos foi a fórmula de disputa. Com as equipes dividias em dois grupos de seis, cada turno - Taça Guanabara e Taça Rio - torna-se emocionante e de tiro curto.

\"É o campeonato mais charmoso e com uma fórmula de disputa muito inteligente\", continuou elogiando Isaias Tinoco.

Para se chegar às semifinais do primeiro turno, cada time disputa apenas cinco partidas dentro da chave e os dois primeiros se classificam, enfrentando duas equipes do outro grupo. Depois, no returno, os grupos se enfrentam e após seis jogos as semifinais são disputadas.

Desta forma, pela tabela organizada pela Federação do Rio de Janeiro, a cada fim de semana - tirando o da primeira rodada - um clássico é disputado no Maracanã. Aliás, neste domingo, dia 22 de janeiro, Botafogo e Vasco reabrem o estádio, após nove meses de obras.

Fonte: Pelé.Net