Coelho fala sobre conselho consultivo, dívidas e reforços

01/07/2008 às 18h45 - CLUBE

O presidente do MUV (Movimento Unido Vascaíno), José Henrique Coelho, assessor especial da presidência na gestão de Roberto Dinamite, que tomará posse nesta terça-feira, fala sobre a nova diretoria do Vasco.

"A questão da diretoria, entendo que só cabe ao Roberto falar. Ela não foi anunciada ainda. Acho que isso é um predicado do presidente fazer esse anúncio. Vou declinar de dar essa resposta, porém, o que posso sinalizar para o vascaíno é que o Roberto já sabe o que está planejado. Ele já definiu uma série de disposições, que seguramente vão sinalizar a atenção que temos com o nosso time. Você faz o teu filho, neto vascaíno mostrando o passado e apontando para o futuro. É isso que estamos querendo, resgatar uma imagem dessa esperança. Os títulos hão de vir com o trabalho que vai ser iniciado a partir de amanhã", disse ao jornalista Wellington Campos, no programa "Bandeirantes Rio no Futebol", da Rádio Bandeirantes.

CONSELHO CONSULTIVO

"O Olavo [Monteiro de Carvalho] tem uma dupla função. Ele é o presidente da Assembléia Geral e também faz parte, é um membro importantíssimo de um coisa que a gente chama de Conselho Consultivo. Em uma empresa S/A existe um Conselho de Administração. O Vasco não é uma S/A, mas o Conselho Administrativo vamos querer modernizar. Vamos ter um Conselho Consultivo com vários empresários. O Olavo é, seguramente, um dos mais representativos empresários vascaínos do Brasil. Ele vai estar nesse Conselho junto com tantos outros empresários e executivos de grandes empresas, nacionais e internacionais. Vamos estar juntos ajudando o clube a soerguer financeiramente. Isso é uma coisa que o vascaíno tem que entender. Não há milagre. O que há é trabalho e seriedade. É isso que está se tentando fazer, de no futuro mais curto possível conseguirmos dar maior competitividade à nossa equipe, valorizar o nosso elenco, para dar condições do elenco se desenvolver, os juniores crescerem profissionalmente e ocuparem a nossa camisa no time titular. É essa a meta da administração do Roberto".

EURICO PRESIDENTE

"Acho que, infelizmente para todos nós, a administração do clube nesses últimos oito anos foi caótica. Você tratar de um número superior a R$ 260 milhões de dívida é um absurdo. A receita que o clube nesse período apresentou em balanço beirava os R$ 40 milhões. Estamos com mais de seis vezes o faturamento bruto do clube empenhado. É uma coisa inadmissível".

"Ele cresceu substancialmente porque a parte principal de clube hoje, e existe um nó, as dívidas cíveis que o Vasco possui são superiores às trabalhistas, ao contrário de outros clubes. As dívidas cíveis do Vasco são superiores às tributárias".

MAIORES DÍVIDAS

"A maior dívida individual do Vasco é com a Rede Globo de Televisão. É o maior credor, na faixa de R$ 56 milhões. Essa administração tratou disso nesse período, mais no início, no ano de 2001. O segundo credor vem a ser a empresa do atleta Romário, com um valor próximo de R$ 18 milhões. Aí se sucedem várias e enormes dívidas, principalmente advindas de rompimento de contratos. A Penalty é uma famosa marca brasileira de camisas, Kappa, Umbro. Todas essas empresas tiveram os seus contratos rescindidos unilateralmente, que foram se acumulando em dívidas. O Vasco é executado hoje, sofre penhoras, e pega um dinheiro de renda, bilheteria, algum patrocínio".

FALTA DE RECURSOS

"Todo esse tipo de situação vai estrangulando, mês a mês, ano a ano, a saúde do clube, ao ponto de perdermos a capacidade de reter qualquer jogador. Tivemos no ano passado três jogadores que levantaram o time e eram a espinha dorsal - Leandro [Amaral], Conca, e até a chegada do Perdigão, que veio no meio campeonato. O Vasco não conseguiu retê-los por condições normais. Conca saiu, Perdigão saiu, e Leandro voltou por causas dos imbróglios jurídicos. Comercialmente falando, ele declarou várias vezes \"Vou receber mais em outro lugar\" \"O Vasco não tem condições de me pagar e vou embora\"".

"Isso acontecerá ainda nesse período próximo, pela falta de condições de sustentabilidade do clube em manter qualquer atleta. Vamos supor que o Zezinho fosse uma revelação da casa, vai para o time profissional e faz um brilhante Campeonato Brasileiro. O Vasco não tem condições hoje de manter o Zezinho para o ano que vem, porque vai chegar qualquer outro clube nacional e fazer uma proposta para ele. Aí o Vasco estaria virando um time médio, daqueles tantos que existem, com muito orgulho por aí. Mas o Vasco não é um time médio. Ele anda para trás e tem que voltar a andar na frente. Esse é o principal problema que a gente tentou passar para o torcedor, até na própria campanha, de entender que nós, vascaínos, temos a responsabilidade de cobrar da direção do clube uma administração eficaz, ao máximo. É isso que vai garantir para o torcedor na arquibancada saber que, se aparecer uma revelação em qualquer clube brasileiro, da primeira ou segunda divisão, vou ter a capacidade de chegar lá, contratar aquele cara, me reforçar no início do ano e manter os que tenho. O Vasco hoje perdeu essa armação. Esse seguramente vai ser um passo que vamos trabalhar correndo para poder dar essa condição".

"E também buscar parceiros, para no prazo mais curto, com investidores, trazermos pessoas para reforçar o elenco, porque ele não está bem equilibrado".

ANUNCIAR ALGUMA CONTRATAÇÃO NA POSSE

"Não. Existe uma série de situações sendo analisadas. Eu diria que talvez a novidade da gestão do Roberto seja um pouco de serenidade. Vamos diminuir um pouco algum aspecto folclórico e circense que acompanhou a direção do Vasco nesses últimos anos, com anúncios retumbantes que nunca se confirmaram, criando expectativas que eram desfeitas dias, semanas depois. Trabalhar um pouco mais com serenidade e menos baralho, para quando você chegar poder ter a pessoa que vai nos ajudar dentro do futebol, no time e na direção. Esse tipo de situação tem que ser um pouco mais serena e menos alardeada. O Vasco sempre teve uma história de comerciantes participando da ajuda ao clube e dos Conselhos do clube. Um bom comerciante não avisa ao fornecedor que está muito interessado na sua mercadoria, porque senão o cara cobra mais caro. Vamos tentar usar essa tática de comércio, que vem dos primórdios do clube, de saber comercializar essa coisa bem feita, para conseguirmos melhores preços, bom produto e levar o Vasco de volta ao seu lugar na tabela. O nono nos é muito desconfortável".

CONTRATAÇÕES

"Deixo sempre por conta do Roberto Dinamite dar a palavra em relação a contratações. Vocês vão poder acompanhar a partir de amanhã os outros passos. Essas respostas caberão ao Roberto de dar. Mas vai ser uma coisa paulatina. As conversas vão acontecer. Quando for anunciado, vai ser a realidade. Não é, do nosso entendimento, positivo para o clube e torcedor. Pode dormir tranqüilo. O que vai ser feito é um trabalho de planejamento. O Roberto vai poder sempre dar essas respostas quando tiver um assunto negociado e concretizado".

Fonte: Vasco Expresso