Com descontos, Vasco é o mais prejudicado no novo modelo de cotas de TV

15/11/2018 às 08h15 - FUTEBOL

Com o novo modelo de distribuição da Globo, Corinthians e Flamengo aumentarão a vantagem nos seus ganhos com cotas de televisão do Brasileiro em relação aos rivais a partir de 2019. É o que mostra um estudo da Ernest & Young com o consultor Cesar Grafietti que estima quanto cada clube receberá no próximo ano. Há uma comparação na atual divisão do bolo com a futura.

Ao mudar a divisão de cotas, a Globo exaltou o fato de que adotava um modelo mais justo com contratos nas mesmas condições para todos os clubes. E isso vale para TV aberta e fechada (dividido com 40% igual, 30% por posição e 30% por exibição). Mas o pay-per-view e novos acordos de placas publicitárias vão render valores maiores aos dois clubes times mais populares, além de luvas – as placas estão fora do pacote da Globo.

O pay-per-view vai distribuir um mínimo de R$ 650 milhões pelo contrato previsto. E Flamengo e Corinthians vão ter um valor mínimo garantido que representa 18,5% desse total. Além disso, houve mudança de pesquisa do PPV que passará a ser por torcedor cadastrado e em todas as cidades, não só em capitais como antes.

Para se ter ideia, a projeção do estudo da Ernest & Young previu que, no melhor cenário com o time campeão, o Flamengo atinge cotas de R$ 327 milhões pelo Brasileiro-2019. No total, o clube ganharia R$ 147 milhões a mais do que na projeção de 2018 para qual foi considerada a posição do final o primeiro turno.

Já o Corinthians, em caso de título, teria um ganho total de R$ 271 milhões em 2019, isto é, R$ 91,5 milhões a mais do que na atual temporada. A diferença entre os dois é porque o Flamengo ainda tem parte das luvas para receber enquanto o Corinthians já pegou tudo, além de exibições na aberta.

Em comparação, o São Paulo, terceiro da fila, teria ganhos estimados de R$ 173,6 milhões em caso de ser campeão no Brasileiro-2019, um crescimento de R$ 38 milhões em relação à atual temporada. Seu contrato pode ser melhor comparado com os dois primeiros porque o clube já assinou tudo com a Globo. O estudo da Ernest & Young projetou o Palmeiras em faixa similar, mas o time não fechou com a emissora e, na TV fechada, tem contrato com a Turner. Então, o cenário alviverde é mais incerto.

“É isso mesmo (os dois vão ganhar mais). O modelo de aberta e fechada é mais justo. Mas o pay-per-view provoca um descolamento de Corinthians e Flamengo. Eles passam a ter percentuais mínimos garantidos e antes tinham percentuais abaixo disso. Ainda consideramos as placas”, contou o analista Cesar Grafietti, um dos que realizaram a análise. “(O novo modelo) É melhor para quem está em cima, e quem está embaixo, mas não para quem está no meio.”

Por no meio, leia-se clubes como Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Vasco (teoricamente Inter e Santos também, embora tenham acordos com a Turner). No caso dos três primeiros times, as projeções mostram que eles ganhariam menos em 2019 do que em 2018, caindo de R$ 108 milhões para R$ 100,6 milhões (sempre em caso de título).

O Vasco é mais prejudicado porque tem descontos de cotas antecipadas, então terá receitas menores. Já colorados e santistas aceitaram contratos com a Globo  de TV aberta e PPV com fatores redutores após fecharem com a Turner.

Também há previsão de queda de cota total para Fluminense e Botafogo. Em faixas mais abaixo do PPV, Bahia e Sport têm projeção de aumento de seus ganhos, assim como outros clubes abaixo deles.

Ressalte-se que essa é uma estimativa e os números podem variar com as pesquisas de pay-per-view e o número de jogos exibidos (a projeção foi feita em cima da audiência atual). Mas Grafietti disse que não haverá uma variação que dobre um valor. Para ele, o aumento de vantagem para Corinthians e Flamengo é certo.

No geral, os dois primeiros passariam a ganhar até nove vezes mais do que os últimos. Em ligas europeias, esse percentual é de 1,6 na Premier League, na Inglaterra.

Além da questão da mudança de distribuição, outro fator será a alteração do fluxo de dinheiro pago pela Globo, bem mais concentrado no segundo semestre do que no primeiro. O blog já tratou do assunto no final do ano passado quando mostrou que os clubes teriam de se adaptar.

Como exemplo, o Corinthians passará os quatro primeiros meses do ano ganhando R$ 3,9 milhões em cada parcela, enquanto ganhava R$ 15 milhões durante o ano de 2018. Em compensação, os pagamentos crescem para algo em torno de R$ 30 milhões a partir de maio com valores a receber por exibição e atingem o máximo no final do ano com a premiação por posição.

“Os clubes vão ter que adaptar seu fluxo de caixa no ano que vem porque no primeiro semestre vão ter bastante dificuldade”, explicou o analista da Ernest & Young Pedro Daniel.

Todo esse cenário, lembre-se, leva em conta que a Globo consiga fechar os contratos de pay-per-view e TV aberta com os clubes que faltam, Bahia, Atlético-PR e Palmeiras. Sem eles, o pacote será afetado o que pode ter impacto para todos os clubes. Além disso, há uma disputa de times como Santos e Inter com a Turner relacionado ao contrato de TV fechada.

Fonte: Blog do Rodrigo Mattos - UOL Esportes

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