Um time dirigido por Fernando Diniz não vence o do Botafogo há quase quatro anos ou dez jogos - quatro pelo Vasco, seis pelo Fluminense. A última foi no 1 a 0 dos tricolores em junho de 2022. Retrospecto que não o ajuda. Diniz tem 40,4% de aproveitamento em 69 jogos dessa atual passagem pelo Vasco, e a campanha por sua saída do clube já invadiu as redes sociais. Não é exagero, portanto, dizer que ele é quem mais precisa do resultado positivo no clássico carioca desta noite, em São Januário.
Um exagero, insisto, se levado em consideração o inicio antecipado da temporada, a perda das duas principais referências ofensivas do time em 2024 e o pouco entrosamento dos colombianos contratados para remontar o sistema. Diniz está sofrendo como Tite, que tem 37,5% em oito jogos pelo Cruzeiro; Vojvoda, com 29,1% no Santos; e até Filipe Luís, que tinha 26,1% em cinco jogos com os titulares do Flamengo. Alias, com 45,8%, Crespo fecha a lista dos cinco treinadores com menos de 50% neste inicio de temporada.
Diniz é criticado pela fragilidade defensiva do time - e nisso a torcida tem razão. Em 2025, o Vasco dele sofreu 63 gols em 42 partidas, repetindo a média de 1,50 aferida nos 12 jogos de sua passagem pelo clube, em 2021, na pífia campanha na Série B. A tal polêmica em torno da saída de bola com toques curtos é só um pano de fundo. O que o torcida não tolera mais é ver o Vasco sem estratégia competitiva eficaz. A falta de sustentação no meio na reta final do 1 a 1 com a Chape, quinta-feira (5), em São Januário, é um bom exemplo.
O problema (e aí eu divirjo de boa parte dos torcedores!) é falar em trocar o treinador com a disputa de menos de 10% dos jogos da temporada. Isso é um exagero. A cobrança precisa existir até para sabermos se Diniz tem comando ou se ele, o diretor Felipe Loureiro e o presidente Pedro Paulo fazem parte de uma confraria. Acho um equivoco abrir mão de um técnico que desenvolve jogador para apostar num “resultadista” sem garantia de sucesso. Mas admito que o trabalho de Diniz precisa gerar resultados positivos.
Agora vejam vocês: o técnico vascaíno só venceu o Botafogo duas vezes em 17 confrontos - um com o São Paulo, outra com o Fluminense. E terá pela frente hoje um Alvinegro que, nas mãos de Martín Anselmi, é mais competitivo do que aquele dos empates pela Copa do Brasil, no ano passado.
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