Diga-me quem és e eu lhe direi para quem torces, acorda Vascão

04/03/2007 às 11h33 - TORCIDA

É louvável o fato de clubes como o São Paulo, Internacional e mais recentemente o Grêmio estarem implementando estratégias para angariar um maior número de sócios-torcedores e, assim, contarem com uma fonte de receita fixa todo mês.

O Grêmio, por exemplo, pretende alcançar a marca de 100.000 sócios em dia. Realmente, uma iniciativa louvável enfim. Mas, e os outros milhões de torcedores que não se tornarão sócios e/ou muito menos pagarão uma mensalidade fixa? O que fazer com eles? Como fazer para chegar até eles sem que os mesmos tenham um “vínculo” com o clube?

É preciso que os clubes brasileiros, principalmente os considerados “grandes”, enxerguem além dos 20, 50 ou 100 mil sócio-torcedores. Será que os clubes sabem quantos deles são homens? Quantas mulheres há nesse universo? Qual a faixa etária deles? Quantos filhos esses torcedores têm? Qual a faixa salarial deles? O que fazem antes dos jogos, se reúnem com amigos num bar? E depois, voltam direto para casa para postar no fórum de torcedores de seu clube informando como foi o jogo? Com que frequência eles vão aos jogos? Quantos têm acesso à Internet? Enfim, essas são algumas simples questões que poderiam ajudar bastante os clubes a tomar decisões mais acertadas ao lançar ou inaugurar um produto ou serviço para oferecer a seus torcedores, consequentemente aumentando suas receitas e diminuindo os riscos de uma crise financeira.

Os clubes precisam, o quanto antes, conhecer seus torcedores e tratá-los como verdadeiros clientes. Essa, talvez, seja uma das saídas para que os clubes não permaneçam como reféns das cotas de transmissão da TV ou Timemanias da vida.

Torcedores não devem e não podem ser tratados como um grupo totalmente homogêneo. Pessoas consomem produtos e serviços em diferentes lugares, em horas diferentes e por diferentes razões. E no futebol essa premissa não é diferente. Cada torcedor possui sua peculiaridade, torce de uma maneira diferente, consome souvenirs e diferentes produtos oficiais. Há os fanáticos, há os que só acompanham o time quando o mesmo está numa boa fase e há os torcedores casuais, que vão ao estádio ou vêem um jogo por convite de terceiros. Ratificando, cabe aos clubes identificar cada um desses diferentes tipos de torcedor e oferecer-lhes o mais adequado produto ou serviço.

No próprio Depto de Marketing dos clubes ou através de uma empresa especializada seria possível realizar esse trabalho, onde dados poderiam ser armazenados e consequentemente cruzados, gerando informações essenciais para que toda uma estratégia de marketing pudesse ser implementada, evitando, assim, que clubes fiquem estáticos no meio do mercado.

Então, por que não aproveitar um dia de “casa cheia” num grande clássico e distribuir formulários de pesquisa e uma canetinha do clube que ficaria como brinde para o torcedor?

Fonte: Cidade do Futebol