E agora, Eurico? Seguranças do Vasco são acusados de atirar na torcida (víde

26/02/2007 às 10h23 - TORCIDA

Quatro pessoas foram baleadas, ontem à tarde, em frente ao portão principal do Estádio de São Januário, sede do Vasco da Gama, em São Cristóvão.

Em depoimento à 17ª DP (São Cristóvão), testemunhas acusaram seguranças do clube de terem disparado os tiros. A ação seria uma represália a um protesto organizado pela torcida Ira Jovem do Vasco, que jogou bombas caseiras e pedras contra o estádio, para reclamar da redução do número de ingressos doados pelo clube.

Entre os feridos está a vendedora ambulante Lucilene de Souza Sepúlveda, de 35 anos, atingida no braço esquerdo, que mora na Barreira do Vasco e estava trabalhando quando houve os disparos. Os outros baleados são o baiano Anderson Clayton de Lima, de 22, conhecido como Mineiro, ferido na barriga, e os vascaínos Hugo Fernandes de Oliveira, de 21, baleado no ombro, e Anderson Barbosa Rocha, de 29 anos, atingido na cabeça.

Polícia espera chefe da segurança para depor

Anderson, internado em estado grave no Hospital Souza Aguiar, foi socorrido pelo irmão, o também vascaíno Wilson Barbosa da Rocha.

— Somos integrantes da Ira e fomos ao estádio buscar os ingressos.

Mas os seguranças começaram a dar tiros de dentro para fora — contou Wilson.

O delegado adjunto da 18aDP (Praça da Bandeira), Rodrigo Martiniano, responsável pela central de flagrantes, disse que a polícia vai investigar a participação de funcionários do Vasco no crime. Até o fim da noite de ontem, o chefe da segurança do clube, conhecido como Tubarão, estava sendo esperado para prestar depoimento.

— Dois funcionários do Vasco disseram que houve uma briga de torcidas, mas as testemunhas são unânimes em afirmar que os tiros partiram de lá — afirmou o delegado.

Ontem à noite, peritos recolheram quatro cápsulas de pistola calibre 380 e amostras de sangue em frente ao portão principal do estádio.

Crianças recolhem cápsulas espalhadas pela rua

O trabalho da perícia, porém, pode ser prejudicado devido à demora de mais de quatro horas entre o horário dos disparos (às 15h15m) e o momento da chegada ao local (às19h30m). Durante toda a tarde, dezenas de crianças e moradores da Barreira do Vasco divertiam-se
recolhendo as cápsulas espalhadas pela rua.

Em sua maioria, eram de pistolas do mesmo calibre das encontradas pela perícia.

Clique aqui para ver a matéria sobre a violência em São Januário, exibida no Bom Dia Brasil, da TV Globo.

Fonte: O Globo