Enquanto São Januário vai a leilão, Eurico freqüenta o alto luxo da Flórida

29/08/2007 às 12h51 - IMPRENSA

O topo do mundo é um luxo

A crise dos financiamentos imobiliários de alto risco nos Estados Unidos abalou as bolsas e deu um susto no mundo, mas passou longe do mercado de mansões milionárias da Flórida

Nilo Dante, especial para O DIA

PALM BEACH, FLÓRIDA - Nos domínios da vida cintilante, consumo sofisticado e boemia chique, a jornada na Flórida é infinita. O melhor dos sonhos de luxo está aqui. De Miami Beach a Palm Beach, o balneário mais rico do planeta está presente em condomínios e mansões estonteantes, como a que estão construindo em um terreno de praia que custou — só o terreno! — 41 milhões de dólares.

No comércio de Worth Avenue e arredores, concentra-se o maior número de Rolls Royce, Bentley, Bugatti, Ferrari e Maserati do mundo. Mercedes Benz, só as de encomenda, acima de US$ 300 mil. Ali se compra, com naturalidade, a bolsa Grace (homenagem da casa Hermés a Grace Kelly) por US$5.600 ou, de crocodilo, por US$13.600. Na loja ao lado, um terno do Mario Caraceni não custa menos de US$ 5 mil. Adiante, um candelabro de cristal Baccarat com sua dúzia e meia de lâmpadas sai por US$ 38 mil. E um piano Steinway & Sons por US$ 99 mil, em ébano, ou US$ 163 mil, para quem preferir ‘rosewood’.

À noite, a vida é mais leve com caviar e temperos do Taboo, do Bice e do Café Europe, sob cascatas inesgotáveis de Crystal, Dom Perignon, Cheval Blanc, Chateau D’Ykem. Haja bala na agulha. Mas pode-se esbarrar com Julia Roberts, Donald Trump, Tom Hanks, David Caruso. Já é alguma coisa...

Por tudo isso e muito mais, a Flórida se acha na rota dos grandes aventureiros. Assim tem sido desde que o legendário Ponce de Leon percorreu a península, no Século XVI, à procura da Fonte da Juventude Eterna, que ele chamava Eldorado.

O admirável navegador espanhol foi precursor de uma procissão sem fim. Todos têm algum eldorado a tentar na Flórida. Desde os grandes milionários, atraídos pelas delícias do topo do mundo, até os imigrantes de Governador Valadares, atrás das migalhas do banquete.

Americanos ricos e velhos descem de Nova Iorque por mais 10 anos de vida na Flórida. Aqui também aportam criminosos célebres como O.J. Simpson. E astros de Hollywood: de Silvester Stallone a Burt Reynolds, de David Caruso a John Travolta, que mora um pouco ao norte e estaciona um Boeing 737 na porta de casa. Fora craques dos esportes, como Pete Sampras, as irmãs Williams e Tiger Woods. Há pouco, Celine Dion recebeu uma proposta irrecusável e se mandou para Las Vegas, passando adiante sua mansão de 74 cômodos. Woods arrematou um casarão ao lado, onde encosta nos fundos o novo iate de 150 pés. Também andam por aqui empresários brasileiros bem sucedidos, como Sílvio Santos, Eugênio Staub, Eike Baptista, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, e outros.

A Flórida é o eldorado dos barões da cocaína e de campeões latino-americanos da gatunagem governamental, como o nosso muito conhecido juiz Lalau. Desses, a procissão também não tem fim.

Até o terrorista Muhamad Ata veio para cá. Pacato habitante da cidadezinha de Vero Beach, no aeroclube local aprendeu a pilotar o avião que explodiu contra as Torres Gêmeas no 9/11. Seu eldorado, soube-se mais tarde, eram as 75 virgens que estariam à sua espera, depois que Alá o recebesse no portal do paraíso.

A Flórida que pouco se conhece

A Flórida é a quarta economia dos Estados Unidos, com um PIB de US$ 700 bilhões. É o estado que mais cresce e o que cria mais empregos. Aqui se encontra a maior cidade do País, Jacksonville, que bate Los Angeles, Nova Iorque e Chicago em extensão territorial.

Os habitantes da Península se orgulham disso, assim como dos 30 mil lagos que existem no estado. Do único museu do mundo dedicado a Salvador Dali. Das inumeráveis ilhas, istmos, promontórios, enseadas, baías, praias sem fim, braços de mar e canais que enriquecem o Atlântico com pesqueiros inesgotáveis, adubados pelo Gulf Stream. Do mar do verão, que mais parece um lago e permite ir-se à Grande Bahama em um barquinho de 24 pés, e com peixe grande no caminho. Mas, em matéria de orgulho local, nada se compara a Saint Augustine, a cidade mais antiga dos Estados Unidos, fundada no Século XVI pelos navegadores espanhóis do citado Ponce de Leon, que conquistaram a Flórida para os Reis de Castela.

Fonte: O Dia