Especial do GE conta história de torcedor vascaíno vítima de Covid-19

12/06/2020 às 14h55 - TORCIDA

Seu Eduardo era um taxista português de sotaque carregado. Fez do Brasil sua pátria. Do Rio, seu lar. E do Vasco uma ponte com sua história.

Um heroico português. Herói mesmo. Como esquecer aquela tarde em 1994, em meio a uma confusão generalizada em São Januário? Era Vasco x Santos, ninguém entendeu ao certo o que aconteceu. Mas, para proteger os filhos, colocou-se como uma parede na frente de um alambrado.

O filho, também Eduardo, e a filha, Luci, aprenderam com o pai a carregar a cruz de malta. Era quase uma aula de pai para filhos sobre as origens.

Um herói que também tinha seus heróis. Roberto Dinamite foi seu preferido por décadas. Poderia dormir e sonhar todos os dias no lençol no Osmar. Aquele gol histórico de 1976.

Aliás, teve a sensação de um gol no último minuto quando conseguiu um autógrafo do artilheiro para o filho.

Que sorte a família teve de ver, junta, aquele Vasco vencedor, avassalador no fim dos anos 90. Na vitória do Vasco sobre o River Plate, a sala de casa se tornou um caldeirão. E Seu Eduardo comandava a festa.

Era exigente, às vezes pegava no pé até dos jogadores que muito fizeram pelo clube. Edmundo que o diga! Foi pauta de intermináveis discussões entre pai e filho. Na disputa entre estrelas do time dos anos 90, Eduardo filho ficou do lado de Edmundo. E Eduardo pai preferiu Romário!

E do Baixinho, a melhor lembrança foi do dia em que saiu buzinando seu táxi amarelo pela vizinhança já de madrugada. Que time conseguiria uma virada após estar perdendo por 3 a 0 uma final da casa do adversário? O Vasco do Seu Eduardo fez. Era difícil vê-lo desistindo de algo.

Quando o terceiro gol saiu, os filhos foram dormir. Mas ele continuou firme e forte no sofá. E acordou todos - inclusive a vizinhança que torcia contra - no final. Quando tudo parecia distante, o Vasco unia todo mundo.

Um legado de pai, para filhos e agora para a neta. A neta é o legado de uma nova geração vascaína. Quando Fernanda nasceu, o vovô chegou chegou com os olhos marejados na maternidade. O primeiro presente, um uniforme completo do seu Vasco.

Parecia sentir que tinha que deixar algo a mais. Fernanda já ganhou dele o uniforme para quando tiver seis anos. E, se depender das lembranças deixadas por esse amor, o Vasco seguirá sendo imortal.

Relato escrito através do depoimento do filho Eduardo

Foto: Arquivo Pessoal/ReproduçãoSeu Eduardo, em seus tempos de Maracanã
Seu Eduardo, em seus tempos de Maracanã

Fonte: ge