Fred Lopes contestou venda de Paulinho, balanço e transparência em coletiva

07/05/2018 às 16h21 - CLUBE

Após as renúncias em massa dos 12 vice-presidentes no último sábado (05), e a exoneração de Fred Lopes, ex-VP de futebol do Vasco, nove dos 12 que renunciaram seus cargos concederam entrevista coletiva nesta segunda-feira (05). Todos são ligados ao grupo Identidade Vasco, liderado por Roberto Monteiro, que é presidente do Conselho Deliberativo, e três deles falaram com a imprensa presente. O principal alvo foi a falta de transparência do presidente Alexandre Campello. Assuntos como a venda de Paulinho, "ingerência" das pastas e nebulosidade nas contas do clube pautaram a reunião. Confira: 

FRED LOPES, EX-VP DE FUTEBOL

"Viemos aqui prestar esclarecimentos que motivaram nossa saída da gestão administrativa. Quero agradecer à comissão técnica, ao Zé Ricardo, a todos os jogadores. Fui um dos que convenceram o Campello a aceitar a candidatura dele à presidência. Não esperava essa mudança de conduta entre o tempo de campanha e o da gestão. Os motivos são claros: a ingerência na construção dos profissionais que trabalhavam no departamento de futebol. Eu só contratei o Carlos Brazil para a base e trouxe o Bruno Carvalho, que não é remunerado. Pelaipe foi indicado pelo Carlos Leite. Newton Drummond indicado pelo Rodrigo Caetano. Os supervisores foram indicados pelo Campello. Nada contra os profissionais, mas foi o momento que vi que o discurso era um, a prática era outra. Com a saída do Rodrigo Caetano do Flamengo, começou a pressão para que houvesse a mudança na parada para a Copa do Mundo".


​PRESSÃO POR RODRIGO CAETANO

"Não tenho nada contra os profissionais. Tivemos uma relação saudável. Mas o discurso era um. A prática era outro (em relação a Campello). Num determinado momento, começou a pressão pelo Rodrigo Caetano. Todas as negociações foram feitas com conhecimento do presidente. Não aceito que o presidente escolha o executivo de futebol". 

A 'CAIXA PRETA' DA VENDA DE PAULINHO

"Não tratei vez alguma sobre a venda com o presidente. Ele me ligou e disse que tinha proposta, mas não quis dizer o clube. Ele disse: Temos uma proposta e estou pensando em vender por 20 milhões de euros e 15% dos direitos. O tempo passou, nenhuma reunião nem com o empresário. Depois, ele me ligou e avisou que ia vender. Perguntei a condição, e ele disse que seria 20 milhões de euros e participação de 10% dos direitos. Ele me pediu que comunicasse ao Roberto Monteiro, presidente do Conselho Deliberativo. Ele respondeu dizendo que não concordava com os números. Todos nós. Eu, Pelaipe, todos... Ficamos sabendo da entrevista coletiva sobre a venda do Paulinho pelo Wellington Campos, da Tupi. Como convoca coletiva sem o futebol saber? Na coletiva, fiquei sabendo que seria 18 milhões de euros, e que o Vasco tinha 90% do Paulinho. Estranhamente, a pasta sobre o Paulinho sumiu dos arquivos do Vasco". 

VICE DE FINANÇAS NÃO SABIA DE NADA

"O vice de finanças, Orlando Marques, não sabia de nada. No dia da reunião da Lagoa, entraram R$ 6, 7 milhões nos cofres do Vasco, e a gente nem sabia a origem do dinheiro. Não está atendendo atletas, empresários cobrando atrasados. Demos a cara à tapa. Ninguém sabe a forma de pagamento da venda do Paulinho. Onde está o dinheiro? Por que não foi pago dezembro, 13º, férias, as imagens de alguns atletas?

Por que a venda do Paulinho foi uma caixa-preta? Não se trata uma venda dessa em duas ligações. Na primeira, disse que seria 20 milhões de euros e 15% para o Vasco. Depois, 20 milhões e 10%. Fui surpreendido pela coletiva, e foi exposto um número diferente. O que era 70% virou 90%". 

"Não tenho informação nenhuma da venda do Paulinho. Ouvi no microfone que o Vasco venderia 90% dos direitos do Paulinho, o que me surpreende. Até onde sei, o Vasco tinha 70% dos direitos do Paulinho. O Vasco deve R$ 7 milhões de salários. Não foi utilizado para pagar isso, nem comissionamento, nem imagem. As pessoas sabem da venda do Paulinho e perguntam do pagamento. E eu não tenho resposta para dar". 

IMPEACHMENT

"Talvez oposição (esteja falando sobre). Ninguém está falando em impeachment. Estamos falando da saída da gestão por não concordar. Ninguém falou. Não li nenhuma frase dos membros do grupo. Isso não está nos planos, não foi discutido". 

NECESSIDADE DE TRANSPARÊNCIA 

"Não há dúvida (vão investigar o que estão questionando). Todos os casos levantados tem que ser apurados. Como conselheiros, precisamos acompanhar e cobrar que essa transparência apareça. É uma irresponsabilidade tratar de impeachment. Só se trata disso quando se prova irregularidade. O Vasco contratou quatro empresas renomadas para a auditoria. Zero problema com isso. O problema está na condução, em contratar quatro empresas e não ter informação.

Por que esses contratos (com as empresas de auditoria) não estão no financeiro? Até sexta-feira não estavam. Nós vamos atrás da transparência até o final. Se é pregado o discurso de transparência, ele tem que ir até o fim. Tem que ir para a prática. O departamento de finanças não saber o dinheiro do clube não é transparente"

EX-VP DE FINANÇAS DIZ QUE NÃO SABIA DE ONDE SURGIA DINHEIRO 

BALANÇO

"O marco do oceano que entornou o copo: ele me chamou na quinta para se explicar, que estava sendo perseguido, era uma questão política, disse: "Você sabe muito bem que estamos fazendo o balanço". Eu disse: "Não recebi balanço nenhum. Não recebi um documento". Quando falei que não havia recebido o documento nem o balanço, Campello respondeu: "Você procura na Internet". (...) Até hoje o balanço não está auditado", disse Orlando Marques. 


​'DINHEIRO BOM AÍ'

"Até hoje não recebi o contrato do Paulinho. Não sei por quanto foi vendido, a forma de transação. Não sei se entrou dinheiro ou não. Não sei nada. Sobre o Douglas (volante) também não se sabe nada. Ele falava: "Não se preocupe, vai entrar um dinheiro bom aí". E aparecia: R$ 6 milhões, R$ 9 milhões", finalizou Orlando Marques. 

Fonte: Twitter do jornalista Lucas Pedrosa - Esporte Interativo

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