Funcionário do Vasco acusado de envolvimento com cambistas no Maracanã

26/03/2008 às 09h28 - POLÍTICA

O presidente do MUV (Movimento Unido Vascaíno), José Henrique Coelho, falou sobre uma queixa registrada relacionada à venda de ingressos para o clássico entre Vasco e Fluminense, no último domingo (23/03), no Maracanã, pela quinta rodada da Taça Rio, segundo turno do Campeonato Estadual de 2008.

De acordo com Coelho, o ex-jogador de vôlei Fernandão, que foi atleta do Vasco e é membro do MUV, prestou queixa no JECRIM (Juizado Especial Criminal) alegando ter adquirido ingressos através de um cambista, que, segundo a denúncia feita, teriam sido repassados por Luiz Brasília, técnico das divisões de base do basquete do Vasco, por dentro de um guichê de uma bilheteria do Estádio Jornalista Mário Filho.

"Vou mandar a nota zero para um jogador de basquete conhecido, que já vestiu a nossa camisa, mas que merece hoje uma nota zero, que é o Sr. Luiz Brasília, que todos conhecem pelo seu trabalho desenvolvido no basquete brasileiro. Ele foi um dos agentes acusados e indiciados em uma queixa dada no domingo no JECRIM do Estádio do Maracanã, da entrega, pela bilheteria do Maracanã - jamais imaginei que tivessem tamanha cara de pau e ousadia disso. O Sr. Luiz Brasília foi visto e denunciado entregando um maço de ingressos por uma bilheteria vazia, lateral às que estavam ocupadas pelos bilheteiros, para um laranja, vendedor de ingressos naquela praça entre a UERJ e a passarela. Um absurdo isso", disse ao programa "Só dá Vasco", veiculado na Rádio Bandeirantes.

"O lado lamentável do que aconteceu no Maracanã domingo, pouquíssimas pessoas puderam ver. Na compra dos ingressos, na bilheteria de frente para a UERJ, ao lado da passarela, aconteceu um fato lamentável. Já estamos até acostumados a ver cambistas em todos os estádios. Em São Januário acontece sempre. Ao lado da bilheteria em São Januário tem um vendedor ambulante de ingressos. Isso já estamos acostumados, todos sabemos. Só nunca vimos foram os ingressos saírem pela bilheteria para a mão do cambista e o cambista vender para você, e aí você reconhecer quem está dentro da bilheteria. Isso aconteceu no jogo. Antes de 17:30, um sócio do Vasco, atleta conhecido, que é o Fernandão do vôlei, no domingo de Páscoa foi ao jogo com os seus três filhos comprar os ingressos, chegou nesse horário e se colocou em uma fila para comprar. A última bilheteria daquele guichê que todos conhecem estava sem fila. Em um certo momento, apareceu um movimento de pessoas. Ele vendo aquilo ali, se dirigiu para comprar ingresso naquela bilheteria, no que ele foi abordado por uma pessoa do lado de fora da bilheteria, ao lado das filas, perguntando se ele queria ingresso, porque os ingressos já tinham acabado. Ele olhando para as filas, \"Não é possível, acabou os ingressos?\". \"Não, ingresso de meia não tem mais, acabou\". \"Estou com três crianças e as minhas crianças pagam meia\". \"Lhe vendo os quatro ingressos por R$ 100\". \"R$ 100? Mas como que é R$ 100?\". Aí tentou negociar alguma coisa e nesse momento aparece em um guichê por dentro da bilheteria do Maracanã o Sr. Luiz Brasília, treinador das divisões de base do basquete, ex-jogador do Vasco, hoje assistente da diretoria administrativa, trabalha para o Vasco, e passou pelo guichê do Maracanã uma mão cheia de ingressos. Vamos supor que ali caibam 80 ingressos. Passou para esse cambista na frente do Fernandão. Deu os quatro para o Fernando, que pagou os R$ 100 combinados, e foi embora vender os outros. Isso na própria bilheteria, e um funcionário do Vasco que fez essa entrega. Ao final do jogo, o Fernando se dirigiu ao JECRIM, registrou queixa. O Luiz Brasília foi convocado, e eis que aparece o assessor do presidente [Eurico Miranda] com uns telefones, ligando para fulano, beltrano, sicrano, tentando justificar. \"Mas o borderô fechou\". \"Está querendo enganar quem? O juiz? O borderô fecha sempre, com qualquer conta. Você não estava numerando o número dos ingressos\". Um absurdo. É isso que estão fazendo com o nosso Vasco, pegando os ingressos, passando para fora, vendendo por preços adulterados, fazendo negócio com cambistas. É isso tipo de questão que faz com que eles tenham motivação de querer ficar mais uma semana, um próximo jogo. A diretoria do Vasco luta por cada semana passar mais um ou dois jogos, porque é sempre alguma coisa que acontece aos interesses dela e não aos dos vascaínos", completou ao final do programa.

Fonte: Vasco Expresso