Futmesa: Conheça Bruno Romar, atleta do Vasco

29/04/2020 às 08h46 - OUTROS ESPORTES

O entrevistado de hoje é o Bruno Romar, Diretor Jurídico da Federação de Futebol de Mesa do Estado do Rio de Janeiro (FEFUMERJ), atleta do Vasco da Gama e, junto com o Ronald Neri, grande difusor da modalidade Dadinho pelo território nacional

José Carlos – Como foi seu contato com o futebol de botão na infância?
Bruno Romar –  Meu contato na infância se deu através do meu irmão mais velho quando ainda éramos crianças em Brasília (DF), cidade onde nasci e passei boa parte da infância. Depois comecei a jogar com ele nos torneios na quadra onde morávamos na Asa Sul e fui aprendendo cada vez mais. Quando mudamos para o Rio de Janeiro, ainda crianças, jogávamos com as outras crianças do prédio onde morávamos no bairro do Flamengo.

José Carlos – E a sua passagem para o jogo oficial?
Bruno Romar – Nos anos de 2000/2001 conheci o José Alexandre, do Fluminense, que tinha uma estrutura nos domingos no bairro do Grajaú e tinha uma associação, a Botão Mania. Ele foi o meu mentor no meu retorno ao esporte, um amigo que tenho o maior carinho e consideração até hoje. Pouco depois, o próprio Alexandre, me recomendou que também fosse jogar no Clube dos Sargentos no Rocha, onde conheci o Tavares, um professor que ganhei para a vida toda, dentro e fora das mesas, e conheci um dos meus grandes amigos da vida, o Wagner Esmério, que na época era o Diretor da Modalidade Dadinho na FEFUMERJ. Aí, minha passagem para o jogo oficial, como federado, foi bem rápida.

José Carlos – Quais foram os adversários mais difíceis que você já enfrentou?
Bruno Romar –  Ah, nesses quase 20 anos foram vários, difícil citar um só! E o bom é que a maioria ainda permanece atuando. Posso citar o Jefferson (CEPE-SP), o Gatto (Flamengo), o Brayner (Vasco), o Victor Praça e o Régis (America), o Paulinho (CAESO-DF), Paulinho (Fluminense), André Santos (River), Wellington (Flamengo), Colla (Futrica-MG), Augusto Neto, Dani, Thiago Camarões, Alan e outros que não me lembrei agora. Porém o meu clássico mesmo, contra quem mais gosto de jogar contra e vencer, num jogo que sempre é equilibrado e difícil se chama Ronald Neri, do Flamengo. Apesar de nossa amizade de vários anos, tendo ele como um irmão, meu rival sempre foi ele, é o mais difícil pra mim, pelo craque que ele é e por essa rivalidade que temos há mais de 15 anos mas que, importante dizer, JAMAIS afetou nossa amizade, tanto que a esposa dele é a madrinha do meu filho. Para mim ele é o mais difícil (um cracaço absoluto) mas não posso deixar de citar os outros acima também.

José Carlos – Qual a sua partida mais marcante e o seu gol mais bonito?
Bruno Romar –  As mais marcantes foram duas, a final da Copa do Brasil de 2015 contra o Brayner, que ganhei por 3×2 e as quartas de final da Copa do Brasil de 2016, quando ganhei do Victor Praça também de 3×2 no último chute. Nesse jogo, ele tinha a vantagem do empate, vinha de uma campanha avassaladora (nunca tinha visto alguém fazer uma campanha igual a dele, acho que só tinha empatado um jogo) e venci no finalzinho, fiz o gol e não deu tempo de dar a saída. Os gol mais bonito que fiz é difícil lembrar mas teve um gol contra o Alexandre Aires na Copa do Brasil de 2015, que fiz do meio de campo, quase na linha lateral, no ângulo, nas quartas de final da Copa do Brasil de 2015 também, naquele gol sabia que ia chegar longe no campeonato, foi um golaço!!!

José Carlos – Você já conquistou vários títulos, tanto por equipes como individualmente. No âmbito puramente esportivo você tem ainda objetivos a alcançar?
Bruno Romar – Lógico que temos, senão a gente tem que parar de jogar como federado kkkk Bom, tenho alguns ainda, em torneios individuais, gostaria de ganhar um Campeonato Brasileiro Individual já que minha melhor posição foi um terceiro lugar. Além disso, penso em jogar um ano em São Paulo, federado por lá e talvez com o meu amigo Luiz Colla, um ano em Minas Gerais, retribuindo a gentileza dele ter vindo jogar um no aqui no Rio comigo, pelo Flamengo. Esses são os projetos que ainda tenho em mente!!!

Nos torneios de equipes, quero muito ganhar um Brasileiro de Equipes pelo Vasco da Gama já que a melhor colocação do clube foi um segundo lugar quando estava lá e, ainda, quero ter a honra de jogar e ganhar um título pelo Botafogo, o único dos quatro grandes do Rio que ainda não joguei. Pelo Vasco da Gama, Flamengo e Fluminense ganhei títulos individuais e de equipes e isso me deixa muito honrado. Queria ter essa oportunidade, um dia, pelo Botafogo mas ainda não sei quando, é só uma idéia.

José Carlos – A modalidade Dadinho é, sem nenhuma dúvida, um sucesso. Qual o motivo?
Bruno Romar – Porque é a mais fácil de se iniciar, não digo aprender porque existe uma diferença, além de ser um jogo dinâmico que todo mundo consegue jogar razoavelmente, num espaço de tempo menor em comparação com outras modalidades. Assim o início para todo botonista que começa no dadinho é mais tranquilo, é bem democrático. Além disso, acho que os botões do dadinho, com todo respeito as outras modalidades, são os mais bonitos e mais bem trabalhados na maioria das vezes, dão muita visibilidade ao jogo também, faz as pessoas se apaixonarem ainda mais pelo jogo e atrai interessados em torneios de exibição em locais públicos. A partir daí, focando num trabalho agressivo de expansão, coordenado por alguns abnegados e apaixonados pelo esporte, conseguimos difundir a modalidade por quase todo o país e dentro do próprio Estado do Rio de Janeiro.

José Carlos – Como você responde às críticas de que a modalidade Dadinho é mais fácil de jogar do que outras?
Bruno Romar –  Em primeiro lugar, esclareço que isso, para mim, não é uma crítica mas um elogio!!! As pessoas que comandam o dadinho souberam entender que essa “crítica” era a maior oportunidade para o desenvolvimento da regra e trabalharam com isso. Como disse, o dadinho consegue abraçar todos os interessados que querem retornar ao esporte e aprender, desde as crianças e mais jovens até aqueles que pararam por muito tempo e regressam na idade adulta. Contudo, quem diz que é mais fácil de jogar tem razão só até a página dois porque toda regra tem suas dificuldades.

No dadinho, o aprendizado da maneira em que o botonista bate no dado tem muita relevância e, ainda, o chute a gol é bem mais complexo do que muita gente, que não conhece a modalidade, imagina. Tanto é assim que se você observar, vários jogadores de outras modalidades começaram no dadinho que dá uma base muito forte para qualquer modalidade mas é importante dizer que o jogador iniciante que deseja competir, vai conseguir jogar, fazer jogadas etc. mas ser competitivo em nível razoável, dentro da modalidade, leva algum tempo e muita dedicação em treinamentos e ensinamentos.

O dadinho mantém sempre o seu viés democrático, abraçando tanto o jogo mais estratégico quanto o mais ofensivo, defendido por cada botonista no seu estilo, possibilitando o arremate de qualquer lugar do campo, variações táticas defensivas e ofensivas, com jogadas diferentes e variadas. Tem jogador que gosta de chutar de perto, da lateral, de longe, do meio etc. outros gostam de chutar com o dadinho de quina, de chapa (como chamamos) ou meio termo, enfim, a modalidade abrange um leque enorme de opções de jogo e definições que faz cada partida ser dotada de uma dinâmica diferente, nunca é igual!!!!. Essa característica que faz com que vc. tenha que ter uma leitura pesada de cada adversário porque cada um tem um jeito de jogar e que dá certo também, mesmo assim com várias variações de jogador pra jogador!!!! Essas variações são claramente visualizadas em cada partida.

Por isso, não tem como dizer que é uma regra fácil mas sempre abraçamos o pensamento como um elogio.

José Carlos – Você, juntamente com o Ronald Neri, foram os principais incentivadores da expansão da modalidade Dadinho pelo Brasil. Conte um pouco dessa história e dos resultados obtidos?
Bruno Romar – Vixe (como diria meu amigo André Luis Araújo), aí vai ficar longo o texto!!! A modalidade dadinho somente era reconhecida como regra oficial no Estado do Rio de Janeiro até 2006!! A partir daí começamos um trabalho de expansão e tivemos sorte de, em cada Estado que fomos, contar com pessoas de caráter e comprometidas para o desenvolvimento da modalidade e sua expansão nacional!!

Em primeiro lugar, impossível não registrar o apoio que o Milton Pedreira e o Flávio Chammas, quando Presidentes da FEFUMERJ deram a modalidade para sua consolidação e reconhecimento dentro do Estado do Rio de Janeiro, sem o apoio deles e o reconhecimento dentro de nossa própria “casa”, seria impossível a expansão!!! Da mesma forma, o trabalho incansável do Marcelo Poloni e do Márcio Menezes que foram os primeiros, dentro da FEFUMERJ a organizar a modalidade, num trabalho hercúleo e que foi sempre desenvolvido pelas administrações posteriores até chegar ao Alexandre Aires e o Renato Oliveira que continuam o trabalho importante de divulgação e expansão da modalidade dentro do Estado.

A partir daí, contamos com o apoio do Luiz Colla e Leonardo Stumpf em Minas Gerais, do Almo no Paraná (graças ao André Spinola) e do Marcus Amorim no Distrito Federal que abraçaram a modalidade e resolveram iniciar a prática nos seus Estados também. A essas pessoas, TODOS DA MODALIDADE DADINHO devem a gratidão eterna, porque nos possibilitaram organizar a casa e começar a expansão da modalidade. A partir daí, percebemos que para tornar a regra nacional, precisávamos de mais um Estado e, com o apoio e a amizade do Almo, conhecemos o Osvaldo Fabeni, o André Amorim e o pessoal de Santa Catarina e tocamos o trabalho em frente.

Sempre disponibilizamos material de jogo (balizas, botões, dadinhos etc.) e fomos tocando estes Estados, sempre procurando outros no mesmo trabalho de divulgação. Conhecemos depois o José Farah, que era o Presidente da CBFM e apresentamos o projeto de oficialização que tínhamos na época e, diante do apoio irrestrito dele, mantivemos o trabalho e ampliamos, chegando a levar a modalidade para Mato Grosso do Sul, através do Roberto Giolo e do Hélder (grandes pessoas que conheci), bem como em Pernambuco com o Sr. Cordeiro e o Pentinho. Em um momento próximo mas posterior, passamos a contar com o apoio dos amigos do Ceará também e, aí, após o cumprimento das exigências da CBFM durante os anos que se passaram, tivermos a oficialização da regra pela Confederação, através do Presidente Farah, com o apoio do atual Presidente, Robson Marfa (Disco), do Leonardo Stumpf (bola 3 toques), José Farah (Bola 12 Toques), Marcelo Coutinho (Diretor Regras Experimentais) e do Marcelo Lages que, após iniciado o projeto, entrou e nos apoiou no trâmite da oficialização também.

Importante considerar que o trabalho de divulgação foi bem exaustivo, gastei sempre do meu próprio bolso, fazia viagens para a apresentação da regra, deixando minha família pra trás, com filha recém-nascida mas o importante foi que conseguimos o objetivo. Todo o projeto e trabalho seria muito mais difícil, senão impossível, sem a companhia e a parceria do meu irmão Ronald Neri, que enfrentou as mesmas dificuldades que eu, desde o início. Ajudamos ou simplesmente orientamos também a todos os Estados no processo de inclusão do dadinho nas federações locais ou até mesmo na criação das federações, como foi o caso do Distrito Federal. Então se percebe que foi um trabalho de várias vertentes e dificuldades e todas estas pessoas acima citadas são responsáveis pelo seu sucesso.

Isso sempre foi um requisito que adotamos, que o trabalho fosse consistente em cada Estado e não apenas um marketing, como alguns chegaram a chamar o nosso trabalho no início.

A partir daí, passamos a contar com o APOIO E O TRABALHO COMPETENTE E INCANSÁVEL do nosso amigo André Araújo, de Brasília, mais um irmão que recebi de presente da vida e conseguimos expandir ainda mais a modalidade, com São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará, Amazonas e outros Estados, sempre com o apoio, em cada um deles, de pessoas especiais que nos receberam sempre muito bem e se dedicam assim como nós.

Em breve, teremos ainda mais novidades para os amigos e praticantes da nossa modalidade mas, bem resumidamente, esse foi o trabalho desenvolvido, sendo que em todo este período eu ou o Ronald fomos os Vice-Presidentes da Modalidade Dadinho da FEFUMERJ ou o Diretor-Geral da Modalidade na CBFM, tendo que organizar ainda dentro do Rio de Janeiro toda a temporada etc. e depois (ou concomitantemente kkk) fazendo o mesmo trabalho na Vice-Presidência da Modalidade na CBFM, sempre com o apoio de amigos que trabalharam conosco em cada diretoria.

José Carlos – Você é Diretor Jurídico da FEFUMERJ e já assessorou a federação antes de ocupar cargos. Quais foram as situações jurídicas mais complicadas que você teve que administrar junto à federação?
Bruno Romar – Na FEFUMERJ o mais difícil foi a implementação na modalidade Dadinho de um regulamento disciplinar e a sua aplicação após o reconhecimento da modalidade no ano de 2005. Era o Diretor Jurídico do Marcelo Polloni e, realmente, nós não estávamos acostumados a ter este regramento e nem sua aplicação. Então foi um processo “educacional” difícil no início, assim como a aplicação dos regulamentos e tudo. Tanto nós da diretoria na época, quanto os próprios atletas tivemos que ir aprendendo a lidar com esta nova, mas necessária, situação.

Durante estes anos, sempre situações de suspensões disciplinares de atletas, seja por desvio de conduta em campeonatos ou por calúnias e difamações foram situações desgastantes também enfrentadas não apenas dentro da modalidade dadinho mas também de âmbito geral.

Já nos deparamos com outros tipos de problemas regulamentares também mas, graças a razoabilidade das pessoas no comando, sempre houve uma boa solução, dentro das regras existentes e do bom senso dos comandantes.

No tocante à Diretoria Geral (sem demagogia), importante citar o trabalho desenvolvido pelo atual Presidente, Sr. Cláudio Pinho, que está fazendo trabalhos importantes na reorganização da entidade, com adaptação e modernização do estatuto, dos cadastros da entidade, registros financeiros e organização de cadastros de atletas, num trabalho que, com todo o respeito a todas as Administrações anteriores, ainda não tinha visto num nível tão elevado e digno de reconhecimento, como sempre faço quando me perguntam em reuniões ou nos arbitrais do dadinho, onde represento o Club de Regatas Vasco da Gama.

José Carlos – Bruno Romar. Muito obrigado por você ter concedido essa entrevista ao site da FEFUMERJ
Bruno Romar – José Carlos, meu companheiro de federação de vários anos, muito obrigado pela oportunidade. Desculpe o texto longo em algumas respostas. Conte sempre com meu respeito e gratidão por sua pessoa e seu trabalho de anos à frente de nossa comunicação. Grande abraço

Fonte: Fefumerj