Jordi fala sobre retorno ao Vasco, Abel Braga e disputa por titularidade

07/01/2020 às 08h01 - FUTEBOL

O 2020 de Jordi será de um recomeço diferente no Vasco. Após a boa temporada no CSA, clube no qual se destacou apesar do rebaixamento no Brasileirão, o goleiro de 26 anos teve o retorno solicitado por Abel Braga - a princípio, será reserva de Fernando Miguel. A confiança do novo técnico fez o atleta ter esperança de um bom ano no que definiu como "retorno para casa".

Jordi foi contratado do Volta Redonda, em 2010, inicialmente para a base do Cruz-Maltino. Subiu ao profissional em 2014, respaldado pelo título da Taça BH, uma das competições mais importantes do país das categorias inferiores. O começo animador trouxe anos complicados, inclusive com a queda à Série B em 2015, e uma experiência curta no Tractor, do Irã. A volta, agora, é única.

- Retornar ao Vasco, sim, é uma sensação de estar começando. Sempre sonhei, sempre vesti a camisa do Vasco com muita vontade e muito orgulho. Estou voltando para casa. Estou mais maduro e mais preparado. Eu saí, estive no Irã, um breve retorno ao Vasco e depois fui ao CSA. Então, quando você joga, você cresce e se sente mais preparado. A ambição é maior pelo fato de eu estar em clube que tem de brigar por títulos sempre. Estou consciente disso - afirmou o goleiro ao GloboEsporte.com.

A boa temporada fez, segundo revelou Jordi, despertar o interesse do Ceará. Além disso, o CSA tentou a sua permanência. Ele tem contrato com o Vasco até 30 de junho de 2021.

Como avalia a temporada 2019? No CSA, conseguiu ter sequência e teve bom desempenho individual apesar do rebaixamento do clube na Série A: fez 29 jogos, e, segundo o Footstats, com 31 defesas simples e 29 difíceis (média de 1.2 por jogo, a segunda melhor do campeonato). Foi uma das melhores da sua carreira?

Agradeço a Deus pela oportunidade que eu tive. Fui para lá sabendo que as dificuldades seriam grandes, era a volta à Série A. Tinham muitas especulações, algumas pessoas falaram que o clube não faria 15 pontos. Acredito que pude ajudar bastante, com sequência de jogos e vitórias. Foi um ano bom, um divisor de águas. Eu cresci ainda mais profissionalmente. Além da sequência de jogos, tive números bons. Só não foram melhores pelo fato de que eu tive uma lesão. Eu tinha um número maior de defesas na comparação com os outros goleiros, mas perdi 10 jogos machucado. Voltei e consegui ficar em segundo lugar. Vejo que voltei e consegui assumir mais responsabilidade, o CSA é um clube com torcida grande. É um clube que conseguiu ser respeitado dentro da competição. Foi um bom desafio, vejo o ano com muito bons olhos a temporada. Acredito que daqui para frente terei mais ambição e vou buscar coisas grandes. Fui para o CSA e provei que goleiro pode fazer diferença, pode ajudar muito uma equipe.

Como foi lidar com a desconfiança gerada após gravar um vídeo criticando a estrutura do CSA? Como superou o episódio? Ele afetou o desempenho em campo?

É um assunto delicado, eu não gosto muito de falar. Foi um vídeo que gerou repercussão grande. Foi vazado de um grupo interno, que tinha jogadores e diretores do clube. Não era exatamente uma reclamação, mas uma crítica construtiva. Mas foi em um momento errado, na hora errada e na maneira errada. Isso me prejudicou bastante também. Eu aprendi. Todos nós estamos sujeita a erros. Mas isso me fez aprender mais ainda a jogar sob pressão. Você está ali sendo aplaudido e, de uma hora para outra, é vaiado sem ser por falha técnica. Tem de ter a cabeça no lugar, ter sabedoria e saber que tudo é possível.

Confesso que passei por um dos piores dias da minha vida, mas graças a Deus eu tive a minha família comigo. Minha esposa esteve ao meu lado. Fiquei muito decepcionado comigo mesmo pela minha atitude. Mas Deus me deu força, me enchi de palavras positivas e acredito que isso me ajudou a continua em frente. Não era fácil entrar em campo sabendo que seria apontado por ter feito o vídeo. Faz parte, eu errei. Mas acredito que isso não vai mais acontecer. Sou sério, profissional. Busco sempre o melhor. Nunca fui um cara de polêmica. Tudo é um aprendizado na vida.

O retorno ao Vasco, após o ótimo ano no CSA, gera uma sensação igual a de se destacar na conquista da Taça BH de 2013? Há de novo a expectativa de jogar no profissional...

Que pergunta legal. Lembrar a maneira que eu subi ao profissional... Após o título, lembro que as pessoas falavam muito da ida ao time de cima pelo campeonato que eu fiz na base. Tive um começo bom no Vasco, só tomei um gol nos quatro primeiros jogos. O ano de 2015 foi difícil, o clube acabou rebaixado. Eu era muito novo, assumi uma responsabilidade grande. Graças a Deus não me eximi disso. Em 2016, foi o ano que mais joguei, foi o ano que Martín Silva foi para a seleção do Uruguai.

Hoje retornar ao Vasco, sim, é uma sensação de estar começando. É um sonho. Sempre sonhei, sempre vesti a camisa do Vasco com muita vontade e muito orgulho. Estou voltando para casa. Isso é muito bom, todo mundo tem o sonho de jogar no Vasco. Estou mais maduro e mais preparado. Eu saí, estive no Irã, um breve retorno ao Vasco e depois fui ao CSA. Então, quando você joga, você cresce e se sente mais preparado. Então, vou treinar e trabalhar. A ambição é maior pelo fato de eu estar em clube que tem de brigar por títulos sempre. Estou consciente disso.

Após a temporada no CSA, você teve propostas de outros clubes? Teve chance de não retornar ao Vasco?

Cheguei a receber propostas. Do CSA. Mesmo rebaixado, eles gostaram muito do meu trabalho e queriam que eu continuasse. O Ceará entrou em contato e queria comprar os meus direitos. Houve, realmente, isso. Mas o Vasco achou melhor eu ficar. Gostaram do meu trabalho e do que aconteceu no CSA. Então, pediram para eu ficar em 2020. Vejo isso com bons olhos. É um retorno diferente dos outros. Acredito que o bom trabalho fez com que as portas se abriram, e o Vasco ficou satisfeito. Estou feliz e confiante. Vou é voltar para casa. Sei que tive um bom ano e isso é muito importante.

Abel Braga pediu a sua permanência. Qual a expectativa de trabalhar com o treinador?

O Abel e o Mazzuco falaram comigo. Eu nunca tive a oportunidade de trabalhar com o Abel, será a primeira vez. Ouço falar muito bem dele. É um profissional, um cara de família. A expectativa é grande. Eu estou ali para o que precisar. Estou à disposição. Espero poder fazer o melhor, continuar o trabalho com seriedade. Acredito que, com toda a experiência do Abel, o Vasco vai poder brigar por coisas grandes. Vamos trabalhar para fazer uma excelente temporada.

Como imagina que será a concorrência com Fernando Miguel, o goleiro que terminou o ano como titular? Já trabalharam juntos?

Trabalhei com o Fernando, sim. É um grande amigo. Tenho o maior respeito por ele, é um grande pai de família. Estive com ele lá em Maceió, onde o Vasco foi enfrentar o CSA. Não vejo problema nenhum em ter isso, essa concorrência. Fernando é um cara legal. É lógico que, dentro de campo, cada um terá de fazer o seu melhor. A posição de goleiro é a mais difícil, afinal, joga um só. Mas faz parte. A gente sabe disso. O mais importante é ter um bom ambiente, respeitar o companheiro. Isso é muito importante. Fico tranquilo. Conheço o Fernando, o Alex, o Lucão. Eu sou da casa. Estou feliz de trabalhar com eles de novo, são pessoas boas com as quais eu aprendo. Vou estar sempre junto com eles. Ter goleiros de alto rendimento faz você crescer. Estou feliz por isso.

Fonte: GloboEsporte.com