Jornalista comenta sobre as impressões de Botafogo 2 x 3 Vasco

14/09/2020 às 19h41 - IMPRENSA

Com menos de um terço de disputa das rodadas do Brasileiro é nítida a preocupação com o desgaste dos jogadores.

Poupar este ou aquele já não é ideia de um ou outro técnico - é o que eu prefiro, por ora, chamar de uma necessidade estratégica de todos!

O recondicionamento físico dos times para a retomada dos Estaduais foi feito fora dos padrões habituais.

E os profissionais da fisiologia estão tendo que aprender na marra como garantir o padrão de excelência em meio ao insano calendário desenhado pela CBF.

Registre-se: com o aval dos próprios clubes.

A fórmula por pontos corridos com 38 rodadas é um absurdo que poderia ter sido excepcional e emergencialmente evitado.

Principalmente, em paralelo à disputa das Copas do Brasil e da Conmebol (Libertadores e Sul-Americana).

Os desgastes físico e emocional num ano atípico em termos de preparação física ainda trarão muito desconforto aos técnicos.

Como já estamos vendo acontecer.

Não à toa, sete deles perderam o emprego em nove rodadas...
 

BOTAFOGO 2 x 3 VASCO.

Que o digam Paulo Autuori e Ramon, técnicos que têm sofrido para manter a competitividade dos times.

Ainda assim, história do confronto no Nílton Santos foi de tanta entrega que justo seria o 3 a 3.

E só não foi porque Fernando Miguel fez a defesa da rodada após uma cabeça de Matheus Babi, que explodiu na trave, já nos minutos finais.

Os dois times alternaram o controle do jogo e talvez a vitória do Vasco tenha saído em função dos erros coletivos do sistema defensivo do Botafogo.

Autuori tentou corrigi-los trocando dois jogadores (Honda e Caio Alexandre) ainda no primeiro tempo e até chegou ao empate, no segundo.

Mas o desgaste acabou sendo mais bem aproveitado pelos vascaínos, que aproveitaram um novo "apagão" alvinegro e fizeram dois gols em dois minutos.

A escalação de Cano jogando inicialmente pelos lados, com Ribamar batendo com os zagueiros, pode ter influenciado nas falhas da zaga do Botafogo.

 

Assim como a presença de Kalou, no segundo tempo, explorando o cansaço de Pikachu e Felipe Bastos, quase custou uma vitória que parecia garantida.

Foi por muito pouco...

Ficou para mim a sensação de que Ramon ainda não tem as peças necessárias para uma jornada tão desgastante, com duas competições em paralelo.

Pois se tivesse um volante no banco de reservas, não teria deixado Felipe Bastos em campo até o final do jogo, fazendo figuração.

Quanto a Autuori, embora seja agradável ver seu time jogar, talvez fosse a hora de rever esse sistema defensivo, com Rafael Foster entre Benevenuto e Kanu.

Desde que estreou, entrando como falso terceiro zagueiro no segundo tempo da vitória sobre o Atlético-MG, o Botafogo sofreu dez gols em sete jogos.

No Brasileiro, só não foi vazado no 0 a 0 com o Coritiba.

Raras têm sido a possibilidade de repetir a linha intermediária, ponto de equilíbrio de qualquer equipe.

Os dois confrontos entre vascaínos e botafoguenses pela Copa do Brasil prometem mais emoções...
 

CEARÁ 2 x 0 FLAMENGO.

A ideia de jogar com dois pontas abertos me parece clara na cabeça de Domènec Torrent - quanto a isso não há questionamento.

O problema é quando a discussão gira em torno de Vitinho e Michael.

O 4-3-3 deixa de ser uma plataforma móvel, o Flamengo torna-se mais previsível e, por maior que seja a qualidade individual do time, o jogo passa a ser outro.

É claro que as ausências de Rodrigo Caio, Filipe Luís, Arrascaeta, Gérson e Bruno Henrique impactam no todo.

E como disse acima, não condeno a decisão de poupar os três primeiros.

Mas caberá ao técnico tirar os coelhos das cartolas.

Em 2019, Jorge Jesus descobriu Renier, e soube fazer de Lincoln um atacante útil.

Dome terá de fugir do óbvio...
 

FLUMINENSE 2 x 1 CORINTHIANS.

A presença de Marcos Paulo no comando de ataque não resolve a carência dos tricolores.

Mas oferece a mobilidade ofensiva que faltou no Fla-Flu.

Ao menos neste jogo, do time de Odair Hellmann voltou a ser competitivo.

E mostrou ideias mais claras sobre como chegar ao gol adversário.

Hudson fez a parede com Dodi na linha intermediária.

Calegari e Danilo Barcellos, deram suporte a Michael Araújo e Wellington Silva pelos lados.

E Nenê, no auge de seus 39 anos, teve com quem dividir a toada num ritmo ofensivo.

Assim, diante de um Corinthianns emocionalmente desestruturado, o Fluminense pôs pressão, saiu em vantagem e seguiu gerando desconforto.

Não foi uma atuação capaz de devolver a confiança da torcida, mas o suficiente para pôr fim ao jejum que já incomodava.

Fonte: Extra Online