A passagem de Philippe Coutinho pelo Vasco da Gama terminou da pior maneira possível: com a rescisão amigável de seu contrato após ser alvo de assédio por parte de grande parte da torcida. Essa situação insustentável trouxe à tona os desafios que os jogadores enfrentam a cada rodada. "Ser julgado por inúmeras pessoas por algo que não faz parte do meu caráter é muito difícil", declarou. No Brasil, as pessoas estão se manifestando ; querem acabar com esse comportamento.
Nos bastidores, e segundo fontes próximas ao jogador e à diretoria do Vasco da Gama, comenta-se que Coutinho pediu a rescisão de seu contrato por se sentir desprezado pelas críticas que vinha recebendo não só da torcida, mas também de influenciadores ligados ao clube. Em sua última partida, foi insultado ao deixar o campo no intervalo contra a Volta Redonda, o que reforçou a percepção de que seu ciclo na equipe havia chegado ao fim.
A relação cada vez mais tóxica entre atletas e o ambiente digital, seja por meio de postagens em redes sociais ou pelos comentários dos inúmeros influenciadores que agora acompanham a rotina de times e elencos quase 24 horas por dia, já era tema de debate entre os principais técnicos do Brasil na última temporada.
Em agosto de 2025, após a eliminação do Flamengo na Copa do Brasil para o Atlético-MG, o técnico Filipe Luís fez uma forte crítica em coletiva de imprensa: “Nem vou comentar as exigências da torcida do Flamengo nas redes sociais; é uma selva. Se você se guia pelas redes sociais, a verdade não está lá. Tem gente divulgando de tudo.”
No ano passado, o técnico do Bahia, Rogério Ceni , também aproveitou a coletiva de imprensa após a vitória por 1 a 0 sobre o Flamengo para criticar a atitude de alguns torcedores nas redes sociais. “Tem uns jogadores que, só pelo nome, já não agradam mais. E já estão sendo criticados antes mesmo de entrarem em campo. Sempre tem um ou dois que vão lá e escrevem um monte de besteira nas redes sociais. É uma bagunça, né? E aí esses jogadores já são julgados, pré-julgados, antes mesmo do jogo começar, sabe? E na vida, a gente tem que dar chance para as pessoas provarem o seu valor. Ah, talvez elas fracassem no futuro. Talvez, faz parte da vida, acontece com todo mundo, não é?”, declarou.
Durante o mesmo período, Renato Gaúcho , então no Fluminense, seguiu uma linha de pensamento semelhante. “Dei uma entrevista há uns dois meses e repito hoje: o futebol acabou por causa das redes sociais. Isso vale tanto para jogadores quanto para treinadores. Hoje em dia, é uma guerra de críticas. Quando se ganha, há elogios; quando se perde, ninguém é bom, todos são maus. O futebol está seguindo um caminho em que, infelizmente, todos perdemos. O futebol está morrendo. Está em seus momentos finais. Essa é a minha opinião.”
Aliás, não é um fenômeno novo que profissionais do futebol "culpem" o comportamento dos torcedores nas plataformas digitais pelo fracasso de alguns jogadores e até mesmo pelos resultados. No final de 2025, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, disse que o ponto de virada para o atacante Vítor Roque foi o carinho renovado que recebeu da torcida. " O jogador não está imune a críticas . Ele ainda é jovem, tem 20 anos. Estamos aqui de braços abertos para ajudar", disse ele em um momento em que os gols não apareciam.
A questão, na verdade, é: as redes sociais mataram o futebol? E qual a receita para tentar coexistir com elas? Afinal, essas plataformas são um importante meio de comunicação com o público e, mais do que isso, podem representar novas fontes de renda e parcerias se bem utilizadas.
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