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No Rio, rigor contra torcidas organizadas

13/01/2006 às 10h23 - TORCIDA

O Campeonato Estadual só começa sábado, mas a caça aos vândalos de torcidas organizadas já começou. Na quinta manhã, no auditório da 5ª DP (Gomes Freire), o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, anunciou medidas rígidas contra os atos de violência promovidos dentro e fora dos estádios. No último Brasileiro, três torcedores - dois do Botafogo e um do Fortaleza - morreram em confrontos de facções no Rio.

Agora, todos os que se envolverem em brigas serão indiciados pelo crime de formação de quadrilha (artigo 288 do Código Penal), com pena de até três anos de detenção. Nos termos da nova linha dura, tirar à força a camisa de um torcedor rival para exibi-la como troféu será tipificado como roubo (art. 154) e pode resultar em quatro anos de cadeia.

- Tudo o que poderia de ser feito como alerta já aconteceu. Agora as medidas serão as mais radicais possíveis. Vamos começar a aplicar as novas punições na primeira rodada, mas acho que o teste de fogo será no dia 22, com a reinauguração do Maracanã, entre Vasco e Botafogo - disse Álvaro Lins, prometendo até a extinção das torcidas organizadas em caso de reincidência.

Clubes podem ser responsabilizados

Todos os inquéritos ligados a torcidas organizadas serão conduzidos pela Delegacia de Homicídios. O Grupamento Especial de Proteção a Estádios (Gepe) da Polícia Militar também participará da ação conjunta, que inclui a filmagem de torcedores nos acessos e nas arquibancadas para fichamento e identificação. No caso das ameaças ou encontros marcados por páginas de relacionamentos na Internet, como o Orkut, as investigações estarão a cargo da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI). E os envolvidos responderão por incitação e apologia ao crime, com penas de até seis meses de prisão.

Mesmo que não participem diretamente dos atos criminosos, os chefes das torcidas organizadas serão indiciados junto com os infratores. E assim que a facção infratora for identificada, os clubes serão notificados pela Polícia Civil para não mais distribuírem ingressos a seus integrantes. Se descumprirem a determinação, serão considerados co-responsáveis por problemas futuros envolvendo a mesma torcida.

- Não queiram ser líderes de um grupo que não controlam. Isso é burrice. Vão para a cadeia pelo crime dos outros. Vocês têm de se policiar. Se cinco integrantes de uma torcida se envolverem numa briga, os outros mil ficarão sem ingresso - afirmou Lins para líderes de facções do Flamengo, Fluminense e Botafogo presentes à apresentação. Como não mandaram representantes, as torcidas organizadas do Vasco serão, segundo o chefe de Polícia Civil, as primeiras convocadas a depor na Delegacia de Homicídios.

Os delegados-titulares dos bairros próximos a estádios serão orientados a indiciar os baderneiros em crimes cujas penas podem somar 14 anos de prisão. Os casos menos graves continuarão sendo julgados pelos Juizados Especiais Criminais (Jecrim), montados nos estádios.

- Vamos tentar um canal de aproximação entre os torcedores, que existia antes com a associação das torcidas. Hoje em dia, os líderes não se conhecem e o ódio vinha crescendo muito, aumentando a violência - explica o delegado Orlando Zaccone, diretor do núcleo de Jecrims e titular da 19 DP (Tijuca).

Além de formação de quadrilha, os torcedores poderão ser indiciados por lesão corporal grave (artigo 129, com pena de até oito anos de prisão), rixa qualificada (art. 137, com até dois anos de prisão) e até mesmo tentativa de homicídio. Anteriormente, os infratores eram enquadrados em artigos com penas mais brandas.

Fonte: GloboEsporte.com