A primeira Copa São Paulo de Futebol Júnior da história do Esporte Clube Meia-Noite já tem rendido frutos ao clube de Patrocínio Paulista (SP), que virou SAF em outubro de 2024. Até então, fazia sucesso no futebol amador da região de Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP) desde abril de 1959.
Depois da competição, em que o time eliminou o Coritiba na primeira fase e caiu para o campeão Cruzeiro no primeiro mata-mata, seis jogadores foram negociados com três gigantes brasileiros.
São eles o volante Victor Michell (nascido em 2009, Corinthians), o zagueiro Bruno Aquiles (nascido em 2010, Fluminense), o atacante João Cristiano (nascido em 2008, Fluminense), o lateral-direito Kauã Borges (nascido em 2009, Vasco) e os meias Bruno Medeiros (nascido em 2010, Vasco) e Edu Bernardes (nascido em 2010, Vasco).
Todos os contratos fora intermediados pelo vice-presidente do clube, Juliano Leonel, empresário que já cuidou das carreiras de jogadores como Cicinho, Diego Alves, Eder Luíss, Renan Ribeiro e Vitor Bueno, revelado pelo Meia-Noite.
- Desde a primeira partida já tinham vários scouts de vários clubes. É não só brasileiros como internacionais. E aí acaba, joga bem um jogo, ele volta no segundo jogo, joga bem o segundo, volta no terceiro. Aí a gente elimina o Coritiba, depois pega o Cruzeiro. É uma série de coisas que vão acontecendo para o trabalho ser reconhecido – explicou Leonel.
Os vínculos são de um ano de empréstimo, com opção de compra, para as categorias de base dos times. Caso todos sejam vendidos, o Meia-Noite ficará com cerca de R$ 6 milhões. Outros clubes como Botafogo e Internacional também chegaram a sondar os jogadores.
- Parece muito, mas é pouco. Se você for fizer a conta, é menos de 200 mil euros. E a gente vê jogador aí vendido por 5, 10, 15, 20 milhões de euros. Não é muito dinheiro não, é um valor atrativo para a gente abrir a porta com os clubes, para fazer negócio mantendo um percentual futuro – disse o vice-presidente.
Partiu, Granja Comary!
A campanha na Copinha chamou atenção não só pelo futebol apresentado, mas também pelo Estádio Galileu de Andrade Lopes, que fica vizinho a um cemitério e despertou olhares de todo o país para os jogos da principal competição de base do país. Foi a primeira vez que Patrocínio Paulista sediou a Copinha.
Juliano Leonel (boné), Branco e Edson Faleiros no amistoso entre a seleção sub-16 com o Meia-Noite na Granja Comary — Foto: Divulgação
Tanto é que, logo após a eliminação em casa para o Cruzeiro, o telefone de Juliano Leonel tocou. Era um grande amigo que o futebol deu: Branco, ex-lateral da Seleção Brasileira, tetracampeão do mundo em 1994, e atual coordenador das categorias de base da CBF.
-Ele ligou para me parabenizar pela participação e dizer que ele estava acompanhando de longe. Aí comentou que tinha uma seleção convocada e queria fazer um fazer um amistoso. Dali uma semana a gente estava lá na Granja Comary [para jogar contra o sub-15 do Brasil].
- O Kauã Borges foi muito bem no jogo-treino na Granja Comary. A Granja Comary foi decisiva para alguns clubes fazerem proposta por ele, mas eu já tinha me apalavrado com o Vasco – explicou Leonel.
Próximos passos
Com a transformação em SAF, o Meia-Noite fez um investimento alto em estrutura. O estádio foi reformado e uma arquibancada para 1800 lugares foi construída.
Além disso, tem um observatório, com ar-condicionado, duas salas grandes para reuniões, três vestiários, refeitório e um campo de apoio, além de custos com alojamentos.
Para o início desta temporada, cerca de 40 garotos de diversas categorias ficarão alojados no clube em preparação para os campeonatos estaduais de base.
A ideia é manter Patrocínio Paulista como sede da Copinha nos próximos anos e buscar o certificado de clube formador via CBF.
- Temos que acabar de finalizar as exigências que a CBF nos coloca. Esse é um dos objetivos nossos da temporada. O segundo objetivo é montar equipes competitivas, no mínimo igual ao ano passado, que é um grande desafio, porque nós atingimos metas importantes, tratando-se de primeiro ano. Nosso sub-13 ficou entre os 8 do estado. O sub114 passou de fase dias vezes, o sub1-5 passou de fase de uma vez e o sub-17 passou de fase 2 vezes, além da Copinha.
Apesar do início promissor do projeto, Juliano Leonel pede calma para o futuro.
- É difícil falar a receita. Nós vamos jogar até o sub-17. Nós não vamos jogar o sub-20 no Campeonato Paulista e nós vamos jogar Copinha, que é sub 20. Então, eu quero manter uma tradição que todos os times nossos vão ser novos. A base vai ser sub-17. O menino que tem 20 anos, o menino que tem 19 anos, tem que fazer chover. Então, e eu for montar um time com idade avançada, eu não vou ter chance de fazer negócio, entendeu?
-Acho que o grande segredo foi a gente ter ido com um com um time novo [na Copinha], mas repito, não vai ser todo ano que vai acontecer isso. Vai ter um ano que a gente vai tomar goleada, vai ter três derrotas e vai fazer parte do processo, porque a gente não busca resultado, a gente busca formar. E para formar não é sempre que vai ter uma coisa tão positiva de classificar numa Copa São Paulo, num grupo tão difícil com Coritiba e Ponte Preta, e eliminar o Coritiba – refletiu o vice-preisdente.
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