Opinião: Pikachu não é Daniel Alves. Mas deveria ter mais chances de atacar

31/10/2019 às 18h16 - CLUBE
Foto: Marcelo Theobald / Agência O GloboYago Pikachu é um dos melhores finalizadores do elenco do Vasco, mas joga longe da área adversária
Yago Pikachu é um dos melhores finalizadores do elenco do Vasco, mas joga longe da área adversária

Quando foi a última vez que Yago Pikachu, principal artilheiro do Vasco nas últimas duas temporadas, marcou um gol que não fosse em cobrança de pênalti? O lateral-direito é, na equipe de Vanderlei Luxemburgo, uma arma engatilhada, mas pouco disparada. Um desperdício a essa altura do Campeonato Brasileiro, quando todos os times já se conhecem e é preciso ter artimanhas novas para surpreender os rivais.

Convenhamos, o potencial ofensivo de Pikachu não é exatamente uma novidade. E o jogador também não é um Daniel Alves, um ás criativo como o lateral do São Paulo e da seleção. Mas na equipe do Vasco atual, sua capacidade de definição tem sido uma valência tão pouco utilizada que quando Yago Pikachu aparecer novamente na grande área rival, o marcador pode até tomar um susto com sua presença.

Tamanho recuo pode ser uma escolha de Vanderlei Luxemburgo, ou reflexo de uma carência do elenco, ou um problema tático que o técnico não consegue resolver. Ou então as três coisas ao mesmo tempo. Desde que o treinador assumiu o Vasco, trouxe o jogador de volta para a lateral. Cáceres não goza de prestígio com o professor e com isso Pikachu fez da posição sua propriedade.

Longe da área adversária, ele não consegue finalizar tão bem quanto pode. São 35 gols pelo Vasco desde que foi contratado, em 2016. Foram 11 de pênalti e 24 com bola rolando. Desses, 16 foram marcados quando foi escalado sem maiores obrigações defensivas. O último sem ser de bola parada, resposta à pergunta feita na primeira linha, saiu contra o Avaí, em abril, pela Copa do Brasil, quando jogou na ponta direita. Mas essa não é realidade do jogador no momento. Pikachu precisa primeiro defender. Contra o Grêmio, quarta-feira, teve trabalho dobrado com Cortês e Everton. Deu apenas um chute a gol, errado, em uma partida em que o time da Colina precisava atacar para evitar a derrota.

É compreensível a necessidade de Luxemburgo ter o jogador no setor, uma vez que o reserva não consegue fazer a marcação com a mesma eficiência. Mas existe também uma dificuldade em criar movimentos em campo que permitam Pikachu aparecer mais no ataque mesmo vindo da lateral. O primeiro obstáculo é a presença de Rossi na equipe. O atacante domina o lado direito ofensivo do Vasco. Seu deslocamento em direção à área é o mesmo que Pikachu faria. Para não baterem cabeça, o lateral sobe pouco.

Contra o Grêmio, não havia Rossi em campo e Yago, mesmo assim, não conseguiu avançar tanto quanto poderia. Uma explicação é clara: o time de Vanderlei Luxemburgo tradicionalmente atua com as linhas mais baixas, dá terreno para o adversário jogar e tenta sair em velocidade no contra-ataque. Ao jogar assim, dificulta demais a vida do lateral que quer chegar ao gol adversário como fator surpresa. Pikachu é rápido, mas nem tanto, não há arrancada que permita uma transição tão rápida.

No fim das contas, a cobertura eficiente de um jogador do meio de campo poderia permitir que Yago Pikachu subisse mais ao ataque sem que a defesa ficasse muito exposta. O fato é que, ofensivamente, as limitações do elenco atual do Vasco são ainda mais evidentes - Marrony, Lucas Ribamar, Rossi e até mesmo Talles Magno estão longe de serem exímios finalizadores. A engenharia tática é complexa, mas ter Pikachu eventualmente em condições melhores para finalizar pode ser uma alternativa neste fim de temporada.

Fonte: Globo Online