Opinião: A melancólica Copa de Romário no futebol dos EUA

30/06/2006 às 15h26 - IMPRENSA

Enquanto o Brasil joga a Copa da Alemanha, Romário - que deve chegar amanhã a Berlim, para divulgar o próximo Mundial de Beach Soccer - participava de uma exótica competição em Dallas, no Texas: a Copa Lamar Hunt, disputada entre times profissionais de diversas ligas misturados a equipes amadoras, num torneio mata-mata. O brasileiro Leo Santos descobriu a competição, numa notinha de canto de página do jornal local e foi conferir:

\"Fui esperando ver o estádio da Universidade do Texas com bom público. Ao chegar, decepção. Nem estádio era. Um campo entre outros de treino, com dimensões reduzidas, uma arquibancada para umas duzentas pessoas, e mais umas cem aboletadas à beira do gramado.

\"A \"bilheteria\" era uma mesinha, com duas adolescentes que me salvaram de uma viagem ao caixa eletrônico, aceitando os sete dólares que tinha no bolso, apesar de o cartaz anunciar a entrada a dez.

\"O jogo já havia começado e Romário lá estava, repetindo a sua especialidade dos últimos anos, paradão na frente, esperando uma bola redondinha para encurtar ainda mais o seu caminho até os mil gols. E não era o único tetracampeão em campo. Zinho jogava ao seu lado.

\"O \"clássico\" era entre o Miami F.C. e o Dallas Roma, equipe amadora em que Romário se sentiria um garoto. O líbero do time adversário tinha cara de quem já jogava quando o Baixinho engatinhava.

\"Para encurtar a história, os amadores do Dallas meteram um a zero, gol de pênalti. Romário ainda arriscou alguns chutes a gol, entre berros que a torcida local deveria agradecer por terem sido proferidos em português, por impronunciáveis, diante de tantas crianças sentadas ali, à beira do campo.

\"Ao final, o poderoso Miami F.C. acabou desclassificado pelos amadores. E Romário saiu de campo mais rapidamente do que em qualquer pique durante os 90 minutos.

\"Doeu, Renato. Doeu testemunhar dali, a dois passos da lateral, o ocaso de um craque extraordinário. Esta patética busca dos mil gols não vale a lenta imolação de quem um dia foi o maior do mundo.\"

Fonte: Coluna de Renato Maurício Prado - O Globo