Opinião: Marcação, trombada, muita briga e pouca técnica

10/07/2007 às 10h25 - IMPRENSA

\"O jogo foi bem ao estilo do futebol gaúcho: muita marcação, muita trombada, bolas altas... muita briga, pouca técnica...\" Calma, calma, minha gente, gente do Sul em geral. Nenhuma dessas palavras iniciais é minha. São todas elas do técnico Celso Roth, que é... gaúcho. Foram proferidas, sábado, depois da derrota do seu time, o Vasco, para o Juventude, que é... gaúcho. Trombada, briga...

Antes de mais nada, vou adiantando que as minhas palavras não se destinarão a criticar o técnico nem o homem Celso Roth. Pelo contrário. Minha impressão é de que Celso Roth, como homem, sabe se expressar melhor até do que como técnico. Costuma ser calmo, tranquilo, sensato — mais lúcido, a meu ver, nas análises do que nas táticas e instruções que manda para o campo.

E testemunho também que as declarações de Roth aos microfones e câmaras de TV — e por isso mesmo bem documentadas — não continham qualquer preconceito contra o futebol chamado de gaúcho, até porque isso não caberia num profissional do campo ou da imprensa, muito menos num profissional de lá mesmo, do Rio Grande do Sul.

As palavras de Roth, para mim, se referiam muito mais ao momento — ou mesmo àquele jogo em que seu time perdeu — do que ao percurso histórico do futebol gaúcho, porque Roth sabe — tão bem quanto eu — das glórias futebolísticas do seu estado.

Mas comecei essa história toda com as palavras do técnico, porque, se elas fossem minhas, o incandescente universo da torcida gaúcha desabaria — como já desabou — sobre esse “cronistazinho carioca” que vos escreve.

Vamos, então, às minhas palavras. Nunca analisei futebol na vida sob influência de camisa de clube, de estado — ou mesmo de país. Se já fui ardoroso torcedor do futebol brasileiro, foi única e rigorosamente por ter sido o futebol brasileiro o melhor que já vi. Tivesse sido o futebol suíço ou o japonês, podem estar certíssimos de que eu seria torcedor do futebol japonês ou suíço. Sou absolutamente imune a patriotadas de qualquer espécie, em qualquer setor da atividade humana.

Para mim, o futebol é bom ou ruim, é bonito ou feio de se ver, é praticado com inteligência ou com ignorância, com esportividade ou com selvageria. São essas as distinções que faço — independentemente de qualquer especificação geográfica.

Se querem saber da verdade, vamos lá: acho o futebol gaúcho, hoje em dia, bem ruinzinho, porque acho TODO o futebol brasileiro, hoje em dia, ruinzinho, inclusive o da seleção brasileira na Venezuela, treinada — vejam que traiçoeira coincidência contra mim — por um gaúcho.

Mas já cansei de admirar, com imenso prazer, o futebol do Internacional de meados dos anos 70, o Inter de Manga, Figueroa, Falcão, Carpegiani, Valdomiro, Lula... que beleza! E, além dele, o Grêmio, sim, o Grêmio campeão mundial de 83, com Valdir Espinoza, Renato Gaúcho, Paulo César, etc, etc... Entre outros momentos.

Não é por causa disso, meus caros irmãos gaúchos, que tenho de admirar o futebol deste Grêmio e deste Inter de hoje — da mesma forma que não posso admirar o futebol do Flamengo, nem do Vasco, nem do São Paulo, nem do Corinthians, nem do Atlético Mineiro, nem do América de Natal não é? E concordo inteiramente com o Celso Roth quando ele tampouco admira, pois diz que é de trombada, bolas altas,
muita briga e pouca técnica. Particularmente, se me permitem, não aprecio brigas, nem trombadas, nem bolas altas.

E parabéns ao Roth pela análise isenta do jogo entre Juventude e Vasco.

Querem que eu viaje do âmbito doméstico para o âmbito desta Copa América? Chile, Paraguai, Peru, Venezuela...

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