Opinião: No clube de Eurico os princípios éticos do esporte não tem signific

30/01/2006 às 12h56 - IMPRENSA

A notícia divulgada na última semana, informando que Romário queria se candidatar a uma cadeira de deputado, me estarreceu.

Quem acompanha as minhas crônicas deve ter percebido que não nutro nenhuma admiração pelo baixinho banheira. Reconheço a sua virtude do oportunismo, mas, como cidadão, ele tem toda a nossa repulsa. Ele jamais entrou em uma disciplina coletiva. Sempre quis ser exceção quanto ao horário, ao esforço e ao treinamento. Para mantê-lo como titular, um técnico tem de morder o próprio orgulho profissional e a dignidade de seu comando, pois tem de aceitar o inaceitável: o regime de dois pesos e duas medidas para com os demais integrantes do elenco.

Parece que Romário somente se dá bem no Vasco da Gama, clube em que, por influência de Eurico Miranda, os princípios éticos do esporte não têm a menor significação.

Em nossa longa carreira na crônica esportiva, nunca aceitamos a idéia de que, mesmo profissional, o futebol e outras disciplinas possam abdicar de uma conduta que faz parte da essência do esporte e que o torna a razão de sua própria grandiosidade. Cortesia, fair play, treinamento sério, máximo empenho na competição são o que fazem, não só do futebol, mas também de todas as modalidades, os fatores causadores do bom espetáculo, o motivo do aplauso.

De outro lado, compreendemos que a deputação é a representação dos anseios de uma comunidade com senso de justiça. É uma atividade que exige cultura, idoneidade, espírito público, dedicação a uma causa, qualidades que, decisivamente, a vida pregressa do jogador em questão não tem demonstrado.

O que me aterroriza é que não está excluída a possibilidade do Baixinho ser eleito. A nossa cultura, especificamente a do meio social em que Romário está inserido, vota com critérios que excluem o bom senso e leva para as urnas a paixão por um time de futebol.

O Brasil vai precisar ainda de muita escola, de muita maturidade e muito bom senso para que não se dê representação popular a pessoas sem o devido gabarito para exercê-la. Esta é a origem do mensalão, do caixa dois e de tantas maracutaias que ocupam grande parte dos noticiários.

Eu não posso deixar de dar a opinião de que política é coisa séria. Política, já para os gregos, era a melhor forma de administrar a \"polis\", a cidade-estado que predominava naquela época. Tudo muito longe da conduta ética que Romário tem manifestado nos campos de futebol.

Henrique Nicolini

Fonte: Coluna Além dos Fatos - Gazeta Esportiva