Opinião: O caso Edmundo consola os que querem uma faxina no futebol brasilei

15/02/2006 às 13h20 - IMPRENSA

Meu telefone tocou às 14 horas. A fonte tinha notícias sobre o Vasco. E claro que eram alarmantes, A juíza Cláudia de Souza Gomes, da 53ª Vara, decidiu que a dívida de mais de R$ 8 milhões que o clube tem com Edmundo terá que ser respondida pelo presidente Eurico Miranda e pelo vice de futrebol, José Luís Moreira. Trata-se de algo inédito no futebol brasileiro. A decisão ainda é em primeira instância e claro que haverá apelação. Mas, em resumo, se o Vasco não puder pagar, seu cartola-mor terá que bancar o prejuízo, inclusive disponibilizando o próprio patrimônio. Se não fizer, até os sócios, segundo o advogado de Edmundo, poderiam ser responsabilizados.

A cartolagem já avisou que apelará. E já disse que, caso o clube perca na apelação, terá dinheiro para pagar Edmundo. Evidentemente, Eurico não será atingido. No momento do sufoco, tudo se resolve com uma rapidez espantosa. Na hora H, todos chegam a um acordo. Agora... Essa decisão da juíza Cláudia de Souza Gomes escancara uma lei que era quase ignorada até hoje. A 10.672, parceira do Estatuto do Torcedor e que prega a moralização do esporte e abre a brecha para que os cartolas arquem com as dívidas contraídas em suas maravilhosas administrações. Enfim, o episódio servirá, no mínimo. para que alguns dirigentes levem um susto. Como alguns são irremovíveis dos seus tronos, só o constragimento aliado ao risco da perda já consola os que torcem por uma faxina total e irrestrita no futebol brasileiro.

Fonte: Blog de Lédio Carmona