Opinião: Precisamos resgatar o Vasco da sanha dos falastrões

03/02/2006 às 10h58 - POLÍTICA

As repetidas condenações na Justiça do Trabalho por conta de atletas profissionais que reclamam seus direitos líquidos e certos, tudo isso vai minando a credibilidade do clube. O próprio Presidente do clube, carregando diversas sentenças, afeta todo o quadro social que, em última análise, foi quem o elegeu. Agora estamos diante de uma situação surrealista - ou vergonhosa -, como queiram: o Vasco sendo utilizado para contabilizar gols em favor de Romário. Para isso vale tudo, inclusive solapar o pouco que ainda resta de disciplina na rotina esportiva do Vasco. É a velha discussão sobre o falso dilema das duas éticas e, pelo visto, o Vasco atual optou pela ética dos fins. Que pena.

Arranja-se um joguinho fuleiro aqui, outro ali, contra qualquer timinho de várzea ou sindicato e lá vai o outrora \"expresso da vitória\", servindo de instrumento para essa fraude esportiva. É bem verdade que, de vez em quando, aparece um Baraúnas pela proa. É bom para cairmos na real. Tomara que esse danado do milésimo gol chegue logo. Quem sabe poderemos voltar a jogar com onze lutadores em campo? Aliás, que mau exemplo deu nosso técnico ao dizer que o time do Vasco era Romário e mais dez. É assim que pretendem valorizar o atleta profissional do Vasco? Bem, talvez não sejam do Vasco e sim de algum empresário....

Mas estou sentindo no ar que, com a aproximação das eleições, mais uma vez o Vasco será jogado na vala comum dos inocentes úteis, utilizado como trampolim para arrecadar votos da nação vascaína que, por falta de cultura política, mistura política e esporte, assim como outros que não conseguem separar política e religião. Teremos eleições em novembro, estou com o MUV e não abro. Mas é preciso, desde já, que socializemos a preocupação de resgatarmos o Vasco da sanha dos falastrões que confundem coragem com bravatas.

O Vasco tem a gênese portuguesa e, sendo assim, deve se pautar pela imagem da concórdia, da fidalguia e da camaradagem. Tudo regado a bom vinho, bacalhau e muito azeite. Truculência jamais.

Fiquei assustado com o que vi na última eleição: pessoas rancorosas e alguns com pinta de jagunços, vascaíno com ódio de vascaíno, outros sangrando, literalmente. Pensei que os diretores presentes viriam em socorro dos agredidos, mas civilidade é palavra pouco praticada no Vasco destes dias. Se a atual administração do Vasco tivesse um mínimo de grandeza e desprendimento, seria o caso de renunciar para, abreviando as eleições, o Clube recebesse uma direção mais afinada com o passado que fez a grandeza do clube.

Percebo que a torcida está diminuindo e que a criançada não está aderindo ao Vasco espontaneamente, mas por hereditariedade. Até quando?

Gilberto Ramos

Fonte: Assessoria de Imprensa do MUV