Futebol

Pedro Emanuel: 'Mas é um fato e precisamos viver e lidar com isso'

O técnico do Vasco Pedro Emanuel analisou a derrota do Vasco para o Palmeiras, neste domingo, em São Paulo, por 4 a 1.

- É o reflexo da nossa entrada no segundo tempo. No primeiro tempo, sabemos que o Palmeiras, dentro de casa é muito forte. Faz uma pressão intensa nos primeiros minutos. Nós conseguimos conter. E no segundo tempo não conseguimos. Podemos abordar vários aspectos: falta de concentração, alguma passividade no primeiro gol. Se bem que foi um grande gol. Um gol é um momento muito importante no jogo quando dá a vantagem a qualquer equipe. Até a primeira parte, tivemos nossas oportunidades. A grande diferença que tivemos deste jogo para o último, é que nas três oportunidades que tivemos contra o Olímpia na primeira parte, nós fizemos duas. E hoje tivemos as mesmas oportunidades e não conseguimos fazer. Futebol é o gol, faz diferença. E tem o impacto forte. Esse período de 10 minutos nos tirou completamente do jogo. Poderia buscar justificativas, é um fato que estamos jogando de três em três dias e isso vai nos desgastando, principalmente, quando precisamos buscar o resultado. Mas era um jogo importante, nos preparamos muito bem porque sabíamos que íamos ter uma oportunidade, se vencêssemos, de saltar do Z-4. Por isso, tentamos, não conseguimos. Por isso, compartilho minha tristeza com nossa torcida, tínhamos expectativa alta. Hoje, se fizéssemos um gol poderíamos ter feito mais. Acaba sendo uma derrota penalizadora. Sete gols em dois jogos acho que é demasiado pelo que temos produzido. Mas é um fato e precisamos viver e lidar com isso. - Antes de tudo, é uma desilusão depois do primeiro tempo, o resultado final. Até demasiado.

Os três primeiros gols do Palmeiras foram marcados nos primeiros 10 minutos do segundo tempo e não deram possibilidade de o Vasco voltar ao jogo. Flaco, que já havia marcado, fez mais um aos 43. Nos acréscimos, Colídio descontou para o Vasco.

Veja outras respostas do treinador

Contato com Marcos Lamacchia

— Me faz perguntas muito difíceis de responder. Essa parte cabe a vocês pesquisarem. De fato o cumprimentei, conheci a pessoa, se apresentou, mas nada além disso. Foi uma cortesia da parte dele. Sobre o resto, estamos em uma luta, assim como outros torcedores e outras equipes que estão à nossa volta, fazendo a mesma pergunta. É um campeonato extremamente competitivo. Temos uma dificuldade a mais porque nossos concorrentes diretos já não estão em outras competições. Não vou deixar de dizer o que disse: não vamos abdicar de nenhuma competição, mas em alguns momentos temos que perceber que, para lutar e ter essa ambição, nos custa.

Gestão do elenco

— Podemos falar da gestão do grupo, do elenco, e vou fazendo isso pontualmente porque sinto que os jogadores estão dando boas respostas. É importante sentirmos o momento de cada jogador. E sobre os reforços, fiquei feliz pelos que entraram. Aqueles que entraram construíram nossos gols. Avellar, Facundo. Deu para sentir que estão aqui para ajudar. Essa é a única satisfação que levo do jogo. Queríamos ter feito mais e ser mais competitivo durante o resultado.

Desafio de gerir elenco nas decisões

— Pouco tempo para treinar? Nós nem treinamos. Tivemos dois dias a cada um dos jogos. É um desafio grande para todos nós. Principálmente pela forma como temos jogado. Queremos estar no jogo e isso desgasta bsatante. Tínhamos essa noção. Nós viemos jogar com o Palmeiras com menos um dia de recuperação. A seguir, vamos jogar a Copa do Brasil e o Brasileirão com menos um dia de recuperação. Essa questão, por menos importância que possa ter para a torcida, faz uma diferença brutal. Nós não jogamos com alguns jogadoresmporque não estavam recuperados totalmente. Eles fazem toda a recuperação, mas alguns organismos reagem de maneira diferente. Hoje notei isso. Exemplo concreto: Cuiabano, sentiu qualquer coisa e não queria sair. Mas a minha função é preservá-lo. Decisão que temos que tomar e custam para a equipe. Por que o Colidio não jogou? Não estava 100% e eu prefiro não arriscar. Prefiro uma equipe que seja competitiva. Eu tenho que ir com esses feelings. Hoje não foram bem, mas não deixo de acreditar nos meus jogaodres, mesmo que tenham erros de detalhes. Vamos para a Copa do Brasil da mesma maneira que fomos para a Sul-Americana, a equipe que entendo que está mais fresca e mais capaz para entrar no jogo. Mas vamos debilitados porque o tempo de recuperação é menor, é só ver o calendário.

Sobre não conseguir vencer jogando fora de casa no Brasileirão

— É um fato, não vou contestar isso. Não temos vitória fora de casa. É um objetivo que perseguimos. Olhando pro primeiro tempo hoje, faltou o gol para poder nos dar aquela vantagem que nos permite ter mais conforto no jogo. Já disse que, sofrendo três gols em 10 minutos, isso liquida qualquer equipe. Isso é algo que vamos debater porque são gols que podem acontecer pela qualidade dos jogadores do Palmeiras e pelo processo de jogo do Palmeiras. Acho que tivemos responsabilidade, acho que poderíamos ter feito mais pressão na bola. Mas foi um belo gol. São questões que podemos trabalhar e melhorar. Contudo, fora de casa, não tem sido nesta competição, porque na última quinta jogamos fora de casa e fizemos um jogo brilhante. Hoje não foi possível e temos que entender porque. Entendo que também foi uma linguagem corporal da equipe, de desgaste também. Os jogadores demonstraram vontade grande, entramos entusiasmados, mas fomos perdendo um pouco de gás no jogo. Queria ter feito alterações um pouco antes, e não perdendo de 3 a 0. Em alguns momentos tenho que compreender que esperava um pouco mais deles, mas isso faz parte quando estamos jogando de três em três dias. Eles têm mostrado uma vontade grande, de estar em todas as competições e ser competitivos em todos os jogos.

Como pretende fazer a dupla de zaga

— Minha preocupação é recuperar para o Vitória. É o que me preocupa neste momento. Sei que temos jogadores capazes. Freitas não tem jogado tanto porque Robert e Cuesta estão dentro do que pretendo, as vezes é até injusto. Mas ele é capaz, está preparado para isso. Por isso, não é uma questão que me tira o nosso nesse momento. Queremos corrigir a concentração, o comportamento junto da equipe, trabalhar para não sofrer gols, ou sofrer, mas não sofrer três ou quatro.

Utilização da base

— Achei que hoje era o momento ideal para algum desses meninos que têm demonstrado qualidade na base, de viver um pouco disso de grande competição, em um jogo contra o Palmeiras em casa. Eles têm mostrado bastante. Claro que vão errar, que vão demonstrar momentos menos bons. Mas fiquei satisfeito porque o Ramon tem entrado sempre bem, tem mostrado capacidade, mas não é de um dia para o outro. Temos que dar tempo, oportunidades. O Avellar teve oportunidade. Naturalmente, entrou um pouco nervoso, o resultado não ajudou. A equipe estava fragilizada, mas assim que crescemos como jogadores e homens. Mostrou caráter e vontade. Vai continuar a evoluir. Mas não é fácil. Quero ajudar a crescer, mas não quero expô-los em demasia para que não sejam demasiado julgados. Havendo um equilíbrio vamos continuar a fazê-los crescer. Dentro desta perspectiva, jogador não tem idade, tem qualidade. Aquele que mostrar mais qualidade, vai ter mais oportunidades.

O que acha que falta para ajustar o equilíbrio do Vasco

— Acredito que o pilar mental é o fundamental. Trabalhamos muito a parte técnica, tática e física. Mas temos uma preparação mental e se formos ver o histórico do Vasco, há uma questão mental que vem oscilando bastante. Um sentimento de euforia, até pela torcida nos envolver nesse sentimento de euforia, como em Assunção, mas também momentos de frustração. Isso afeta a tomada de decisão. Traz o receio de errar. Quando não estamos fortes mentalmente, isso cria ruídos e nos tira a confiança. Temos vindo a melhorar bastante nesse aspecto. Foi possível ver contra o Olimpia, porque tomamos gol e reagimos no jogo. Hoje não foi assim. Sofremos três gols muito seguidos. Temos que entender porque e porque em algum momento estávamos competitivos e depois sofremos três gols em dez minutos. Acho que a parte mental já melhorou bastante. Tenho sentido mais fluidez na forma como a equipe joga e em algumas partes do primeiro tempo fiquei feliz com a forma como jogamos, como tivemos a bola, da grande complexidade e compromisso dos jogadores. Fiquei muito satisfeito pelo comportamento. Depois, naturalmente, fiquei como todos nós ficamos: frustrados com o resultado final. Tenho costas largas, estou acostumando a apanhar e vamos seguir trabalhando.

Parte mental

— Acrescentaria o Santos. Nós, com o Santos, até o momento que sofremos gol, tivemos três oportunidades claríssimas. É um fato relevante. Quando sentimos que estamos bem no jogo, e depois levamos um soco no estômago, é um desalento muito grande. Contra o Olimpia, mostramos reação. É a grande diferneça que tem acontecido nos jogos que temos perdido. Temos oportunidades, mas não concretizamos. Isso é um impacto muito positivo e muito negativo quando sofremos. Sentimos que o jogo vai cair para nós, mas levamos um balde de água fria. Temos que seguir acreditando que seremos os primeiros a marcar.

Foto: VascoTV, Reprodução/YoutubePedro Emanuel
Pedro Emanuel

Fonte: ge