Futebol

Pedro Emanuel: 'Não fomos capazes de jogar por 90 minutos'

O Vasco perdeu por 3 a 0 para o Santos em São Januário em um confronto direto contra a zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Pedro Emanuel classificou a atuação do time carioca em duas: um desempenho antes e depois do gol de Gabriel Barbosa, que abriu o placar.

Na visão do treinador, a equipe se desestabilizou após levar a bola na rede. Emanuel destacou que a parte mental é tão importante quanto outros aspectos do jogo, além de reconhecer a falta de gols. Foi mais um jogo que o Vasco criou oportunidades e não conseguiu concretizá-las.

— Hoje tivemos dois jogos. Um jogo até levarmos o primeiro gol, nós sabíamos que teríamos dificuldades contra o Santos, é natural. Nos preparamos para ter a bola e não permitir contra-ataques, acho que o conseguimos fazer (até o primeiro gol). A diferença tem a ver com eficácia. Tivemos oportunidades e não conseguimos fazer, já sei que vocês vão me perguntar isso (falta de gols), é preocupante para nós. Não marcamos há três jogos. De fato criamos muitas oportunidades, hoje essas podiam levar ao conforto que deu o conforto ao Santos. O jogo pode se transformar em um paraíso ou um pesadelo - afirmou.

— Hoje fizemos tudo até o primeiro gol para nos levar à glória, mas não deu certo. Todo nós ficamos desiludidos com o resultado final. Estávamos crescendo, não fomos capazes de jogar por 90 minutos, perdemos contra um adversário direto, eles tiveram a melhor oportunidade do primeiro tempo. A derrota de 3 a 0 é bastante pesada, hoje é tudo negro, mas amanhã é um novo dia. Acreditei que hoje seria o dia da virada, estou desiludido. Não podemos sair do jogo ao minuto 70 por causa de um gol. Este é um fator mental, o futebol não é só tático e físico - completou.

A avaliação do treinador é de um Vasco que participou no ataque, mas pecou justamente pela má qualidade de finalizações. O time finalizou 19 vezes, a terceira maior marca desde a chegada de Pedro Emanuel, mas acertou o alvo apenas três vezes. O Santos deu 11 chutes, o suficiente para fazer o placar positivo.

— A grande diferença é a eficácia. O que me interessa é onde tivemos a posse de bola e quantas vezes conseguimos finalizar dentro da área do adversário. Hoje foi abismal a diferença que existiu. Falta eficácia. Esse é um grande desafio. Mas falta, acima de tudo, uma palavra que nós temos que usar mais vezes no momento em que entramos na área do adversário, que é o altruísmo. É eu agora trabalhar para o meu companheiro e, em seguida, ele trabalhar para mim. O que isso quer dizer? Termos mais capacidade de definir melhor. Nem sempre, quando estamos dentro da área, temos que finalizar. Temos que ter a coragem de fazer isso, mas escolher bem os momentos. E acho que hoje até conseguimos fazer isso em muitos momentos, tanto no primeiro quanto no segundo tempo, porque temos mais do que o triplo das finalizações dentro da área que o Santos teve. Acho que tivemos mais oportunidades no geral.

Mais declarações de Pedro Emanuel

Problemas ofensivos do Vasco

— Normalmente, nós tendemos a analisar o jogo de uma forma geral, mais completa. E, até o momento em que sofremos o gol, estávamos claramente por cima no jogo. As alterações que eu faço são no sentido de injetar energia, de nos dar um pouco mais de profundidade, de podermos empurrar um pouco mais o Santos para trás, mesmo tendo criado logo no início duas ou três situações. Eu me lembro, assim de cabeça, do Tchê Tchê logo no início do segundo tempo, lembro do Robert com um cruzamento.

— Agora, não conseguimos ser eficazes. E isso, só com trabalho. E digo já: nem ontem achava que éramos a melhor equipe do mundo, nem hoje acho que somos a pior. Sabemos qual é o nosso caminho. Sabemos que temos esses tropeços duros, são muito duros, não vou mentir. Estou com o mesmo sentimento com que toda a nossa torcida saiu daqui do estádio. Acho que fizemos o suficiente, mas, no fim, esse resultado é penalizador demais. Mas é a realidade, e temos que seguir em frente.

Pretende usar garotos da base no ataque?
— Nós percebemos perfeitamente a qualidade que temos na base. Mas não quero queimar etapas. Eu quero promover a base, dando oportunidades nos momentos certos. Acredito muito que há qualidade ali. Alguns treinam conosco e tem muita gente boa ali. Não são só o futuro, mas serão o presente do Vasco. Hoje era um jogo muito específico, a ideia era fazer algo e às vezes surge um revés, que foi o gol (do Santos), que altera o comportamento da equipe. Tínhamos tempo para alterar o rumo dos acontecimentos, e vamos melhorar nisso. O primeiro gol foi penalizador para nós. Estávamos bem confortáveis, e às vezes o excesso de confiança faz mal no futebol.

Lesão de Jair

— Infelizmente sentiu um desconforto pela sequência de jogos. Acredito que não seja nada, foi mais pela precaução (a saída). Depois do tempo parado que ele ficou, é melhor não arriscar. Ele tem uma influência grande na equipe.

Estreias de Sosa e Colidio
— Sosa é um jogador novo, só teve quatro ou cinco treinos com a gente, ainda é muito pouco para a gente se inteirar. Eu me joguei um pouquinho no fogo, poderia ter optado pelo Barros. Pela forma como estava o jogo, preferi ter mais qualidade na posse, e escolhi o Santiago. Barros fez um excelente jogo na quinta-feira (Sul-Americana), ele seria um complemento para nós para fechar a caso estivéssemos com vantagem. Hoje foi uma grande lição para nós. Estamos atravessando um grande momento, mas foi uma pancada. Temos que corrigir o que precisa ser corrigido e crescer novamente.

Entrada de Marino

— A ideia do Marino e daquela tripla substituição que até seria uma dupla, mas o Piton também não demonstrou o frescor que pretendíamos e, por isso, tivemos que substituí-lo, era dar mais profundidade ao nosso jogo, permitir ter uma presença na área mais fresca, mais agressiva, como é o caso do David, porque é nisso que ele é bom, efetivamente: no duelo físico, no ataque ao espaço. E, depois, dar profundidade com dois jogadores mais rápidos, potentes e que pudessem criar desequilíbrios no um contra um. O Marino tem isso. Não tem passado por bons momentos aqui no Vasco, mas eu também fui ver jogos anteriores do Marino, e é isso que ele poderia acrescentar à equipe. Tem treinado bem nos últimos dias e me pareceu que poderia acrescentar algo mais.

— Agora, isso é muito difícil para um jogador que entra, e não estou desculpando nem o Marino, nem nenhum dos outros que entraram e, dois ou três minutos depois, sofremos um gol. Isso altera completamente o estado de espírito da equipe. Essas opções poderiam ter sido o Adson? Claro que sim. O Adson tem feito muito bem aquilo que eu peço. É um jogador entre linhas, um jogador que consegue chegar. Inclusive, no último jogo, fez um gol que foi anulado. Agora, é um jogador entre linhas que não ataca tanto a profundidade, não é tão potente atacando a profundidade. É mais técnico. E o Santos estava se fechando muito bem entre as linhas, acumulando jogadores ali e fechando a zona da área. Precisávamos conseguir criar desequilíbrios no um contra um pelos corredores laterais.

Foto: Matheus Lima/VascoPedro Emanuel
Pedro Emanuel

Fonte: ge
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