Procurador não acredita em punição severa para Juninho

17/10/2012 às 22h21 - POLÍTICA

Juninho Pernambucano, Juan e Ricardo Berna quebraram o protocolo da comissão antidoping da CBF e serão julgados no Superior Tribunal de Justiça Desportiva por conta disso. Chamado cadeia de custódia, o protocolo funciona da seguinte maneira: membros da comissão antidoping da CBF, presentes em todos os jogos, sorteiam dois jogadores de cada equipe para realizar o exame. Ao término da partida esses membros vão até os jogadores e os encaminham até a sala onde será realizado o exame. Os atletas têm que ir direto do gramado para a sala. Juninho, Juan e Berna foram primeiro ao vestiário e por isso vão ser julgados por infringirem tanto artigos da Agência Mundial Antidoping (Wada) como do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). No fim das contas, as punições aos atletas podem variar entre uma advertência a dois anos de suspensão. Entretanto, Paulo Schmitt, procurador geral do STJD, não acredita em pena severa.

- Eles não se recusaram a fazer o exame, apenas violaram uma norma. Isso vai ficar a critério dos auditores, mas não acredito na punição de dois anos por conta disso - disse Schmitt.

Para o procurador do STJD, o julgamento desses três atletas tem um caráter educativo para o futebol.

- Não tenho dúvida que essa denúncia tem um caráter pedagógico. É inédito para nós, nunca denunciamos algo assim. É importante para atletas saberem que é preciso seguir os protocolos e procedimentos. Os atletas têm que sair diretamente do campo para a sala de coleta. Como não o fizeram, essa conduta tem múltiplas infrações em que o clube pode ser punido por ter deixado isso acontecer. A multa pode chegar a R$ 100 mil para os clubes, enquanto cada jogador vai responder pelo código por falta de ética, sendo punido em número de partidas (de uma a seis) - acrescentou.

O caso de Juninho Pernambucano, Juan e Ricardo Berna é apenas um exemplo do que está para acontecer. A Fifa não vai aliviar os jogadores que quebrarem o protocolo para exames antidoping em 2013. Schmitt afirmou que a entidade máxima do futebol vai apertar o cerco e não vai dar brechas para possíveis fraudes nos exames.

- Fiquei sabendo por um membro da comissão antidoping da CBF que para 2013 a Fifa vai deixar esse protocolo muito mais rigoroso. Por exemplo, se o atleta não for diretamente do gramado para a sala de exames, ele pode burlar o exame. Parte da premissa que houve uma espécie de fraude. A ideia é que em 2013, se o jogador quebrar esse protocolo, será como se o exame automaticamente fosse positivo para doping.

Denúncia é reflexo do trabalho de nova comissão

Para Schmitt, essa inédita denúncia se deve aos novos membros da comissão antidoping da CBF, que mudou quando José Maria Marin assumiu a posição de presidente da entidade no lugar de Ricardo Teixeira.

- É um pessoal preocupado com a questão de doping e está querendo mudar. Só para você ter ideia, estou há oito anos à frente da procuradoria e nunca tive uma reunião com a comissão antidoping. Tivemos uma há três semanas que definiu alguns pontos a serem trabalhados. Acertamos que a comissão será comunicada de todas as denúncias de doping, estamos cansados de termos julgamentos no Brasil e lá fora depois a punição mudar. Sugerimos também que sejam feitos exames fora de competição e que sejam escolhidos mais de dois atletas por exame - disse

Entenda a denúncia

O julgamento de Juan será nesta quinta-feira, enquanto Juninho Pernambucano e Ricardo Berna serão julgados na sexta-feira. Os três foram enquadrados em dois artigos do Código Mundial Antidoping: 2.3 (recusar-se ou não apresentar uma justificativa válida a submeter-se a coleta de amostra após notificado de acordo com as regras antidoping) e 2.5 (adulteração ou tentativa de alteração de qualquer componente de controle), combinados com artigos do Regulamento de Controle de Dopagem da CBF/2012. Se forem punidos nesses artigos, eles podem pegar de uma advertência até dois anos de suspensão. Além disso, também responderão ao artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), por “assumir qualquer conduta contrária à ética desportiva”, que prevê suspensão de até seis partidas.

Fonte: GloboEsporte.com