Futebol

Quinze toques levam ao gol. E às lágrimas...

Com as mãos no rosto, Romário enxugava as (muitas) lágrimas que insistiam em descer pelo seu rosto. Olhando para o céu, agradecia a precisão do pênalti cobrado 16 minutos antes, quando finalmente rompeu a barreira dos 999 gols na carreira.

Mas até o clímax da festa do milésimo, neste domingo, em São Januário, houve a tensa expectativa que se repetira outras quatro vezes. Mas, contra o Sport, houve a colaboração de quem no início apareceu como vilão, mas no fim tornou-se um grande amigo.

O papel coube a Durval. Aos 25 minutos do primeiro tempo, o zagueiro do Rubro-negro pernmbucano impediu de cabeça o milésimo gol. Mas, logo no início da etapa final, deu uma \"cortada\" com a mão esquerda e o árbitro Giuliano Bozzano assinalou o pênalti. Quando a bola cruzou a linha o relógio marcava exatamente 19h17m, do dia 20 de maio de 2007. Um domingo.

Dia de Vasco x Sport, que começou com Romário entrando em campo à frente dos companheiros. Durante o pré-jogo, nada de palavras à imprensa. Assim que a bola rolou, a estrela da noite em São Januário sentiu que havia algo errado e abaixou-se para amarrar a chuteira esquerda.

Ele sequer havia tocado na bola quando André Dias abriu o placar, aos 5 minutos. Mesmo assim, abraçou o companheiro e se benzeu. O primeiro passe aconteceu aos 12 minutos. O primeiro tempo prosseguiu e, de relevante mesmo, só a cabeça salvadora de Durval.

Romário intercalou seu cooperzinho dentro de campo com uma rápida hidratação com a água do Sport, aos 34 minutos. Mas no segundo tempo, ele nem precisou se esforçar para conseguir a chance que buscava há quatro jogos.

Logo com um minuto, Thiago Maciel cruzou e Durval colocou a mão. Olhando fixamente para o goleiro Magrão, o artilheiro acertou o canto esquerdo, enquanto o candidato a antagonista caiu para o lado oposto. O êxtase em São Januário contagiou o craque, que precisou de apenas 15 toques na bola para atingir seu objetivo.

Dentro do gol, o camisa 11 recebeu cumprimentos de seus companheiros e um beijinho especial de André Dias. Depois, sumiu na multidão de jornalistas e familiares. As lágrimas surgiram sem cerimônia, mas o esperado discurso \"social\" ficou para a próxima.

- Não tinha nada planejado. Poderia falar sobre vários acontecimentos que vivemos diariamente, mas seria somente mais um. Só quero agradecer a todos que me acompanham desde o início - declara o jogador.

A festa durou 16 minutos e teve direito a volta olímpica. No reinício do jogo, ele demorou a recuperar-se da emoção e correu, aos 23 minutos, para abraçar o técnico Celso Roth. A participação do Baixinho na noite histórica terminou aos 40 minutos, quando foi substituído por Alan Kardec e recebeu os justos aplausos dos 16.682 torcedores presentes.

Fonte: ge
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