Ramon admite que vive momento decisivo na carreira

17/06/2020 às 08h18 - FUTEBOL

Ramon é um dos melhores laterais que surgiram em São Januário nos últimos anos - explodiu no Vasco após poucos jogos como profissional do Internacional -, porém vive momento decisivo na carreira. "Autocrítico e realista", como o próprio se define, o capixaba, apesar de ter apenas 32 anos, vê a possibilidade de pendurar as chuteiras bater à porta.

Sem jogar desde novembro de 2018, quando rompeu dois ligamentos do joelho esquerdo, o atleta tem investido pesado para voltar aos campos. Dedica-se aos trabalhos físicos e recorreu até mesmo a um médico de sua confiança para se livrar de dores e inchaços no local no mês de março.

Na semana passada, ganhou injeção de ânimo ao rever o título da Copa do Brasil de 2011 e se emocionar durante live da Vasco TV juntamente com Diego Souza, Fellipe Bastos, Fernando Prass e Alecsandro. Rememorar o auge da carreira o inspira a voltar jogar em alto nível. Mas, caso não consiga se sentir seguro para seguir atuando, Ramon já sabe o que fazer: deixar os gramados. Como ainda acredita, o lema do atleta, natural de Cachoeiro de Itapemirim-ES, é desistir jamais.

"Não tem como eu não falar dessa pergunta que você me fez. Realmente sim é uma coisa que do início de 2020 para cá tem se passado muito na minha cabeça. Muito. As pessoas que me conhecem sabem que sou muito autocrítico e realista acima de tudo. Eu não fantasio as coisas. É um ano muito decisivo porque quando começa a passar pela sua cabeça algumas vezes que pode ser a hora de parar é muito difícil.

Ninguém quer parar, quanto mais eu, que sou atleta desde os 8 anos de idade. Isso é a minha vida. Brinco que a minha vida vai começar do zero quando eu parar porque a única coisa que sei fazer é jogar bola.

Não tenho vergonha ou medo de falar isso. "Às vezes vem alguma coisa na minha cabeça e diz: "Ramon, você não vai conseguir. Pode ser que você não consiga". Ano muito decisivo. Caso eu não tenha uma regularidade e não consiga voltar 100%, em 2021 já vou traçar novos rumos. Mas eu prometo que vou lutar até o último minuto para jogar.

Se parar de jogar, vou continuar no futebol com certeza, vou estudar e ver que área. Vejo que tenho muito como ajudar no futebol, creio que na parte empresarial. É uma coisa que quero e que acho que tenho total perfil para isso. Também não descarto diretor executivo. Gosto de fazer negócios, dessa parte de contratar. Acho que também tenho esse perfil".

Leia o papo com Ramon na íntegra abaixo:

Você se emocionou ao rever a Copa do Brasil 2011, competição em que se destacou. Assistir aos jogos em resenhas com seus amigos é uma inspiração para voltar a jogar em alto nível?

- Claro, muito emocionante. A gente rever conquistas e coisas boas é sempre muito bom. Estar com aquela galera que era da resenha, que geralmente sentava lá atrás no ônibus, ia fazendo pagode até o jogo e botava o som mais alto... Era a galera mais extrovertida do grupo. É legal porque já faz nove anos e, mesmo assim, a gente ainda tem contato. Nós viramos amigos. A bola passa, e o que fica são as amizades e os contatos que temos na vida.

Com certeza é uma inspiração. Vivo um momento de incertezas e rever os jogos, os lances e a maneira que eu jogava com certeza é algo que me dá um gás e moral para eu seguir nessa minha luta aí.

Imagino o quanto você sofre por não jogar desde de novembro de 2018. Como tem lidado com isso e a que pessoas recorreu?

- Tem sido muito difícil para mim esse tempo porque eu sempre bato na trave. Aí tem uma dorzinha ou um inchaço que me faz regredir de novo. Realmente mexe muito com o meu psicológico e indiretamente acaba afetando as pessoas mais próximas a mim, que são minha esposa, minha filha e a minha família. Meus amigos também, claro que sempre me passando coisas muito positivas, mas nunca deixando de ser realistas. Amizade não é só bater nas costas do amigo e dizer que está tudo bem. É dar força, mas dizer "você precisa melhorar aqui e ali". Isso tem sido muito importante para mim.

Quem foram as pessoas mais importantes nessa recuperação?

- São meus pais, meus irmãos, minha esposa, minha filha e meus amigos mais próximos. Eles estão sempre muito preocupados comigo, até muito mais com o ser humano do que com o atleta. Porque eles sabem como eu me cobro e como me sinto quando tenho alguma dor... Quer dizer dor eu tenho todo dia (risos). Mas quando não consigo fazer as coisas que eu tenho que fazer profissionalmente, quando estou para baixo ou quando quero ficar em casa. Enfim, são essas pessoas que mandam mensagem, vão na minha casa e fazem um churrasco comigo ou pedem alguma coisa para comermos.

Tentam espairecer minha cabeça. São essas pessoas que têm me ajudado bastante porque é uma coisa muito ruim para a cabeça. Você começa a pensar coisas muito ruins, e eu não sou assim. Sou uma pessoa muito alegre e muito feliz, e isso que eu tenho passado tem me deixado bastante triste e bastante para baixo.

Vocês perderam Marrony. Com o atual elenco, dá para brigar pela Sul-Americana ou por boas colocações no Brasileiro?

- Marrony é uma promessa, tive a oportunidade de jogar com ele em 2018, quando subiu. Menino muito promissor, alto, passada larga, leve e bom na bola aérea. Claro que, como todo jovem, precisa amadurecer as partes técnica, tática e de concentração, o que é normal na vida.

É um garoto que eu tenho certeza que futuramente vá ter alguma venda para algum clube médio a grande da Europa. Ele tem um perfil que se encaixa em alguns países como França e Espanha. Até mesmo na Alemanha. São jogadores que têm força, são altos e muito rápidos. Acho que ele tem esse perfil de jogador europeu. Espero sim que se dê muito bem porque torço muito por esse moleque.

Elogios ao xará Ramon Menezes e novas condições do futebol

- Com essa pandemia e ninguém contratando porque o mercado já mudou, o futebol será outro em questão de valores e contratos. Agora veio o Ramon, meu xará, um cara de quem sou sou fã desde criança, até em função da identificação pelo nome. Um cara que está mexendo bastante com o brio do grupo, está dando responsabilidades táticas, que eu acho muito importante.

É você fazer o seu para depois ajudar o amigo. Acho isso um conceito muito bom. Se cada um fizer o seu bem feito, ninguém vai errar teoricamente. Então você vai estar mais pronto para ajudar o colega. Primeiro a gente tem que montar essa equipe forte, começar o Brasileiro, porque esse ano vai ser muito diferente, para eu poder dar possibilidade de onde podemos chegar na competição.

Qual seu sonho para esse final de 2020, tanto pessoalmente quanto esportivamente?

- Quero primeiro que essa pandemia acabe de uma vez para que todos nós possamos voltar à normalidade das nossas vidas. Isso vai mexer muito com a economia do nosso país, muitas pessoas vão passar dificuldades. E que obviamente eu consiga voltar a jogar. Estar disponível 100%, brigando por posição e estando ativo 100% do tempo. Isso que eu quero para 2020.

Caso não aconteça a segunda opção, até faltam palavras... Aí vamos traçar novos rumos, dar um novo rumo com certeza no futebol. Vou começar a botar em prática os contatos que fiz durante a bola para que eu possa me achar na vida pós-futebol. Até porque, como falei, minha vida vai apenas começar.

Fonte: GloboEsporte.com