Futebol

Rival: Abel Ferreira critica gramado de São Januário

O Palmeiras venceu o Mirassol por 1 a 0 neste domingo (26), no Allianz Parque, no primeiro jogo no estádio em 2026. A casa palmeirense passou por uma troca de gramado sintético, que foi elogiado pelo técnico Abel Ferreira. O português ainda criticou os gramados de Vasco e Novorizontino.

"Oito jogos em 30 dias, jogos, pelo menos os dois últimos, em campos extremamente pesados, campos horríveis. Dar os parabéns ao Palmeiras e à WTorre, temos um gramado top, não há buraco, pode chover dia e noite que a bola rola", afirmou, em entrevista coletiva.

O treinador também voltou a reclamar do calendário do futebol brasileiro.

"Não é problema. Mas tenho falado isso e não vou cansar, a forma como os jogos são marcados condiciona o desempenho. Não ter três dias de recuperação é desumano, é como fazer uma chamada de 90 minutos e só ter bateria para 45 minutos. Não há milagres. Acima de tudo, fica o esforço da equipe em relação ao que é o campeonato no Brasil", disse.

"Não tem como. Pode buscar o Messi, o Ronaldo, os melhores do mundo... e façam o que estamos fazendo. Não é só o Palmeiras. É para o bem do futebol brasileiro. Infelizmente, em função do Palmeiras ter ido à final, outras equipes preparam os jogadores. Quantos lesionados tivemos depois da final? E condicionados? Por que o Piquerez não joga? Vou dizer o que penso. É inacreditável o que fazem com os jogadores brasileiros. Sabe quantos jogos o Mirassol fez nos últimos 30 dias? 3. O Palmeiras fez dois e em campos inacreditáveis. Sabe a diferença da grama brasileira para a europeia? Ela é lenta. Os jogadores não recuperam e fica um jogo lento. E depois jogar de forma desigual, uma equipe fresca, com 3 jogos em 30 dias... e outra equipe, com bons jogadores, com melhores jogadores, mas não dá", criticou.

"Essa responsabilidade não é minha, é de quem marca os jogos e não cria condições pros jogadores recuperarem. E tem interferência no resultado final. Você acha normal jogarmos contra o Mirassol e eles tendo um dia a mais... vamos jogar contra o Botafogo, e eles têm um dia a mais... eles têm muitos jogos ao longo do ano pois fizeram Libertadores. Contra o São Paulo, um dia a mais... é obrigatório dar três dias de descanso. Alguém ouviu? Alguém quer saber? Não", completou.

O desabafo seguiu.

"Gosto do Palmeiras, gosto de estar aqui. Sei que é assim. Mas enquanto estiver aqui, vou dizer o que penso. Já falei muito sobre Data Fifa. Será que é possível fazer um calendário igual ao europeu? Coisas difíceis são para pessoas inteligentes e organizadas. Palmeiras foi abaixo no segundo tempo contra o São Paulo, sofreu e muito para ganhar do Mirassol. E tenho justificativa. É fácil saber. É não criar as mesmas condições. Você acha que depois de um título contra o Novorizontino, viagem de noite, não dormimos, nem tempos tivemos para celebrar, dois dias depois vamos jogar contra uma equipe que teve 11 dias de preparação. E nós fizemos um primeiro tempo muito bom, mas depois (caímos). O Palmeiras na segunda parte sofreu. Quer que eu diga o quê?".

"Por quê? Vocês podem me ajudar. Se querem bom espetáculo, criem condições. Nosso gramado é top. E recuperar os jogadores? É um país continental. Não vou me falar. É minha opinião. Não precisa concordar. O que fazem com jogadores do Palmeiras, do Flamengo, do Cruzeiro, do Corinthians é desumano. Lembro, quando estava na Europa, eu mudava de canal. Não quero ver. Não tem velocidade, não tem intensidade... cheguei aqui, senti na pele e sabemos por que veem o futebol brasileiro de outra maneira. Quando jogamos o Mundial, com as mesmas condições, os clubes brasileiros seriam os coitadinhos e viram que temos intensidade, que sabemos jogar. Sabe por quê? As condições são iguais para todos. Aqui, ao longo do ano, não", finalizou.

Fonte: ESPN