Rossi: 'Quando a gente joga em São Januário, o bicho pega'

06/09/2019 às 08h16 - FUTEBOL

O atacante Rossi é um cara autêntico. Hoje prestigiado junto ao torcedor do Vasco por conta de seu estilo aguerrido em campo, ele iniciou sua sintonia com os cruz-maltinos, literalmente, a partir da arquibancada de São Januário.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o jogador de 26 anos revelou que acompanhou 'in loco' o primeiro jogo da equipe carioca no meio da torcida. Nem tanto disfarçado, ele viu de perto o time em ação nas arquibancadas do estádio São Januário, logo depois de assinar contrato de empréstimo com o clube até o fim deste ano.

"Eu assisti o jogo na arquibancada. Se eu não me engano, foi contra o Americano [1 a 0 Vasco, pelo Estadual]. Não sabia onde os jogadores ficavam, onde tinha o camarote e tal, e aí fiquei na arquibancada, só que eu botei o boné e ninguém me viu (risos)", se recorda.

Na ocasião ainda sem a família no Rio de Janeiro, Rossi aproveitou para dar um de seus ingressos a um pequeno torcedor: "Eu estava com dois ingressos e ele estava pedindo um na rua. Aí eu o chamei para entrar comigo, ele ficou do meu lado assistindo o jogo na arquibancada."

Apesar de ter curtido a experiência pouco habitual, o atacante admite que foi difícil presenciar as "cornetas" na arquibancada. "É diferente, porque ali a gente ouve muito corneteiro (risos). É difícil você ouvir um companheiro sendo xingado (risos)", se diverte o jogador.

São Januário: "um ambiente hostil"

A situação fez Rossi conhecer de perto o que é a pressão da torcida em São Januário. Agora acostumado com os jogos no estádio, o atacante utiliza até uma frase comum dos torcedores para classificar o local:

"Ali é um ambiente hostil, como costumamos falar. É diferente. Quando o torcedor vai realmente, o nosso time encarna essa força que vem da arquibancada, por isso, nós [jogadores] e o professor [Vanderlei Luxemburgo] brigamos para que os jogos sejam disputados em São Januário e não em outro lugar. Quando a gente joga em São Januário, o bicho pega", analisa.

Saiu do Fluminense por fazer 'besteira'

Poucos sabem, mas a trajetória de Rossi no futebol carioca teve início no Fluminense em 2010, ainda nas categorias de base, onde ficou do sub-17 ao sub-20. Sincero, o atacante admitiu que a indisciplina não o permitiu se profissionalizar no clube das Laranjeiras:

"A base do Fluminense sempre foi muito forte, e eu também sempre fui de fazer muita besteira nas concentrações, então, acredito que foi isso também. Eu saí porque eu fiz alguma besteira lá no Fluminense, mas não me recordo agora. Sei que do Fluminense fui para a Ponte Preta, acabei subindo para o profissional por lá e segui minha carreira", recorda.

Levou 'puxão de orelha' por apoiar Bolsonaro

Sempre disposto a não ficar em cima do muro, Rossi agitou as redes sociais no ano passado ao manifestar diversas vezes seu apoio ao então candidato e hoje presidente da República, Jair Bolsonaro.

Na ocasião ele defendia o Internacional por empréstimo e foi recomendado pela diretoria para que não opinasse sobre política. "Cheguei a tomar um puxão de orelha do Rodrigo Caetano [diretor-executivo do Inter]. Ano passado, foi eleição e tem torcedores que xingam, que apoiam, outros que não respeitam. Mas eu procuro ser assim, autêntico. Em qualquer profissão, seja um médico, um jogador de vôlei, de basquete, ele tem que se posicionar."

Amigo de Pikachu desde os 15 anos

A parceria entre Rossi e Yago Pikachu vai muito além do setor direito da equipe do Vasco. Segundo o atacante, eles se conhecem desde adolescentes no Pará e já atuaram juntos na base.

"Somos amigos desde os 15 anos. Chegamos a jogar juntos no Pará. Disputamos uma Copa São Paulo pelo Castanhal, mantivemos contato, jogamos contra quando eu estava na Chapecoense e ele no Vasco. Quando vim para cá, a primeira pessoa com quem entrei em contato foi com ele. Perguntei: 'e aí, Pikachu! Como está o Vascão?' E ele respondeu: ' Está bem, vem que você vai nos ajudar'. Acabou que estamos fazendo essa parceria agora", destaca.

Pikachu é da capital Belém. Já Rossi é do interior, da cidade de Prainha, o que, segundo ele, justifica as "sufocadas" que ele dá no açaí, fruta típica da região e que o lateral traz com frequência para o Rio de Janeiro.

"Ele mora na capital. Para mim é mais difícil [trazer o açaí], porque eu moro numa região mais fechada. E os parentes dele vêm direto para o Rio, e ele vai para lá de vez em quando. Então, eu falo: 'traz três litros lá para mim' (risos)".

Virou cupido de Marcos Júnior

Uma situação que causou frisson nas redes sociais há cerca de dois meses foi um suposto affair entre o volante Marcos Júnior e a cantora de funk MC Pocah. A torcida do Vasco resolveu "comprar o barulho" para unir o casal após Rossi servir como "cupido" do companheiro de clube em comentários no perfil da funkeira no Twitter. O que não se sabe, porém, é se, de fato, "rolou".

"Eu dei uma força, mas não sei se ele ficou com a garota (risos). Só sei que ele já está namorando outra e a gente está zoando ele pra caramba no vestiário (risos). Mas é um garoto muito gente boa e que está nos ajudando."

Inspiração em Edmundo

O estilo aguerrido em campo é inspirado em um ex-jogador que o torcedor do Vasco conhece bem: Edmundo, um dos maiores ídolos da história do clube.

Rossi revela que já teve a oportunidade de encontrar com o hoje comentarista da Fox Sports e declarar a sua admiração pelo Animal. "Edmundo sempre foi meu ídolo. Já trocamos ideia algumas vezes. Na minha chegada, eu falei que ele era o cara que me inspirava. Estou muito feliz de jogar num clube que ele virou ídolo e espero fazer um pouco do que ele fez aqui no Vasco", declarou.

Em sua avaliação, sua entrega dentro das quatro linhas tem ajudado a criar essa identificação com os vascaínos.

"Acho que é difícil ter atacante assim, que contribua no ataque e defesa, mas acredito que o jogador da minha posição, no futebol moderno de hoje, tem que fazer isso: atacar e defender. Em todo clube que passei, procurei ajudar taticamente, e acho que isso que o torcedor enxerga em mim. Espero que esse namoro dure muito tempo", destaca.

Futuro

Rossi está emprestado pelo Shenzhen, da China, até o fim desta temporada e seu futuro ainda está indefinido. A princípio, ele terá que se reapresentar ao clube chinês, mas o atacante prefere deixar a situação em aberto:

"É uma situação difícil, porque o chinês não é fácil de lidar. Meu empréstimo foi muito complicado. Tive que abrir mão de muita grana para vir para cá, então, vamos conversar até o fim do ano. Tem grande possibilidade de ficar, mas vamos ver."

Fonte: UOL Esporte