Só Dudar sobrevive ao fracasso dos gringos no Rio

09/12/2006 às 12h04 - FUTEBOL

Clubes cariocas começaram a temporada investindo pesado em estrangeiros, mas o único sobrevivente foi o zagueiro argentino.

No ano passado, os dois melhores jogadores do Campeonato Brasileiro foram estrangeiros (o argentino Tevez, do Corinthians, e o sérvio Petkovic, do Fluminense). Impulsionados por esse fato, os principais times cariocas começaram a temporada investindo pesado na presença de \"gringos\" em seus elencos. E curiosamente, o único que fechou 2006 em alta foi o zagueiro Emiliano Dudar, que chegou ao Vasco depois do \"boom\" de atletas não-brasileiros e sem a badalação dos antecessores.

Cercados de grande expectativa em virtude do rendimento da temporada passada, os estrangeiros começaram o ano como as principais apostas do futebol carioca. Entretanto, a expectativa não foi confirmada. Por dificuldades com o clima, com a língua, com o estilo de futebol ou simplesmente com fraco desempenho, paraguaios, chilenos, uruguaios e sérvios decepcionaram em 2006.

No meio dessa derrocada de estrangeiros, só Dudar se destacou. Quando ele esteve em campo, o Vasco venceu mais do que ganhou. Em oito partidas com o zagueiro, o time conseguiu quatro vitórias, dois empates e sofreu duas derrotas, sofrendo 11 gols. Buscando contar com o atleta por mais um ano, o clube praticamente renovou seu contrato.

O curioso é que o argentino não foi a primeira aposta estrangeira para a defesa vascaína. O time cruzmaltino começou a temporada com o chileno Vergara em seu elenco, mas o jogador nem chegou a atuar e foi liberado para voltar a seu país de origem.

Em fevereiro, o Vasco mais uma vez tentou investir em atletas do Chile. O meia Frank Lobos e o zagueiro Claudio Salinas chegaram ao clube após as inscrições para o Estadual e deixaram o time cerca de um mês depois, sem nunca terem entrado em campo.

Somente quando resolveu apostar em um argentino, porém, o time de São Januário teve sucesso. Sem qualquer badalação, o zagueiro Emiliano Dudar chegou ao clube em agosto para um período de testes, fazendo sua estréia apenas em outubro, quando se destacou na defesa vascaína e se firmou entre os titulares do treinador Renato Gaúcho.

\"Eu acho que me adaptei bem ao futebol brasileiro. Estou muito contente por jogar em um clube da grandeza do Vasco e estou animado para a próxima temporada. Sei que ainda podemos fazer campanhas melhores que as deste ano e brigar por títulos\", disse Dudar.

No curto período de estadia no Brasil, Dudar escolheu Ipanema como local para viver com a esposa Lorena. A explicação para isso, segundo o argentino de 24 anos, é a característica do bairro da Zona Sul: \"A maioria dos jogadores mora na Barra da Tijuca, mas eu não gostei de lá porque é muito isolado e precisa de carro para fazer tudo. Prefiro o movimento e a facilidade de Ipanema, que é um lugar lindo\".

Adaptado ao futebol brasileiro, Dudar só encontra uma grande dificuldade: assimilar os louros de sua fase positiva no Vasco. \"A única coisa que eu sinto dificuldade aqui no Brasil é andar na rua e as pessoas ficarem gritando meu nome\", confessou o zagueiro, que se mostrou avesso a badalações.

Enquanto o Vasco acertou com Dudar, o Botafogo foi o time de menor sucesso com as apostas estrangeiras. A negociação com o atacante Salgueiro, do Uruguai, nem saiu do papel. Já o meio-campo Jorge Artigas, argentino naturalizado uruguaio, chegou ao time em dezembro escondendo uma lesão e quase foi dispensado.

Depois de ser operado e se recuperar no clube, sem receber salários, Artigas foi reavaliado em abril e não permaneceu em General Severiano. Em julho acabou se transferindo para o Avaí, onde disputou a Série B do Brasileirão.

No Fluminense, a tentativa foi repetir a receita de sucesso da temporada anterior. Além de confiar no meia Petkovic, que não conseguiu render como em 2005, o clube também decepcionou com o zagueiro sérvio Djordjevic.

Outro sérvio que esteve nas Laranjeiras foi Tadic, goleiro que defendeu o Vasco em 2004. No entanto, seu papel real no clube não era usar a camisa 1 tricolor, mas ser assessor de Petkovic e tradutor de Djordjevic.

Fonte: Pelé.Net