Se os holofotes estão voltados para o técnico Renato Gaúcho, ex-Fluminense e hoje no Vasco, há um duelo de gerações no meio-campo que chama a atenção em mais um clássico entre os times — o sétimo desde o ano passado —, hoje, às 21h30, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Em alta na temporada, os volantes Thiago Mendes, 34 anos, e Martinelli, 24, se destacam como “motorzinhos”, pela intensidade na defesa e qualidade no ataque.
Mendes vive seu melhor momento desde que chegou ao Vasco, em julho do ano passado. O volante está perto de completar 30 jogos pelo clube (faz seu 27º no clássico) e assumiu o posto de capitão após a chegada de Renato Gaúcho, que preferiu deixar a faixa, antes com o goleiro Léo Jardim, para um jogador de linha.
Para além do papel de liderança, que já exercia desde antes de assumir a faixa, ele viu o belo gol que marcou na vitória por 2 a 1 sobre o Palmeiras, seu primeiro com a camisa do clube, coroar um desempenho de altíssimo nível no meio-campo, setor de onde comanda o ritmo do jogo e ajuda o cruz-maltino a quebrar as primeiras linhas de marcação.
Em dados do Sofascore, Mendes é o segundo jogador que mais acerta passes no Campeonato Brasileiro: são 60,2 por jogo, com taxa de acerto de 95%. Fica atrás do zagueiro Fabrício Bruno, do Cruzeiro, com 61,5 certos por partida (mas apenas 89% de acerto).
Depois de cumprir suspensão pelo terceiro cartão amarelo, ele volta a campo no clássico, possivelmente com a companhia de Hugo Moura, mais recuado, e de Tchê Tchê, encostando mais no ataque. Autor de dois gols contra o Cruzeiro, Cauã Barros foi expulso e cumpre suspensão.
No Flu, não é exagero dizer que Martinelli vive o auge da carreira. Mas o caminho nem sempre foi fácil para o jogador do atual elenco com mais partidas pelo tricolor — 308 até aqui. Afinal, o moleque de Xérem teve que aprender a lidar com as críticas da torcida nos últimos anos até virar um dos principais destaques da equipe. Em meio aos questionamentos fora de campo, ele contou com a ajuda da psicologia do Flu para superar as adversidades e dar a volta por cima no clube.
— Assim como o Coutinho (que saiu do Vasco para cuidar da saúde mental), tive problemas e fiz acompanhamento com os psicólogos. Estava passando por um momento em que eu escutava muito o lado de fora e não sabia quem era. Entrava em campo querendo mostrar ao torcedor e não a mim: “O que será que vão pensar e falar de mim?”. Mudei a chave quando vi o quanto sou capaz, e sempre ajudo os meus companheiros — lembrou Martinelli, em entrevista à TNT Sports.
Provando o seu valor dentro das quatro linhas, o volante assumiu de vez o protagonismo desde a temporada passada, quando foi decisivo na campanha tricolor que chegou às semifinais da Copa do Mundo de Clubes, nos Estados Unidos.
Seu trabalho pode, muitas vezes, não saltar aos olhos de quem está assistindo aos jogos. Conhecido pela qualidade do passe na saída de bola, ele também dá ritmo para levar o time à frente. Apesar de não ter um perfil tão físico, consegue se destacar defensivamente, com desarmes e interceptações.
Agora sob o comando de Luis Zubeldía, Martinelli também é peça intocável no time titular, o que trouxe, inevitavelmente, interesse do futebol europeu. Na primeira janela de transferências deste ano, o jogador viu o Fluminense recusar propostas de Olympiacos-GRE, Besiktas-TUR, West Ham-ING e também de clubes do mundo árabe. Consolidado entre os melhores volantes da América do Sul, teve recentemente seu contrato renovado até 2030.
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