São apenas três jogos com Renato Gaúcho no comando do Vasco, mas a transformação no comportamento dos jogadores é algo que chama muito a atenção. Há várias coisas a serem corrigidas como equipe, e as limitações individuais seguem. Impressiona, porém, como o time se nega a perder. Esse foi o lema para buscar uma virada muito significativa sobre o Fluminense nesta quarta.
O Tricolor vencia e era melhor até pouco antes da metade da 2ª etapa. Construiu a diferença de dois gols com base na sua maior organização e na dedicação dos jogadores no momento defensivo. O Cruzmaltino superou isso. Não demorou a diminuir o placar, o que foi fundamental para manter-se vivo no jogo. A epopeia vascaína dos últimos minutos gerou o sonoro 3x2 na cabeçada de Thiago Mendes.
Escalações
Renato Gaúcho contou com o retorno de Thiago Mendes e escalou o mesmo meio-campo de sua estreia. Cauan Barros foi desfalque. Cuiabano foi mantido na lateral-esquerda. Já Luis Zubeldia montou sua equipe-base titular. Jemmes voltou ao sistema defensivo e fez dupla de zaga com Ignácio. Freytes foi desfalque. Renê retomou espaço na lateral-esquerda e Guilherme Arana ficou no banco.
O jogo
Levar um gol antes do primeiro minuto de partida acaba com qualquer planejamento traçado por um treinador. Certamente o experiente Renato Gaúcho já vivenciou isso outras vezes, e voltou a sentir tal gosto amargo na noite desta quarta-feira.
Lucho Acosta anteviu o erro que Hugo Moura cometeria ao tentar recuar de cabeça para um dos zagueiros, se antecipou e deixou Canobbio em ótimas condições para abrir o placar aos 55 segundos. O Vasco tentou ser agressivo com e sem a bola na sequência, mas não mostrou-se totalmente organizado para isso. Encontrou problemas para criar e cedeu espaços ao Fluminense.
Além de alguns contragolpes com o protagonismo de John Kennedy e Canobbio, o Tricolor achou rotas para superar as subidas de marcação do Cruzmaltino. Havia descoordenação no Gigante da Colina quando Martinelli encontrava alguma linha de passe, logo após receber de Fábio nos tiros de meta. Na sequência, o Fluminense trocava passes rápidos e tentava definir os ataques.
Por mais que tenha cometido alguns erros, a equipe tricolor finalizou com perigo. Léo Jardim precisou intervir em dois bons chutes de John Kennedy da entrada da área. Martinelli foi outro a fazer o arqueiro vascaíno trabalhar. Lucho Acosta chegou a ter um gol corretamente anulado por impedimento de Savarino, outro que esteve em ótimo nível.
Além de Martinelli, Renê foi uma boa ferramenta para superar a primeira pressão do Vasco, seja em conduções de bola, passes verticais ou cobranças de lateral. O Gigante da Colina conseguiu ter períodos mais longos de posse, mas não era fértil. Trocava passes de um lado a outro, não encontrava conexões regulares para entrar na defesa do Fluminense.
Andrés Gómez era quem mais se aproximava disso. Muito na base da individualidade. Foi dele o cruzamento que David tentou ajeitar de cabeça para algum companheiro, mas sem sucesso. Nuno Moreira circulou por toda a intermediária ao sair do lado direito. Não dava, no entanto, jogo na direção do gol. Tchê Tchê e Thiago Mendes também se moviam bastante, mas sem efetividade.
Os laterais eram bem vigiados por Savarino e Canobbio, que chegaram a inverter de lado em alguns momentos. Sem jamais, porém, deixar de acompanhar os avanços de Cuiabano e Paulo Henrique. O lateral-esquerdo até conseguiu uma finalização da entrada da área, mas a resposta do Fluminense, com Hércules, levou mais perigo antes do término da 1ª etapa.
Renato esperou até o intervalo para sacar o perdido Hugo Moura. Rojas entrou e tornou o meio-campo vascaíno mais técnico. Puma Rodriguez também foi a campo para a saída de Paulo Henrique. No Fluminense, Martinelli sentiu-se mal e deu lugar a Otávio. As trocas do Vasco não geraram efeito, e Otávio manteve o bom nível de Martinelli. Na prática, o panorama da partida não se alterou.
Como produzia mais, seria natural o Tricolor se aproximar do segundo gol, algo que demorou apenas oito minutos para acontecer. E a rede balançou em uma aula de contragolpe. A bola passou nos pés do quarteto ofensivo do time em lindas combinações. Hércules recebeu de Lucho Acosta na entrada da área e bateu no ângulo esquerdo de Léo Jardim.
Mais uma vez na individualidade de Andrés Gómez, no entanto, o Vasco encontrou meios de reagir. Ele aplicou um drible de corpo em Renê e bateu na saída de Fábio. O goleiro botou para escanteio. Nuno Moreira diminuiu o placar ao bater com precisão no rebote. A torcida vascaína se inflamou e o time passou a acreditar no empate. Elevou o nível de intensidade e começou a pressionar o Fluminense.
Zubeldia teve que tirar John Kennedy, que sentiu a coxa direita. Castillo entrou. Ganso também substituiu o desgastado Lucho Acosta. No Vasco, Renato sacou Andrés Gómez precocemente. O colombiano saiu muito irritado. Adson o substituiu. Spinelli foi outro a entrar. David saiu. O ímpeto cruzmaltino automaticamente foi afetado.
A entrada de Brenner depois aumentou novamente a agressividade do ataque nos minutos finais. Nuno Moreira deixou o campo. As últimas mexidas tricolores contemplaram os acréscimos de Kevin Serna e Guga. Savarino e Samuel Xavier foram retirados. O time de São Januário voltou a pressionar com muitas bolas aéreas e bastante gente atacando a área.
Foi assim que o argentino Spinelli, que havia cortado a cabeça em um choque com Castillo pouco antes, mandou com a testa para o fundo da rede de Fábio. Cuiabano fez um excelente cruzamento. Na sequência, a virada quase veio em um chute do centroavante de longa distância. Fábio fez milagre.
Algo que não foi possível na cabeçada de Thiago Mendes aos 50 minutos do 2º tempo. Novamente Jemmes foi superado em um cruzamento, desta vez de Rojas, e o volante cruzmaltino deu números finais ao inesquecível clássico.
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