Vascaína Adriana Behar se emociona na despedida

04/02/2008 às 09h27 - OUTROS ESPORTES

As lágrimas poderiam ser de ouro, prata ou bronze, como as medalhas do recorde de 12 anos de parceria com Shelda. Mas eram lágrimas de um adeus glorioso, na hora certa.

Sem esconder a emoção e a alegria pelos 114 títulos e as 1.101 vitórias com a companheira, Adriana Behar se despediu ontem do vôlei de praia, na Arena de Ipanema, antes do Desafio das Rainhas.

Parceiras de 12 anos, hexacampeãs do Circuito Mundial, bicampeãs do Mundial (diferente do Circuito), octacampeãs brasileiras e medalhistas de prata nas Olimpíadas de 2000 e 2004, Adriana Behar e Shelda fizeram ontem um jogo de exibição, sob chuva, primeiro contra Adriana e Mônica, prata nas Olimpíadas de 1996, e na seqüência, contra Sandra Pires e Jacqueline, ouro olímpico em 1996. Adriana Behar e Shelda venceram por 15/12, antes das homenagens no pódio da arena, ao som do “Tema da Vitória”.

— Só tenho coisa boa para lembrar. Foram os melhores anos da minha vida. Estou emocionada, mas não triste. Há uma hora em que o corpo não suporta mais. Por tudo que a gente conquistou, não seria bom ficar competindo mais ou menos.

Chegou a hora de parar — disse Adriana Behar, de 38 anos, que em 2007 enfrentou muitas lesões.

Para o futuro, Adriana tem projetos ligados a seu esporte, mas não os revelou. Também emocionada, Shelda elogiou a amiga.

— É alguém da minha família, companheira de horas difíceis, craque, guerreira, melhor jogadora do mundo. Com ela sempre ganhei tudo. Ela foi eternizada como grande jogadora — declarou Shelda, que vai formar dupla com Ana Paula, visando a uma vaga olímpica.

Para Jacqueline, ouro olímpico de 1996, Adriana terá de se adaptar à nova vida: — Parar é difícil, mas quem está parando tem que pensar em recomeçar uma nova carreira.

A rainha Talita via a dupla como espelho: — São exemplo como dupla e como pessoas. Adriana Behar e Shelda soavam quase como um só nome.

Adversária da dupla na final olímpica de 2004, a americana May, medalhista de ouro naquela decisão, também elogiou Adriana, a quem considera uma das maiores jogadoras do mundo. (C.N.)

Fonte: O Globo