Vitor Roma fala sobre eleições do clube e projetos

06/06/2020 às 10h55 - POLÍTICA

BATE-PAPO ELEIÇÕES VASCO - VITOR ROMA

Inspirada em um grupo de whatsapp de vascaínos off Rio, a Vasco/BH, também em seu grupo no whats, está promovendo um bate-papo sobre as eleições do nosso clube. Os resumos que serão apresentados visam informar o torcedor de maneira imparcial sobre aqueles que desejam assumir a administração do nosso clube. O primeiro participante da nossa conversa foi o Vitor Roma, membro do grupo Confraria. As perguntas feitas ao candidato foram um compilado de um questionário que estava disponível antes da conversa e também de questionamentos feitos diretamente no grupo. Importante lembrar que nem todas as perguntas/respostas foram transcritas na íntegra Aí vai.

TEMA I: Crédito, novos recursos, política e dívida do Vasco

P: Qual é a proposta da Confraria para captação de novos recursos? Já tem algo em negociação ou tudo começará (negociações) em caso de eleição?

R: Vitor entende que é preciso entrar no clube com um valor estimado de 150 milhões por conta da enorme dívida do clube (carregada de juros, correção, expectativas de pagamentos que não aconteceram), e é possível fazer uma "negociação agressiva e reduzir muito a dívida". O investimento já está sendo trabalhado, buscando montar fundos com garantias (mas lembra que a garantia, juridicamente é do Vasco, então só é possível executar isso já estando na presidência.) É preciso recuperar a capacidade do Vasco gerar receita e a Confraria pensa em trabalhar isso em 3 etapas: I - "Cortar o mato alto": profissionalizar o departamento de marketing e conseguir captar mais patrocínio, licenciamento. II - Trabalhar melhor a venda de jogador: departamento de negociações internacionais na base (algo que o Carlos Brazil já está tentando montar). III - Mapeamento melhor do mecanismo de solidariedade: mapear todos os jogadores oriundos da base e não apenas os mais famosos.

P: Qual a sua opinião sobre o possível candidato Jorge Salgado?

R: "Acho que o Jorge é o melhor candidato possível." Vitor teceu elogios a Jorge Salgado e diz ser esse um cara que "acalma o conselho deliberativo e profissionaliza o clube". Acredita ser o candidato ideal por representar uma transição ideal para a política do clube e afirma que há tentativas para que ele seja o candidato da chapa. "A gente entende que o Jorge candidato e a gente com nosso projeto tocando a reestruturação do clube, ele toca a parte política e a gente mete bronca embaixo. Não podia ter candidato melhor."

P: A transição seria de ruptura?

R: "Denúncias sobre irregularidades na história do Vasco um presidente sério tem a obrigação de ver. Quem não vê não é sério. Existe uma diferença entre fazer uma transição calma/pacífica e não ligar para essas coisas." Transição em paz não é acochambrar questões. "O presidente do Vasco, hoje, eleito sobre uma égide de ruptura completa de todo o modelo, ele não consegue governar. É preciso se mostrar para as pessoas que o melhor caminho é a profissionalização." Por isso a importância do Jorge Salgado, já que além de ser um cara de mercado, tem um bom acesso a todos os poderes do Vasco. "Jorge está com a gente, vai estar com a gente na eleição, a gente só não sabe se ele vai ser o candidato.

"Acho que a gente precisa começar por limpar o Conselho Deliberativo no voto e depois olhar o quadro social e ver se houve alguma razão para isso."

P: Caso Jorge não aceite, que outro nome está cotado?

R: "Eu ou o Adriano Mendes. Hoje mais provável que seja eu."

Vitor também foi questionado sobre uma ação na Justiça Federal que cancelou as dívidas tributárias de Cofins e outras como fez o São Paulo e o Athletico-PR. Vitor respondeu que repassou essa questão para a parte jurídica de seu grupo e salientou que o departamento jurídico do Vasco é também um problema. Aproveitando o gancho foram feitas as seguintes perguntas:

"O que você projeta de melhorias no departamento jurídico? O que precisa ser mudado a curto e longo prazo?"

R: O Vasco precisa de um VP jurídico de renome, de alto nível (como um desembargador). Num clube de futebol há uma complexidade jurídica em sua operação não apenas por conta do histórico de problemas no clube, mas também por toda questão administrativa de um clube de futebol. Há a necessidade de profissionalização do departamento. Pensa em especialistas, um contratante jurídico para cada departamento: trabalhista, tributário, cível... Há a necessidade de um escritório jurídico contratado, pois o clube não pode assumir a "volatilidade do departamento jurídico".

"Você prefere continuar com as VPs ou usar executivos remunerados para esses cargos?"

R: "O ideal do Vasco é acabar com os VPs não remunerados, só que a gente não vai conseguir fazer isso tudo imediatamente". O problema da profissionalização não será resolvido em 1 ou 2 anos, pois não há dinheiro para isso, então o processo de reestruturação será feito em fases e é preciso priorizar algumas áreas. Prioridade um: concluir a profissionalização do futebol e o marketing. Em relação ao último, há conversas com Fábio Fernandes (ex-dono da F/NAZCA, trabalhou na primeira gestão do Dinamite) para a profissionalização dessa área: contratação de executivo, trazer agências. Quanto ao jurídico, pensa-se em VP de peso por conta da complexidade já citada.

TEMA II: Futebol

P: "Se a situação financeira é muito crítica, como criar um time competitivo de futebol? Qual a proposta?"

R: Há conversas com executivo de futebol (não pode divulgar o nome). Vitor foi sincero e disse que "a situação financeira é muito crítica, a gente tem que criar um time competitivo, mas a gente não vai criar um time que vá ganhar a Libertadores ano que vem, isso é uma mentira, uma falácia e eu não poderia ser irresponsável de dizer que ano que vem o Vasco vai ter um time que o rival tem." É um processo de engrandecimento paulatino e razoável.

"Contratação midiática não é minha praia. Eu gostaria de criar um outro modelo. Eu acho que o Vasco precisa recriar a sua vantagem competitiva." A vantagem do Vasco é a base. Enquanto no rival "joga um garoto por ano": por conta da quantidade de estrelas no time, um jovem joga poucos jogos e já é vendido. Utilizando a base, é possível usar um argumento para trazer um garoto: aqui ele vai jogar. Fazendo da nossa base a melhor do Brasil, você atrai garotos, usa-os no time e traz de volta aqueles que deram certo (ex: Alex Teixeira, Alan Kardec, Souza, Philippe Coutinho, Danilo, Douglas, Paulinho); cria-se um processo retroalimentação dos jogadores. "Por isso que nosso projeto discorre de um processo de autofinanciamento da base, com uma descentralização de caixa para o dinheiro ir efetivamente para a base, a gente ter o melhor CT da base do Brasil, melhor do que o profissional, porque ali que a diferenciação é feita, na transição da base para o profissional." A opção não é por contratação midiática, mas sim pela valorização da base.

P: E quanto a autonomia do departamento de futebol, como fica? Quem é responsável pelas contratações?

R: "O departamento precisa ser todo profissionalizado, com análise técnica, centro de observação, o jogador de futebol que é contratado precisa passar por todo um crivo de um comitê que avalia os últimos anos dele, a estrutura física, se ele teve muita contusão ou não, se ele se encaixa no modelo de jogo do Vasco ou não." "O Vasco não tem uma linha de atuação, um modelo de atuação no futebol." As decisões precisam passar por um comitê. "O presidente tem que entregar para o profissional. O máximo que o presidente pode fazer é cobrar o cumprimento do orçamento.

P: Você pensa em um centro estratégico de olheiros pelo Brasil e América do Sul?

R: Em conversa com Carlos Brazil, foi dito que há no Brasil um camada de profissionais que oferece o serviço para todos os clubes. Então o importante é manter uma boa relação com essa camada e um bom projeto para conseguir captar os jogadores. Já em relação à América do Sul, há uma concentração de jogadores nas mãos de poucos empresários. Seria importante, então, ter profissionais observando os campeonatos argentino e chileno antes da Libertadores e Sul-americana, porque depois disso é mais complicado, é preciso olhar os campeonatos nacionais.

TEMA III - Colégio, social

"O Colégio Vasco da Gama precisa ser um dos pilares da nossa diferença para os outros. A gente não forma só jogador de futebol, a gente forma cidadãos e, se o cara não vingar como jogador de futebol, ele tem que ter uma profissão, porque, se não, ele acaba na miséria." "Se a conseguir dar alguma solução para esse garoto (que não ) poder se inserir no mercado de trabalho mais facilmente, numa posição um pouco melhor, é uma vitória tão grande quanto um título, porque essa é a história do Vasco, é a responsabilidade do Vasco. Eu costumo dizer que o Vasco tem duas responsabilidades: a esportiva e a social. O Vasco tem um objetivo cerne: é ter conquistas esportivas e sociais." Vitor fala em levar esse projeto de profissionalização dos alunos do Colégio Vasco da Gama para o clube independente de quem assuma o poder; há conversas com uma empresa brasileira de certificação de tecnologia (segundo ele "a maior empresa de certificação de tecnologia do Brasil) com o intuito de trazê-los para o Vasco. Segundo ele, há o interesse da empresa em fazer parceria, trocando o ensino por mídia, ou seja, sem custos para o clube.

"A gente tem um projeto de incorporação da comunidade na qual o Vasco está inserido à vida orgânica do Vasco". Lembrando que há muitas costureiras e empresas de costura na região de São Cristóvão, negociar com o fornecedor de material esportivo para criar uma linha casual que venha da comunidade inserida no processo.

TEMA IV: Outros esportes

P: O Vasco sempre foi forte em esportes olímpicos. Existe algum plano para fortalecimentos além do futebol? Caso sim, qual o plano? Existe um plano para o basquete?

R: "O Vasco precisa criar condições para os esportes olímpicos serem autossustentáveis: descentralização de caixa. Sendo assim, só há esporte olímpico se houver CND. Em relação ao paralímpico a questão é mais fácil pelo falo do custo ser barato. Os esportes amadores são autossustentáveis com a Lei de Incentivo, mas, para isso, necessita-se de CND. É preciso primeiro equacionar a questão tributária para ter CND e, então, com um profissional dedicado a isso captar dinheiro via Lei de Incentivo (considerando um cenário pré-pandemia). É preciso, também, descentralizar o caixa: "não faz o menor sentido o caixa central do futebol ficar pagando o esporte olímpico, se não a conta não fecha". Vitor cita como exemplo que o remo poderia viver de um melhor uso da Sede da Lagoa, sendo ela uma unidade de negócio.

O projeto para o basquete é buscar CND, captar dinheiro e aí sim montar um time de basquete. Vitor defende que, não podendo montar time, por exemplo, para o Basquete, o Vasco poderia disputar os Jogos Estudantis pelo Colégio, sendo essa uma maneira dos garotos serem inseridos no mercado do esporte.

P: Tem projeto para expandir os jogos E-Sports?

R: "Tudo envolvido no E-Sports é a próxima onda." "Ainda é muito fácil captar patrocínio para bancar os times de E-Sports, o que o Vasco não tem hoje é uma estrutura adequada para isso." "Há um departamento só para isso." Vitor fala em criar uma estrutura de inovação: "a gente vai criar um hackathon semestral no Vasco. Reunir jovens para desenvolver soluções para o clube tecnológicas, de inovação, de repente sai ali dentro, a gente pode criar uma encubadora dentro do Vasco, tudo isso está inserido na área de inovação do Vasco. O Vasco sempre foi um clube tão inovador, de repente parece um clube estacionado no século passado." Vitor lembrou que conhece bastante do assunto "tecnologia" já que fez sua vida através dela. "Esse é um mundo novo que está surgindo e a gente tem que estar dentro dele".

Tema V: São Januário

P: Quais os projetos para nosso estádio? O que achou do trabalho do Pedro Seixas?

R: Vitor lembra que o Vasco já tem um projeto para o estádio, encabeçado pelo Pedro Seixas. Teceu elogios ao estádio: aumento da capacidade, cria soluções para englobar as áreas externas de São Januário ao organismo vivo do estádio, é autofinanciável (não tem um grande impacto sobre o fluxo de caixa de médio prazo). Projeto já pronto e aprovado no Conselho de Beneméritos: pegar e executar. Espera que possam contar com ele. Resumindo: "Tá pronto, vamo fazer."

P: Você acha que é possível captar o dinheiro para viabilizar a modernização em um período próximo? Como fazer isso?

R: Sim. Há duas incorporadoras interessadas em fazer.

Tema VI: Vascaínos off-Rio

Acerca dos planos para vascaínos que moram fora do Rio de Janeiro, Vitor afirmou que existe um grupo de trabalho tratando apenas desse tema e há ideias como Casas Vasco, sorteios, levar a pré-temporada para alguma cidade, ida a jogos, trazer torcedores de fora para assistirem jogo no Rio... Mas ressalta que o mais importante é realizar uma espécie de pesquisa para saber o que realmente os torcedores fora do Rio desejam para serem sócios; é preciso, então, conhecer o que o torcedor espera para que haja uma solução.

Agradecemos a colaboração especial de Antonio Pedro, Aroldo Pessoa, Caio Paiva, Flavio, Genilson, Iuri Oliveira, João Pedro, Luan, Marcus de Paulo, Matheus de Oliveira, Thiago Pedro,Valdyr Alvares.

O próximo participante do nosso bate-papo será o candidato Fred Lopes, dia 09/06, às 20h. Você pode mandar sua pergunta por aqui: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScJnqbEPA7iQ5wJNGkCEFD66617X_XTINp8Ye_6_DA6gD3QiQ/viewform

Saudações vascaínas.

Fonte: Blog O Vasco sob o Olhar Feminino