Ygor Catatau comemora chegada ao Vasco

14/07/2020 às 08h07 - FUTEBOL

Ygor Catatau é aguardado até quarta-feira para assinar contrato e iniciar os treinos no Vasco. Ao lado de Marcelo Alves, ele foi emprestado pelo Madureira até dezembro. Será o auge de uma ainda curta carreira e a coroação de uma trajetória sofrida, mas de muito trabalho e persistência.

Catatau trata como “grande chance da vida” o empréstimo ao Vasco. A frase é lugar comum entre os jogadores, mas no caso dele, realmente é a oportunidade de mudar sua trajetória e de sua família.

Pai de Saimon, de 2 anos, Ygor começou tarde no futebol. Sua primeira oportunidade foi no Madureira, aos 20 anos. Praticamente não jogou nas categorias de base. O trabalho, no entanto, começou cedo. Ainda jovem precisou ajudar a família. Desde os 12 anos ajudava seu pai a guardar carros da rua Fadel Fadel, no Leblon. Curiosamente, na esquina com a Gávea, sede do Flamengo.

- Trabalho com meu pai desde os 12 anos, sempre no Leblon, guardando carro com o meu pai. Ele continua lá, na rua Fadel Fadel. Minha trajetória é muito sofrida. Sempre tive que trabalhar para ajudar a minha família, trabalhar por fora e conciliar com os treinos. Tentando aqui, tentando ali. Passei em um teste no Madureira, mas continuei trabalhando com meu pai. Quando comecei a conquistar espaço, não tinha mais como trabalhar com meu pai. Mesmo assim, nunca deixei de trabalhar – contou Ygor.

No Madureira, aos poucos foi mostrando talento e conquistando espaço. Catatau foi emprestado ao Barra da Tijuca e ao Boa Esporte para ganhar experiência e voltou para fazer sucesso no Tricolor Suburbano. Foi no Carioca deste ano, aos 25 anos, que ele se firmou. Foi quando ele se firmou, marcou gols contra Botafogo e Fluminense e despertou interesse do Vasco, quando enfrentou seu novo clube, em São Januário, há menos de duas semanas.

Como surgiu o apelido de Catatau?

Esse apelido de Ygor Catatau vem da infância. Tenho um irmão mais velho. Ele sempre foi gordo e alto. Eu sempre fui magro e pequeno (risos). Sempre andamos juntos, na Abolição, no Conjunto dos Ferroviários.

Quando criança, quando eu descia com ele de mãos dadas para comprar pão, a rapaziada mais velha brincava: “Caraca, olha ali o Catatau e o Zé Colmeia (gargalhada). Aí pegou até hoje. Desde então todo mundo nos chama assim. Eu gostei também, entramos na brincadeira. Eu só sou o Catatau porque ele é o Zé Colmeia.

Conte um pouco de sua trajetória no futebol.

Eu trabalhava como operador de vagas no Leblon. Logo depois subi para o profissional e não tive mais como conciliar uma coisa com a outra. Depois fui emprestado ao Barra da Tijuca para ganhar um pouco de experiência, depois fui para o Boa Esporte. Lá não tive tanto sucesso, mas para mim, particularmente, serviu como aprendizado. Peguei uma rodagem no profissional. Para mim foi muito bom.

Nesse ano no Madureira trabalhei bastante para conquistar espaço. Tive a oportunidade de jogar e dar o meu melhor. Sempre sonhando em dar o meu melhor para mudar a história da minha família

Você começou aos 20 anos no futebol e praticamente não jogou nas categorias de base. O fato de trabalhar fora desde novo atrapalhou nesse início no futebol?

Não, acho que não. Eu sempre tentei, mas faltaram oportunidades. Mas sempre estava tentando.

E como surgiu o interesse do Vasco?

Chegou através do seu Elias (Duba, presidente do Madureira). Depois da partida contra o Vasco, tivemos folga, fui para casa. Na segunda-feira o seu Elias me ligou e deu a notícia. Fiquei feliz demais. Até agora a ficha não caiu. Muito feliz por ter uma oportunidade dessas na minha vida, que eu tanto trabalhei para ter, entendeu?

Você foi bem no jogo contra o Vasco, mas também perdeu um gol incrível.

Isso. Mas acho que o gol perdido não apaga uma história de um trabalho bem feito. Quem me conhece sabe o quanto eu trabalho, sou correto e sou do bem com todos. Tenho certeza que Deus não falha. Joguei bem, perdi o gol, mas o Campeonato Carioca foi bom para mim. Pude ajudar o Madureira com gols (3), com assistências ... Tem sido um ano muito bom para mim.

E qual é sua expectativa no Vasco? Já chegou a conversar com o Ramon?

Ainda não, mas a expectativa é a melhor possível. Vou trabalhar bastante para conquistar um espaço, ganhar credibilidade. Estou tratando como a chance da minha vida. Não é toda hora que se tem uma chance dessas. Eu iria me apresentar nesta segunda, mas mudou e vou até quarta-feira me apresentar.

Você chega ao Vasco com Marcelo Alves, com quem jogou Madureira.

Conheço bem, grande Marcelo. Eu já estava no profissional há algum tempo. Ele subiu há um ano, mas já tínhamos uma certa amizade. É meu parceiro.

Como você se descreve para quem não o conhece? Você prefere jogar como centroavante ou pelos lados do campo?

Eu gosto de fazer gol. Mas também tenho características de velocidade e força. Prefiro atuar mais centralizado, como centroavante. Mas também me sinto muito à vontade quando jogo pelas beiradas, também posso ajudar. Para mim não faz muita diferença.

Fonte: GloboEsporte.com