Análise: Abel não faz ataque render, e Vasco tem dúvidas no estilo de jogo

31/01/2020 às 19h38 - FUTEBOL

Marrony, Talles e Cano têm mais uma atuação fraca coletivamente em derrota para a Cabofriense em São Januário

A contratação de German Cano, 41 gols em 45 jogos em 2019 na Colômbia, encheu o Vasco e sua torcida de esperança. Ao lado de Talles e Marrony, garotos de boa temporada no ano passado, o argentino formaria um ataque com possibilidades de agregar atletas de diferentes características. E, portanto, um setor com potencial de ser o melhor do time.

Quatro jogos depois (três deles com a formação titular), a equipe de São Januário marcou apenas um gol na Taça Guanabara - justamente de Cano. Soma uma vitória, um empate e duas derrotas, a última por 1 a 0 para a Cabofriense em casa nesta sexta-feira. O fato é: Abel Braga ainda não conseguiu fazer o trio render, e o Cruz-Maltino é um time com muitas dúvidas, em busca de estilo de jogo e quase eliminado do primeiro turno do Carioca.

Verdade que, após o adiamento por conta da falta de energia elétrica na noite de quinta, a partida foi disputada sob calor absurdo. Igualmente importante o contexto de que o Vasco perdeu nomes como Henríquez, Richard, Guarín e Rossi, todos titulares. Seria ainda injusto não recordar que a pré-temporada foi curta e o ano está no começo. Apesar de tudo, o rendimento deixa a desejar.

- Ano passado, se você reparar, jogava o Marrony por um lado, o Rossi por outro e Ribamar centralizado. Em alguns jogos, o Marrony por dentro. A verdade é essa: são jogadores (Marrony, Talles e Cano) que a gente tem esperança muito grande. Mas a coisa não está fluindo. O negócio é que a gente não está conseguindo criar. Então, eu disse para eles que não se pode reclamar de chance (no time). Nós temos de procurar a equipe com o que temos disponível. O que temos está aí. Precisamos achar soluções. E as soluções temos de achar aqui dentro. Não tem como ser diferente. O Cano é oportunista, a bola tem que chegar mais vezes nele e melhor. A profundidade de campo está pouca, temos que mudar isso e buscar a solução no plantel - avaliou Abelão.

Marrony, Talles e Cano, por vezes, ocuparam a mesma faixa do campo (veja abaixo). Por decisão dos jogadores durante o jogo e pela ideia de jogo de Abel ainda não estar muito clara, a equipe insistiu em atuar pelo meio. Uma proposta de jogo, como se viu contra a Cabofriense, um time que havia perdido os três jogos que disputou, previsível. De fácil marcação e que depende de um jogada individual ou de um cruzamento para construir oportunidade de gol.

Cano até finalizou quatro vezes. Foi voluntarioso. Sem conseguiu jogar pelo lado, Talles recuou para armar. Fracassou em ambas. E Marrony teve uma das piores atuações no profissional. Errou tudo que tentou.

O abastecimento dos homens de frente foi falho não só pela pouca mobilidade do trio. Gabriel Pec, mais uma vez, não conseguiu ser o meia de criação - registre-se que foi dele a assistência para o gol de Cano contra o Boavista. Com a saída dele para a entrada de Juninho, a criatividade melhorou. O volante arriscou mais passes na diagonal. Também pela opção de Vinícius, outro menino da base, que teve vitória pessoal pela direita e fez a melhor jogada do Vasco no jogo: cruzamento desperdiçado por Talles.

Com a chegada de Abel, logo nas primeiras entrevistas do ano, os jogadores falaram em coletiva que identificaram uma mudança: o Vasco, na comparação com Vanderlei Luxemburgo, iria tentar ter mais a bola. No Carioca, ao enfrentar rivais menos qualificados, a ideia foi colocada em prática. Foram 62% contra a Cabofriense, por exemplo. Mas...

O que o Vasco faz com a bola? Sem organização ofensiva e com atletas distantes uns dos outros, especialmente no meio, o time se desarruma. Tem uma posse improdutiva. O gera tomadas de decisões erradas dentro do campo e ansiedade na torcida.

Não foi raro ver Castan, por exemplo, subindo pela esquerda. Os volantes e os zagueiros sobem e, por tabela, ficam expostos. Foi assim que Werley cometeu o pênalti que deu a vitória ao time visitante. O ideal seria que os laterais (Pikachu e Henrique) fossem mais protagonistas na criação. Nas partidas anteriores, Pikachu até foi. Mas não repetiu nesta sexta.

Antes mesmo da delicada situação no Carioca, o Vasco priorizava a Sul-Americana. Abel tem até quarta para achar soluções e buscar bom resultado diante do Oriente Petrolero, da Bolívia, em São Januário, no jogo de ida da primeira fase. Algo fundamental para nçao correr riscos de uma precoce eliminação.

Fonte: ((ge))