Com futuro incerto no clube, Kelvin relembra grave lesão

01/11/2018 às 09h10 - FUTEBOL

Dois ligamentos rompidos simultaneamente no joelho esquerdo deixaram Kelvin longe dos gramados por longos e difíceis 11 meses. Sem conseguir dobrar a perna mesmo com sacrificantes sessões de fisioterapia, o atacante, com apenas 25 anos, chegou a "surtar" com a situação no Vasco, fato que o fez, aos prantos, pegar seu carro ainda com a roupa de treino e deixar São Januário sem dar certeza se voltaria. Entristecido, temia o pior: encerrar a carreira precocemente por conta da grave lesão ocorrida no dia 7 de junho de 2017.

Hoje recuperado e com seu conhecido sorriso no rosto de volta, o jovem curitibano lembra dos momentos de agonia e incerteza que passou.

"Minha cabeça chegou um momento que foi complicado. Teve um dia apenas que eu surtei, chorei, saí do clube jogando chinelo em todo mundo, com a roupa do clube mesmo, peguei meu carro e fui embora chorando de São Januário até em casa. Eu não sabia mais o que fazer. Todo mundo me ligando, pedindo para eu voltar, e eu dizendo que nunca mais ia voltar lá. Até que me ligaram dizendo que haviam ligado para o doutor que tinha me operado e pediram para eu ir em São Paulo", se recorda.

Em sua mente no momento mais difícil, achava que a lesão não tinha cura e impediria seu retorno aos gramados.

"Não cheguei a pensar em parar, mas cheguei a pensar que não ia mais poder jogar futebol, porque meu joelho não dobrava de jeito nenhum. E aí foi quando começaram a apelar para a força, e não dobrava por nada. Então aí que passei por outros tratamentos lá em são Paulo com o doutor que me operou, ele me explicou, passou outros remédios e o joelho começou a soltar", destaca.

Antes das incertezas, Kelvin sofreu com os primeiros dois meses depois da cirurgia, onde se encontrou completamente debilitado:

"Fiquei dois meses sem poder pisar no chão, só de muleta, sem poder dirigir, sem poder andar muito, só podia dormir com a perna para cima ou numa posição só. Esses dois meses foram os mais difíceis, porque não podia fazer nada, dependia de todo mundo, meus pais estavam aqui me ajudando muito. Quando eu ia pegar uma coisa na cozinha tinha que pedir para eles, para pegar o controle da televisão, no clube também não podia se deslocar para almoçar, a comida tinha que vir até a mim. Então você tem que aguentar isso. Foi uma parte difícil".

Apoio dos pais, amigos e companheiros lesionados

Durante parte dos longos 11 meses de recuperação, Kelvin teve a companhia de seus pais, que, mesmo morando em Curitiba, foram para o Rio de Janeiro dar assistência ao filho tanto nas questões de locomoção do dia a dia quanto nos fatores psicológicos que tanto o abalaram.

"Nessa época foram meus pais mesmo e alguns amigos que estavam comigo no momento. Eles ficaram no início que eu fiquei de muleta, mas chegou um momento que eu já conseguia me virar, tinha largado a muleta, podia dirigir, aí pedi para os meus pais voltarem a vida deles para eu voltar a minha também como era antes. No início eles me ajudaram muito. Sem eles não teria conseguido", admite.

"Resenha" no DM alivia

Quem também ajudou bastante no processo de recuperação foram os companheiros de Vasco que passavam pela mesma situação e dividiam o departamento médico com o atacante, casos do lateral esquerdo Ramon, do zagueiro Breno e do volante Marcelo Mattos, estes dois últimos que ainda se encontram lesionados.

"Nesse momento o que me ajudava muito era chegar no clube e ver que eles já tinham passado por aquilo e já tinham voltado a jogar outras vezes. Eu sabia que eles estavam passando por aquilo de novo, que iam voltar a jogar e eu também me incluía nisso. Às vezes eu achava que não ia conseguir, mas olhando eles, os tinha como exemplos para me dar força. E também tinham as brincadeiras, ficávamos o dia inteiro no clube, das 9h as 17h. E aí a gente fica preso ali, mas um zoando o outro, na brincadeira, aí aquilo me animava também, me deixava mais contente. Fazíamos competição para ver quem ia voltar antes. Então foi importante também essa parte dentro do clube", se recorda.

Futuro no Vasco é incerto

Desde que retornou - na derrota por 4 a 0 para o Cruzeiro dia 2 de maio de 2018 -, Kelvin disputou 19 jogos e fez um gol. Com o técnico Alberto Valentim, foi titular apenas uma vez, mas tem sido aproveitado com frequência, inclusive tendo sido o personagem que sofreu o pênalti que originou o gol de empate por 1 a 1 com o Internacional na última rodada do Brasileiro.

O atacante garante ainda não estar 100%, mas sente a evolução a cada dia. Com o empréstimo se encerrando ao fim deste ano, Kelvin ainda não sabe se volta para o Porto (POR), onde tem contrato até junho de 2019, ou permanece em São Januário. No momento, prefere não pensar nisso:

"Ninguém conversou nada ainda. Estou buscando meu espaço depois dessa lesão. Já tive bons jogos, outros não consegui render o que eu esperava e que o clube também esperava de mim, então estou brigando a cada jogo para que as coisas comecem a clarear para o nosso time e para mim também. É dia a dia, cada jogo vamos buscando nosso espaço e, se tiver que conversar, vamos sentar e conversar".

Foto: Flickr Kelvin
Kelvin

Fonte: UOL Esporte