Futebol

'Geovani, o pequeno príncipe que encantava pelo futebol elegante e virtuoso'

Geovani chegou ao Vasco aos 18 anos, vindo da Desportiva-ES, e lembro que a dúvida era se o aproveitamento dele seria entre os “meninos” do sub 20 ou nos profissionais. Ao contrário dos dias atuais, não era corriqueiro a promoção de jovens oriundos da base antes dos 20 anos. Tal fato era reservado aos “extra-séries” e daí nasceu a questão: que craque é esse que os olheiros do Vasco descobrira no futebol capixaba?

Pois Geovani, em suas primeiras entrevistas, buscava as palavras certas para informar que aos 16 anos já jogava entre profissionais da Desportiva-ES. E era verdade: fez três jogos com 16, dez com 17 e se via pronto para estar entre os “crias” da geração nascida em 60 - Dudu, Ernani, Serginho, Marco Antônio Rodrigues e Oliveira, já integrados ao time de cima. Ainda assim, Geovani fez um ou outro jogo na categoria juniores até ser puxado por Antônio Lopes. Jogou por alguns minutos na derrota por 2 a 1 para o Bangu, em 15 de agosto daquele ano, e construiu belíssima carreira.

Impressionava pelos lançamentos de 30 metros, pelos dribles desconcertantes, pelos passes certos e pela batida na bola, elegante e precisa. Tinha um “quê” de Gerson, o “Canhota de Ouro”, mas diziam que, pelo virtuosismo, poderia rivalizar com “Maradona” - um exagero da época alimentado pela “bola de ouro” que recebera por sua participação no Mundial de Juniores disputado no México em 1983, lindamente conquistado pela seleção brasileira.

Ganhou cinco títulos estaduais e diversos torneios internacionais pelo Vasco, assim como pela seleção. Foi vice-campeão brasileiro em 1984 e medalha de prata nos Jogos de Seul, em 88. Mas vivia às turras com o peso, fato que impediu seu sucesso no futebol europeu em 89, tanto no Bolonha, da Itália, quanto no Karlsruher SC, da Alemanha. E isso acabou o tirando da seleção que Sebastião Lazaroni levou à Copa do Mundo de 90.

Uma pena que ele tenha ido embora aos 62 anos, com a saúde debilitada em decorrência, primeiramente, de um câncer na coluna vertebral. Depois, pela polineuropatia que o levou à diversas internações. Na memória do futebol, será para sempre o “pequeno príncipe “.

Fonte: Blog Gilmar Ferreira - Extra
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