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Opinião: São Januário, um palco nobre para o milésimo gol

Minha avó, Odete, faria 97 anos. Morreu em janeiro do ano passado, como boa parte dos freqüentadores mais antigos do Jogo Aberto já sabe. Era muito vascaína. Tão alegre quanto cruzmaltina. Hoje fui escalado pelo SporTV em São Januário. E testemunhei senhoras, talvez não tão idosas quanto a “minha garota”, aplaudindo o milésimo gol do Baixinho. Microfone na mão, fone no ouvido, caneta a anotar detalhes, olhava para elas e não conseguia esquecer da querida “Bob”. Não dava para separar uma imagem da outra assim que Romário bateu o pênalti histórico e pôs Magrão de um lado e a bola do outro. E olhava a festa do artilheiro e, como um reflexo, batia os olhos no sorriso de que valorizaria tanto aquele momento. Como neto consumido pela ausência, criei o cenário de que o dia de Romário também poderia ser visto como uma lembrança (eterna lacuna) de quem curtia tantos seus gols e história. Romário é mil. O futebol é um milhão. A saudade é incalculável.

Foi muito legar estar em São Januário hoje. Estádio pouco valorizado por que não curte história e que merecia mais esse capítulo. São 80 anos desde que foi erguido. São Januário é um bom estádio. E é sinônimo de desfeita de quem não tem a menor noção de passado e respeito à memória do esporte. E, claro, muito legal ser testemunha, junto com algo em torno de mil jornalistas e 20 mil torcedores (quase 17 mil pagantes), do milésimo gol de um jogador extra-classe, acima de qualquer suspeita. Romário é um gênio de futebol. E, turma do contra que morda os cotovelos, merece todo frenesi em torno de sua conquista particular.

Então, eu estava lá. Muito bom estar lá. Legal ver a alegria de todos os envolvidos. Da torcida, claro. Do Baixinho, óbvio. De Dona Lita. De Seu Edevair, figuraça. Dos filhos de Romário. Da dupla de amigos, Lucas Pereira e Alex Escobar, locutor e comentarista do milésimo. Legal também observar a dignidade do bom time do Sport Recife, que jogou bem e, apesar do placar final de 3 a 1, mostrou que é muito grande e tem um excelente time. Legal comprovar a boa fase do coadjuvante André Dias, autor de dois gols, mais um de canela (alô, Gustavo Poli). Legal receber Thiago Maciel, autor do cruzamento que gerou o pênalti de Durval, e Abedi, que fez o passe para o lateral, na cabine do SporTV, realizados com a missão bem cumprida. Legal aplaudir a fleugma de Magrão, o goleiro do milésimo.

Foi muito legal. Histórico. Num palco, para os vascaínos, tão marcante quanto o Maracanã. O milésimo chegou. Dia 20 de maio. Dia de Romário. Dia da saudade. Noite para a história.

Fonte: Blog de Lédio Carmona
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