Opinião: Jornalista clama por Juninho-PE, ex-Vasco, na Seleção

06/06/2006 às 15h50 - IMPRENSA

Lugar para Juninho

Ele é craque, tem visão de jogo, bate falta melhor do que Rogério e faz gols

QUE JUNINHO tem lugar na seleção brasileira é óbvio. Ele é craque, e craque sempre tem lugar. Sim, craque, fora de série, como Tostão e Rivellino também eram em 1970 e cada um teve sua vaga, embora não se duvidasse do talento de Roberto Miranda ou de Paulo César Caju ou Edu, centroavante e pontas-esquerdas de ofício. PC, por sinal, era também mais que um especialista, outro fora de série, mas que não cabia, porque 36 anos atrás já não dava para jogar com um sexteto mágico (Gérson, Jairzinho, Tostão, Pelé, Rivellino e ele). Mas o quinteto coube.

Não será fácil sacrificar Zé Roberto, jogador que sempre dá conta do recado, que se desdobra. Do mesmo modo que todos nem falam mais em quinteto mágico, apesar da mobilidade que o ataque adquire quando Robinho entra, seja no lugar de quem for, também não quero insistir com a minha tese ousada de deslocar Zé Roberto para a lateral esquerda e, assim, abrir vaga para Juninho. Até porque Roberto Carlos começa a cumprir o que prometeu, que voará na Copa. Mas como não escalar o comandante do Lyon, o responsável pelo primeiro título francês da equipe, assim como pelo penta inédito na terra de Platini, Zidane e Henry? Além de ter uma visão de jogo como poucos, ele ainda faz gols com incrível naturalidade e bate faltas melhor do que Rogério Ceni e Ronaldinho.

Juninho não pode ser reserva de Kaká, porque será uma covardia. E por diversos motivos. Primeiro, porque Kaká está demais, saúde de ferro, futebol de ouro. Segundo, porque Juninho não nasceu para ficar sentado em banco, nem que seja um cravejado de diamantes, brutos ou lapidados. E, se Parreira é mesmo, como se define, um comandante de talentos, que trate de se virar para achar a solução, pago que é para isso. Mas que ache um lugar para o pernambucano, sob o risco de cometer um crime contra o futebol, como já se fez com Paulo Roberto Falcão em 1978. Juninho e nós merecemos

Fonte: Coluna de Juca Kfouri - Folha de São Paulo