Time imbatível: Vasco insiste em contratar fracassados de clubes pequenos

26/03/2006 às 10h17 - FUTEBOL

A fórmula não é recente. Há alguns anos, os clubes pequenos se reforçam de veteranos sem mercado de trabalho mas com boas passagens nos grandes clubes no passado. Mesclam com uma garotada que no futuro será a aposta errada de Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense para o Campeonato Brasileiro. É assim que vem sendo desenhada a decadência do futebol carioca. E é o que deverá estar presente nas escalações de América x Americano, às 16h, e Cabofriense x Madureira, às 18h10.

Tudo no Rio se resume a pouco dinheiro para investir de grandes e pequenos, assim cresce a bola de neve de fiascos. Se o América conta com a boa fase dos veteranos Robert e Válber, bons em volta olímpica, o Americano recuperou a revelação do ano passado que fracassou no Vasco, o goleiro Erivélton.

Tanto ele como o zagueiro Ciro, destaques na campanha do time de Campos ano passado, que chegou a ser semifinalista, foram mal em São Januário na campanha do Campeonato Brasileiro - só ficou no clube o outro zagueiro, Éder. Mesmo assim, o Vasco anunciou sexta-feira que vai voltar a arriscar nas revelações dos pequenos.

O alvo agora é o Madureira. O volante Ricardo Lopes e o atacante Fábio Júnior deverão reforçar o time cruzmaltino. Detalhe: Fábio Júnior, que veio do Nordeste, viveu experiência frustrante no Flamengo ano passado. Agora, diz que vai ser diferente.

- Não tive a chance que merecia. Provei meu valor no Madureira - disse, lembrando Josafá, cria do bairro que deu errado no Fla e no Flu e voltou para o clube.

Fábio Júnior terá pela frente o Cabofriense, cujo astro é o meia Teti, que teve amargas experiências no Vasco e no Botafogo e voltou a Cabo Frio, de onde o Botafogo também tirou Marcelinho e Oziel, outros que não passaram de promessa. É o pobre futebol carioca.

Ano passado, a inspiração dos grandes foi o Volta Redonda, que chegou à final do Campeonato Carioca com o Fluminense e acabou derrotado por 3 a 1. O próprio campeão carioca de 2005 tirou logo dois jogadores do rival da decisão: o goleiro Lugão e o lateral-direito Schneider, que não deram certo no Campeonato Brasileiro.

Outros grandes clubes do Rio trataram de quebrar a espinha dorsal do vice-campeão. O Botafogo pegou o meia Gláuber, considerado a revelação da equipe. O jogador jamais se firmou no time titular alvinegro. Mesmo destino do zagueiro Alemão, que acabou parando no Vasco.

Alemão foi considerado o xerife da zaga na campanha do time da Cidade do Aço, mas também sentiu o peso de vestir a camisa de um grande clube. O único do time vice-campeão que não parece ter sentido peso é Jonílson, que parou no Botafogo. Mas o clube carioca o deixou escapar para Minas Gerais, onde defende agora o Cruzeiro.

Justamente o melhor de todos dessas últimas safras longe de revelar craques como até num passado recente. Ronaldo, o Fenômeno, por exemplo, saiu do São Cristóvão direto para o mesmo Cruzeiro sem que um grande clube carioca tenha arriscado uma aposta. Mesmo erro foi cometido há pouco quando, de Nova Iguaçu, outro bom atacante, Deivid, passou despercebido, para brilhar em clubes como Santos e Cruzeiro.

Robert, camisa 10 do América que também deixou o Rio para viver o auge fora do estado, agora busca o reconhecimento aqui aos 34 anos.

- Agora é a hora do América - disse o talentoso meio-campo, que conta com a torcida rubra como a maior no Maracanã dividido por quatro clubes que dificilmente o encherão, apesar das caravanas previstas para hoje.

Fonte: Jornal do Brasil