Alexandre Campello 'respeita, mas discorda' de protesto de jogadores

03/03/2020 às 18h31 - CLUBE

Alexandre Campello não viajou com o Vasco para a Bolívia, duas semanas atrás, para o jogo contra o Oriente Petrolero, e ficou sabendo de longe da decisão dos jogadores de não concederem mais entrevistas coletivas. A forma encontrada pelo elenco para protestar diante do atraso no pagamento dos salários não foi totalmente digerida pelo presidente. O clube deve os salários de dezembro, janeiro, parte do 13º, férias e seis meses de direitos de imagem.

Quem tratou do assunto com o elenco foi o diretor de futebol André Mazzuco, que desde que a iniciativa do grupo veio à tona tem se preocupado em sair publicamente em defesa dos jogadores. Alexandre Campello, por sua vez, vê que o protesto pode ter partido da pressão de alguém do elenco.

Antes da última reunião do Conselho Deliberativo do clube, na última segunda-feira, o dirigente atendeu O GLOBO para dar sua avaliação do trabalho do técnico Abel Braga. Campello estava em Volta Redonda, onde o time empatou com o Resende no último sábado, e não gostou do que viu. Mas, no entender do dirigente, ainda há margem para crescimento.

Como vê o futebol do time em 2020?

Eu acho que o time está em formação. Tivemos mudanças no elenco e estão chegando jogadores novos. Teve a reestréia do Guarín e ainda temos o Benítez para entrar. Obviamente toda equipe em formação leva um tempo para jogar bem. Acho que começamos muito mal o ano, tivemos evolução e em algumas partidas jogamos bom futebol...

Quais?

Acho que em várias. Aqui, contra o Oriente Petrolero, criamos uma série de oportunidades. Tivemos uma partida com 25 chutes a gol, mas a bola não entrou. Acho que o time começou a evoluir. Especificamente contra o Resende, foi muito mal. Mas é muito cedo...

Que avaliação faz do trabalho do Abel?

A meu ver, tem tido evolução. Não é o que a gente espera ainda. Mas o elenco não está completo ainda. É um time em formação.

Chega alguém além do Benítez?

Talvez. É possível.

A curto prazo?

A curto, médio prazo.

Mais para o Brasileiro então...

Sim. Temos que entender que também que estamos dando chance à nossa base. Estamos tendo a oportunidade de ver um Vinícius, um Juninho, e tantos outros que já entraram no time. Aos poucos vamos trazer quem acharmos que é necessário. É um time em formação. É preciso ter um pouco de paciência.

Como recebeu o protesto dos jogadores?

Acho que ninguém fica satisfeito com o salário atrasado. Mas acho que eles entendem que o clube passa por uma situação difícil e que a diretoria tem se esforçado e muito para honrar com os compromissos. É natural, às vezes até por pressão de um ou de outro, que isso tenha acontecido...

Pressão de quem?

Não sei... Só quem está dentro do meio dos jogadores é que sabe. Eu não sei. É uma coisa interna que só diz respeito a eles. Eu respeito a posição deles, mas discordo porque eu acho que isso não resolve o problema. Acho que isso caberia se houvesse uma gestão que não se preocupasse com isso, que não estivesse se esforçando para resolver essas questões ou estivesse tendo algum gasto, uma extravagância com os salários atrasados. Mas não é verdade. Essa gestão tem um compromisso grande com a contenção dos custos. Tem também um compromisso com o aumento das receitas e tem conseguido resultados nesse sentido. Mas ainda está muito sufocada pela dívida. Hoje, com as duas contratações que fizemos, Benítez e Cano, a folha salarial dos atletas que estão à disposição de Abel é de R$ 3,5 milhões.

Contando com Rafael, Bruno César e Cláudio Winck?

Não. Só com o Bruno e o Cláudio.

 

Fonte: Agência O Globo