Após especulações sobre sua saída do Grêmio, a relação entre Renato Gaúcho e Cuiabano no Vasco se mostrou sólida e frutífera, comparada a de "pai e filho". Cuiabano, antes terceira opção no Grêmio, se destacou no Vasco com um gol e quatro assistências em quatro jogos, demonstrando alinhamento com Renato. A transferência, vista como benéfica por ambas as partes, não deixou mágoas entre o jogador e o clube gaúcho.
Uma dupla que para muitos poderia ser improvável vêm comandando a reação do Vasco no Campeonato Brasileiro. Se alguém achava que existia algum ruído na relação entre o técnico Renato Gaúcho e o lateral-esquerdo Cuiabano pela saída do jogador do Grêmio, em 2024, estes primeiros jogos da dupla no cruz-maltino provaram que os dois, para o bem do clube, estão muito bem alinhados. São quatro partidas sem perder, com um gol e quatro assistências do lateral — um segundo tento foi transformado em passe para desvio de Thiago Mendes na última rodada, contra o tricolor gaúcho.
Foi no próprio Grêmio que começou a história entre os dois. Revelado pelo clube gaúcho, Cuiabano subiu para o elenco profissional do clube de forma definitiva sob o comando de Renato Gaúcho, em 2023 — no ano anterior já participava de alguns treinamentos com o time principal. No clube gaúcho, o técnico deu as primeiras oportunidades ao então garoto de 19 anos.
Mas, com a concorrência de Reinaldo e Diogo Barbosa, Cuiabano, que costumava entrar bem nas partidas, era tratado como terceira opção e muitas vezes voltava atuar com o time sub-20 para manter o ritmo de jogo, ainda que as duas principais opções de Renato fossem contestadas pela torcida do Grêmio. No começo da temporada seguinte, Cuiabano teve uma lesão que o deixou fora por cerca de dois meses, o que o atrapalhou na briga por posição no elenco.
Em abril daquele ano, veio o que muitos trataram como uma "dispensa", mas que não foi enxergado dessa forma pelas duas partes. Naquele momento, apesar de estar no profissional há um ano, Cuiabano ainda tinha um "salário de base". O Grêmio, com aval de Renato, fez uma proposta para renovar o contrato do jogador, que ia só até o fim de 2024, com uma valorização salarial significativa — cerca de seis vezes mais do que ele ganhava. Mas, então, apareceu o Botafogo. Ainda sem os atuais problemas financeiros, o clube carioca ofereceu mais do que o dobro dos valores sinalizados pelo tricolor gaúcho.
No Botafogo, também foi sinalizado a Cuiabano que ele teria mais chances de ser titular — como, de fato, foi até a chegada de Alex Telles, em setembro. No Grêmio e nos clubes em que trabalhou, Renato gostava de manter um discurso sobre "hierarquia" no vestiário. Reinaldo era o titular, além de ser um dos líderes do elenco, e Cuiabano, ainda mais se tratando de um jovem que havia acabado de chegar da base, iria precisar "esperar a vez", ainda brigando com outros jogadores, podendo virar até a terceira ou quarta opção.
Sem uma contraproposta do Grêmio, que também se viu em uma situação delicada pela proximidade do fim do contrato do jogador (dezembro de 2024) e a recusa pela renovação nos valores apresentados, Cuiabano optou por se transferir e a diretoria gaúcha aceitou a oferta do alvinegro. Internamente, entre Grêmio, Renato e Cuiabano, o entendimento foi de que o negócio acabou sendo bom para as duas partes. Tanto que, na época, o técnico afirmou que o clube "não atrasa ninguém".
— Ele (Cuiabano) só foi vendido porque confiamos nos que estão aqui. E o clube de vez em quando precisa fazer dinheiro também. Ele manifestou interesse de ir também. Quando todas as partes ficam satisfeitas… Não que o Grêmio quisesse que ele fosse embora, mas pelos valores... Pintou a oportunidade e o Grêmio não atrasa ninguém, desde que seja um bom negócio para todo mundo, como foi — disse Renato em 2024.
Apesar de agora ter a fama de carrasco do Grêmio, com três gols e duas assistências em quatro jogos contra o tricolor, Cuiabano não teve mágoas com o clube e, principalmente, com Renato. Pelo contrário. O jogador seguiu admirando o técnico que o deu a primeira oportunidade como profissional. E o sentimento segue até hoje. No Vasco, o lateral ainda chama o treinador de "Painato", apelido que o Renato ganhou na época da sua passagem mais vitoriosa pelo tricolor, entre 2016 e 2021. E pessoas próximas dizem que a relação entre os dois, de fato, é quase como de "pai e filho". Para a alegria da torcida do Vasco, que já vê o resultado desta dupla dentro de campo.
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