O Vasco e o empresário Marcos Faria Lamacchia têm um acordo encaminhado para a venda da SAF (Sociedade Anônima de Futebol) do clube carioca por valores que podem superar R$ 2 bilhões. A informação foi publicada primeiramente pelo GE e confirmada pela ESPN.
Segundo apurou a reportagem, os principais pontos para o acerto foram alinhados já na última semana. As partes, contudo, mantêm reuniões para ainda discutir diversos detalhes contratuais, mas as fontes ouvidas acreditam que o que era central para o negócio foi superado.
O Cruzmaltino não vai se manifestar publicamente sobre as negociações com Lamacchia, que é filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, ainda que o presidente Pedrinho tenha admitido estar em "etapa muito importante" para a venda nesta semana.
Um dos pontos que ainda está em discussão é como o Vasco irá ressarcir a A-CAP, seguradora que assumiu os ativos da 777 Partners, e a tendência é que essa cifra entre no valor da compra da SAF.
Outra questão importante envolve o novo regulamento de fair play financeiro da CBF, já em vigor em período de transição, e um possível conflito de interesse no fato de Marcos Lamacchia ser filho do marido da atual presidente do Palmeiras.
Também segundo apurou a ESPN, o tema ainda não foi levado à comissão responsável pela fiscalização de temas relativos ao fair play financeiro, mas será analisado em detalhe - principalmente a estrutura societária na SAF do Vasco - caso o negócio seja confirmado.
Já circula nos bastidores do Vasco a possibilidade de uma assembleia geral de sócios no início de maio para a apresentação de todos os detalhes necessários para a aprovação do negócio da SAF.
Presidente do Vasco, Pedrinho, contudo, não tem qualquer pressa para a conclusão do negócio, como também deixou claro na entrevista no início da semana.
"Eu preciso de toda a cautela para estruturar o contrato, vocês têm um exemplo claro o que foi com o antigo sócio", disse.
Há uma seção exclusiva no regulamento da CBF sobre o tema, estabelecendo "regras e vedações aplicáveis à multipropriedade de clubes, definindo os conceitos de controle e influência significativa, com a finalidade de proteger a integridade das competições e prevenir conflitos de interesse".
Vale ressaltar que Vasco e Palmeiras, nesse cenário, seguiriam modelos distintos, uma vez que os cariocas viraram SAF e Marcos Faria Lamacchia seria, de fato, dono do clube; enquanto os paulistas seguem associação, e Leila não é proprietária, mas sim presidente eleita.
A questão é que o fair play financeiro não limita o conflito apenas a donos de clubes, mas fala em "influência significativa" em equipes que disputam as mesmas competições nacionais.
"Visando proteger a integridade das competições profissionais nacionais, é terminantemente vedado que qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube", diz o artigo 86 do documento.
"Considera-se influência significativa a capacidade de dirigir políticas financeiras ou operacionais, exercer veto relevante, nomear administradores-chave ou deter, isolada ou conjuntamente, mais de 10% dos direitos de voto com acordos de voto ou vetos qualificados, bem como contratos de financiamento que imponham covenants com poder decisório", complementa.
Em seguida, o regulamento detalha, por exemplo, as relações familiares que se aplicam ao descrito anteriormente, nas quais podem se enquadrar Leila e seu enteado Marcos Faria Lamacchia, ainda que ele não seja seu filho, apenas do marido José Lamacchia.
"Para fins de apuração do controle ou influência previstos no caput, somar-se-ão as participações, direitos de voto ou poderes de veto da pessoa física (ou dos controladores finais da pessoa jurídica) àquelas detidas por seu cônjuge, companheiro(a) ou parentes até o segundo grau (pais, filhos, irmãos)".
Segundo o Código Civil brasileiro, a relação de enteado é considerada de primeiro grau, como "parentes por afinidade". O entendimento é que, quando você se casa, passa a se relacionar com os parentes mais próximos de seu cônjuge - pais, filhos e irmãos.
Caso seja identificado conflito, o fair play financeiro da CBF dá prazo de 30 dias para resolução antes do início da competição na qual os dois clubes participariam juntos.
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